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O meu amigo Max.


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O meu amigo Max seria para os defensores da inquisição um herege, predestinado a uma das tradicionais fogueiras da época. Stalin teria feito dele um dos tantos picolés, nos campos da Sibéria. Hitler teria justificado a alcunha que algumas gurias, nem sempre boêmias, lhe atribuíam - "amendoim torradinho". A guilhotina francesa, antes de enferrujar, com ou sem motivos teria gemido plangentemente, mais uma vezinha para deliciar os reformadores. Dos Ayatolás, e dos jovens seguidores do Mulá Omar nem pensar... O meu amigo Max teria alimentado alguma máquina de fabricar cadáver, não tenho a menor dúvida, caso tivesse surgido em qualquer outro ponto do globo que não primasse pela incomparável tolerância da "democradura" brasileira. Essa vocação dos nossos "Jecas Tatus" de admitirem o modus vivendi como as maneiras de ser, agir e pensar, tão díspares, nesse país preservou incólume essa figura que para muitos dos que conviveram com ele, não se deixava se corromper pelas situações adversas ou por qualquer circunstância.

Compreendo que, o Meu amigo Max, neste mundo, não trocaria o seu rico esqueleto por idéias, concepções de grupos, doutrinas.... Ele veio, a essa vida mas para viver mais e melhor.

O meu amigo Max vem à minha lembrança, agora, por causa de dois artigos que saíram no número anterior do "O Calhau" versando sobre liderança. Um deles, uma parte do "O poema Régius", composto pelos idos dos anos de mil e trezentos.

Há mais de seis séculos, então, se falava que os valores, morais e espirituais dos chefes eram arquétipos que eles já herdaram dos antepassados. Conceitos ligados a Arte da Geometria euclidiana, princípios dos baluartes da Maçonaria Operativa. Depois de se folhear algumas páginas desse número de "O Calhau" depara-se com um trabalho do Irm José Carlos Moura: "Você sofre de chefose". Ali, a gente fica matutando sobre rudimentos utilizados pelo pessoal dos recursos humanos da BRASCAN e pela larga experiência desse Irmão autor, em questões de liderança.

Desta vez que o meu amigo Max, me vem à memória, estávamos, no aeroporto do galeão, no Rio de Janeiro. Uma ocorrência inesquecível. O ponto mais elevado do encontro não tem nada haver com este caso. Não obstante, recordo-me que o Max estava com um Jornal da cidade em que escrevera sobre o "Deus de cera".

A alegoria prendia-se a lideranças políticas, governamentais e empresariais, de então. Vejam algumas setas disparadas por ele sobre esses lugares-comuns quando lhe perguntei o que diabo vinha fazer, ali, "O Deus de Cera".

- "Meu chapa" era como o meu amigo Max tratava os íntimos, "a liderança é obtida através do conhecimento profundo de certo ofício. Nunca foi requisito adquirido pelo poder de uma cidadão de se empossar ou de se investir em um cargo, qualquer.

- Isso é prepotência pura. É, nada mais do que opressão é ato próprio de déspota. Impor a quem quer que seja, qualquer sombra de renúncia, contraria a razão. É tirania no duro. É um ato de covardia ou de humilhante submissão..." "O fato é que os líderes foram cognominados de "mestres", algum dia. Aqueles que conheciam de tudo mais do que todos". O título só era aprovado depois que o cabra apresentava a badalada "Obra-prima". Quando, dentro do seu ramo profissional, o candidato criasse uma primeira obra de arte - inédita e inaudita. Aí então é que recebia a nomeação de Mestre. Antes, não! Jamais, as fraternidades ou as instituições que mantiveram em vigência por algum tempo e que os controlavam com rigor, amoleceram o tutano e abriram mão de título, por favores, ou por simpatia".

- "Sobre a autoridade, pintam, até Deus, como um Supremo xerife, como o Eterno censor, como o Senhor da bola, como o vigia a quem entregaram um molho de chaves e o dito-cujo saia pelaí ostentando-o girando-o no ar só pra mostrar pras nêgas que era o dono de tudo.

- O "Deus de cera" terrificante figura de museu, por ser de cera, no fim da estória se derrete todo e se transforma em poça descomunal, diante de um desafiador destemido que não o reconhecia e que surgiu de ponto ignorado. Esse "Deus de cera" gerado sem princípios, ser sem consistência, firmeza perseverança, ou constância. Preocupado com aparências de detalhes, apresentação física, tratamento pessoal. Revela exacerbados sentimentos de posse. O primeiro a se servir de tudo. Exige que lhe sirvam bem. Para ele, empresa ou o cargo são instrumentos para saciar vaidades, vontades e necessidades pessoais.

- O Deus do Amor que move o Sol e astros, graças ao equilíbrio de todas as forças que domina, com Justiça e Verdade, inspira o verdadeiro líder a cultivar o meio em alta estima, e crendo, na honradez do subalterno, uma vez que o aceita e o mantém como tal.

- Sabe que sua missão principal é proporcionar os meios para que os subordinados se desenvolvam e participem do progresso que pertence a todos, criando as oportunidades e transmitindo-lhes conhecimentos essenciais.

- Para que isso aconteça deve se harmonizar e se preparar, em primeiro lugar. Quais então os motivos escusos que o impedem a tanto e que, certamente, partem de sua própria mente?

- Por que alguns chefes preferem manter os que dependem de suas ordens, "eternamente" dependentes deles?

- Por que como maus treinadores, cativam a excessiva admiração sobre o conhecimento que devem transmitir tornando a matéria desnecessariamente incompreensível.

- Por que como o farmacêutico o professor mantém o rico enfermo do lugarejo em que mora, sempre de proposito dependente dos seus misteres, para se manter e sobreviver melhor.

- A condição de ser de um líder é que se deve dar como uma fabulosa fênix, agindo intensamente.

- Como pessoa de impulsos ditados pela razão e orientados, pelo Infinito Saber.

- Um homem que sempre pensa e se concentra, em tudo que faz. É esse o tipo de ação que demonstra a vontade e prova a atividade que é sempre empreendedora. Assim, desde o momento que se nasce.

- Está escrito nos livros simbólicos e sagrados, que os homens serão julgados, segundo suas obras e não conforme seus pensamentos ou por suas idéias santas.

- Para ser é preciso fazer...". "O velho Coelho Neto já rezava que" "Esperar do acaso, como mendigos vive-se de esmolas" ou "quem evolui por favores deixa marcas de humilhação".

- Há os que lideram porque possuem "intenções grandiosas". Geralmente imploram a proteção de padrinhos, dos sóciso dos amigos e dos superiores para possuir os votos, os cargos, os mandatos, os lugares que indevidamente ocupam.

- Como se todos os outros devessem ter pendor paternalista. Tal qual camarões obrigados a manter os filhos barbados.

- Intenções inda que boas não chegam. Beccaria já ensinava que "Com as melhores intenções um cidadão pode proporcionar grandes males à sociedade, enquanto outro pode fazer o bem tentando prejudicar". Esse negócio de boa vontade deve ser evitado, ao máximo, porque os fatos nunca correspondem à beleza do que se exprime. Torna-se desgastante ou pelo menos chateia muito. É muito melhor conhecer resultados quando confirmados. E veja bem, toda intenção que não se manifesta por atos é uma sombra que passa. Vazia como ela só. A fé sem obras a que se refere a Bíblia: "mortinha" da silva. A palavra dada que apenas exprime o que ser ou fazer é baldada. Supérflua, ociosa, totalmente inútil. Muitas vezes perigosa. O verdadeiro Líder sabe disso: portanto é um cara reservado, que se abstém de fazer barulho. Sabe que falar por falar é atirar na escuridão. Pode acertar a esmo. Enganar. O que não apraz".

- Tampouco o chefe o mestre se deleita em transferir para os que estão sob seu comando os resultados falazes e duvidosos.

- É bom, livrar-se e depressa daquele homem cujo erro é sempre da equipe que comanda.

Como exemplo, lembrou-me do A. C. nosso patrão, há tempos atrás que, ordenou ao chefe do departamento industrial, de sua empresa que relacionasse os subordinados culpados por certa ocorrência desairosa, digamos assim. A lista veio recheada quase entulhando uma folha de papel almaço. O patrão pediu ao chefe colocasse a assinatura dele. Na última linha, era a condição. Após, o que, chamou o seu homem das relações humanas e pediu-lhe que demitissem todos os relacionados sem exceção, na exata ordem em que se encontrava no rol. E apresentou-lhe a tal folha dos increpados de cabeça para baixo...

- O cidadão que é líder tem que possuir como de um Deus qualidades Supremas de Onipresença, Onisciência e Onipotência. - Mas como? Perguntei-lhe e ele rindo disse:- Isso agora é lá. Só sei é que o chefe não pode tirar o corpo fora ou o c_ da reta de forma nenhuma.

- Mais adiante, contou-me que o chofer de uma Kombi repleta de funcionários de um certo Moinho, no Nordeste, acusou, por rádio, à gerência da unidade as fanfarrices de alguns funcionários que transportava.

O chefe desse grupo ia de carro próprio, para o mesmo destino dos quixotescos operários. Sozinho e até se gabou disso. Todos estavam fora do expediente normal de trabalho. "Eram livres". O líder foi convocado por "Beep" e repreendido com toda energia. O fato de não estar com o grupo, foi considerado, é claro, como um direito que tinha, mas tomado como uma das causas que aumentou a gravidade de sua total responsabilidade, diante do acontecimento.

- Com relação a ausência de um líder pode-se comparar com um caso de amor. A distância em que eles se colocam aumenta as proporções de grandeza de sua pessoa de sua personalidade de sua superioridade natural aceita. A separação, sempre, torna-o muito maior do que ele é. Esses caras, jamais são derrotados, embora estão sujeito a ser destruídos como afirmava Ernest Hemingwey.

- Enquanto W. C. H. dizia que os líderes mostram um caminho e quando este leva a vitória aceitam com naturalidade e lógica a fidelidade daqueles que o seguiram.