Samaúma
 



 









































(I) Artigo publicado no jornal "O Globo" do Rio de Janeiro, edição de 17/09/73  
































































































































































* Artigo publicado no site norte-americano townhall.com
   

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Sowell é economista formado em Harvard, com mestrado na Universidade de Colúmbia e doutorado na Universidade de Chicago. Atua no Hoover Institute em Stanford, California.
   – Tradução: Francisco Vianna

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Economia de Cabeça para Baixo

 

 

Ricardo Bergamini
Eugênio Gudin
Thomas Sowell

 

 

Amigo Lacaz

Esse tema tem muita bala para pouco canhão. 

Houve superprodução irresponsável de dólares para custear as guerras do Iraque e Afeganistão, e como os Estados Unidos é o Banco Central do Planeta (todos os países têm reservas em dólares) - o dólar pode ser considerado como sendo a base monetária do planeta - com o efeito multiplicador de crédito (a base monetária se multiplica em muitos créditos ao mesmo tempo em função da velocidade da moeda) gerou uma montanha de créditos espalhados pelo mundo que criou uma ilusão monetária de crescimento e prosperidade mundial falsa.

Com a crise (ajuste técnico do mercado) todos os países entrarão em crise cambial, e a quebradeira em torno do mundo irá esterilizar os dólares falsos e tudo voltará à nova ordem mundial, como sempre foi. E os primatas irão descobrir que o  Estados Unidos não acabou.

O artigo abaixo do meu amado e saudoso mestre Eugênio Gudin sobre a crise de 1971 (gerada pela guerra do Vietnam) é por  só explicativo. 

 

O PENSAMENTO DO PROFESSOR EUGÊNIO GUDIN

 

A DESORDEM MONETÁRIA INTERNACIONAL (I)

O pecado original que deu lugar à crise monetária internacional que ainda perdura foi, como se sabe, o de terem os Estados Unidos abusado do privilégio de que gozava o dólar, de ser também moeda internacional, como tal recebido e aceito pelo mundo afora. Os Estados Unidos esbaldaram-se despejando dólares no mundo através da guerra do Vietnam e de enormes investimentos na Europa,além do fluxo habitual de turismo. A enorme massa de dólares que ficou ricocheteando pela Europa de país a país tem grande responsabilidade na inflação que se infiltrou na Europa onde atingiu 7% e 8% e mais ao ano, em países de ordem monetária tradicional como Suíça e Alemanha Ocidental.

O que há de curioso na presente conjuntura é que o dólar se depreciou muito mais internacionalmente do que dentro dos Estados Unidos. A taxa de câmbio atual do dólar em termos de marco alemão (julho de 1973) é de apenas de 2,38 marcos por dólar, mas um dólar nos Estados Unidos tem um poder de compra equivalente a 3,17 marcos. Igualmente, a taxa de câmbio na Suíça é de 2,86 francos suíços por dólar, entretanto um dólar compra nos Estados Unidos o equivalente a 3,90 franco suíços.

É um caso típico de desvio da paridade do poder de compra, oriundo de itens outros que não os referentes a mercadorias, especialmente transferência de capitais.

A inflação nos Estados Unidos, a partir de 1965, foi em parte uma inflação de demanda oriunda de vastos déficits orçamentários (RS$ 25 bilhões em 1972, ora estimado em US$ 15 bilhões para 1973), e em outra parte, uma inflação de custos por elevação excessiva de salários em anos recentes (ferroviários 42% em 42 meses, siderúrgicos 30% em 3 anos, General Motors, etc), além da inflação de caráter internacional oriunda das recentes desvalorizações do dólar que encarecem os preços das mercadorias importadas.

Mas a inflação na Europa, oriunda basicamente da expansão de crédito vinda do excesso de dólares flutuantes, não ficou atrás da dos Estados Unidos.

O atual desequilíbrio monetário internacional é devido muito mais aos movimentos de capitais do que às disparidades inflacionárias entre os Estados Unidos e a Europa. Os Estados Unidos, aparentemente mais preocupados com sua atividade econômica interna do que com seu balanço de pagamentos, mantém taxas de juros reputadas baixas, pouco atraentes portanto para dinheiro do exterior. Por outro lado, a falta de confiança no dólar fez com que a esperada repatriação de dólares depois da desvalorização não se verificasse. A demanda de dólares por parte das empresas americanas e das empresas multinacionais, bem como dos árabes do petróleo, não tem correspondido à expectativa.

Do lado das mercadorias (balanço de comércio) a situação está melhorando com o grande encarecimento dos artigos importados à nova taxa cambial; por exemplo, um Volkswagen que custava US$ 1.900,00 passou para US$ 2.300,00. Os algarismos do balanço comercial continuam a melhorar conquanto as exportações não tenham tido o impulso que se poderia esperar. Por outro lado, a importação de petróleo cresceu em volume e em preço; os turistas americanos continuam a voar para o exterior mesmo com preços vinte e cinco por cento mais altos; 600 mil militares no estrangeiro e os empresários americanos continuam a exportar capitais.

Em artigo escrito, neste jornal, em setembro do ano passado, sobre a crise monetária internacional, eu dizia:

"O problema não é fácil nem de rápida solução. Exige muito tempo, talvez anos para sedimentar-se em um consenso generalizado”.

A hipótese de nova volta ao padrão-ouro está fora de cogitação. A crise atual, se de um lado desprestigiou o dólar, serviu, de outro, para mostrar como o ouro é sujeito às influências da especulação e das variações do volume produzido, o que o torna impróprio para servir de padrão de valor para todas as moedas.

Donde se vê que as perspectivas de curto prazo não são animadoras. Nem o projeto Nixon round, de reduções tarifárias, nem a reunião de Nairóbi do FMI, em setembro, nem a Comissão dos Vinte (nem que fossem 40) solucionarão o caso.

O único remédio é o esforço persistente - sobretudo dos Estados Unidos - para restabelecer a confiança no dólar e o equilíbrio de seu balanço de pagamentos, ao nível da taxa cambial que for.

Vencida essa primeira etapa é que se poderá organizar um novo esquema monetário internacional.

----- Original Message -----
From: lacaze
To: ricoberga
Sent: Saturday, February 21, 2009 7:44 AM
Subject: ECONOMIA DE CABEÇA PARA BAIXO

REPASSANDO e aguardando comentários se assim for possível.
 LACAZ
http://www.sacralidade.com/mundo2008/0100.crash.html



A ECONOMIA DE CABEÇA PARA BAIXO *


Thomas Sowell * *


Dos especiais de TV aos editoriais dos jornais, a mídia estadunidense está forçando cérebro adentro dos americanos a idéia de que os atuais problemas econômicos foram causados pelo mercado e que só o governo os pode salvar. É a "doença socialista" se expandindo na economia do país mais rico do planeta. Se o povo acreditar, talvez, em breve, não o seja mais, exatamente por isso.

O que estava faltando no mercado imobiliário, diz a mídia, era a regulamentação governamental sobre a “ganância” dos seus agentes". Isso cria um grande melodrama moral, mas acaba situando os fatos de cabeça para baixo. Foi precisamente a intervenção do governo que transformou a próspera indústria do subprime numa pilha de nervos e numa espécie de tragédia anunciada.

     Um economista, especializado em mercados financeiros, deu uma dica da história dos mercados imobiliários quando disse: "Emprestar dinheiro a americanos comprarem sua casa própria tem sido um dos negócios menos arriscados e mais lucrativos que um banco pode fazer, há quase um século".  Isto é o que era esse mercado, antes do governo intervir. Como muitas intervenções governamentais, ela começou pequena, discreta, e mais tarde foi crescendo e se tornando mais visível.

     O Ato de Re-Investimento Comunitário foi a maneira como as agências reguladoras federais, em 1977, intervieram para "encorajar" os bancos e outra instituições de crédito "a ajudarem a cobrir as necessidades creditícias de comunidades locais, nas quais eles identificassem pessoas que pudessem ser beneficiadas com empréstimos sob hipoteca e que fossem consistentes com a segurança mínima para que pudessem operar de forma saudável para as partes envolvidas."

     Isso soa bem inocente e, de fato, teve pouco efeito por mais de uma década. Entretanto, sua premissa era a de que “burocratas e políticos sabem até aonde os empréstimos podem ir, de um modo melhor e mais eficiente do que as pessoas que estão, de fato, operando o mercado e contratando os empréstimos no dia a dia”.

     O real potencial de tal premissa ficou visível na década de 1990, quando o Departamento da Habitação e Desenvolvimento Urbano (DHDU) impôs uma exigência de que os emprestadores de dinheiro sob hipoteca demonstrassem com dados concretos que eles estavam 'assumindo suas responsabilidades' perante o Ato de Re-Investimento Comunitário.  O que o DHDU queria mesmo eram os números mostrando que os empréstimos sob hipoteca estavam sendo feitos às pessoas de “baixa e moderada renda”, na escala de intensidade esperada pelo governo, mesmo que, para tal, os bancos e financeiras estabelecessem novos padrões de qualificação mais "inovadores e/ou flexíveis" para aquelas pessoas. Ou seja, o governo impôs quotas – e se algumas pessoas não satisfaziam esses padrões, então eram os próprios padrões que teria que ser ‘alterados’ para satisfazerem as necessidades dessas pessoas.

     Tanto o DHDU como o Departamento de Justiça começaram a impetrar ações judiciais contra os agentes financeiros sempre que a percentagem de candidatos a hipotecas da minoria não branca se tornava maior do que a da maioria branca, obrigando-os, com isso, a diminuir a quantidade de empréstimos sob hipoteca a esses últimos.

     Uma substancial maioria de ambos os segmentos raciais tiveram seus empréstimos aprovados sob hipoteca, mas qualquer "diferença estatística" mais significante passou a ser o suficiente para um banco ser processado. Note-se que os mesmos recursos estatísticos de onde eram obtidos os dados sobre broncos e negros comumente incluíam os dados sobre os asiático-americanos também. Mas esses últimos quase nunca eram mencionados. Diminuíram então mais freqüentemente os empréstimos para os brancos do que para os "asiático-americanos". Mas dizer tal coisa seria subverter os arrazoados sobre os quais se baseavam todo esse melodrama moral.

     As ações legais eram apenas parte das pressões exercidas sobre os operadores de crédito imobiliário pelos agentes governamentais. Bancos e outras empresas de crédito são supervisionadas por agências reguladoras e têm que conseguir delas a aprovação para muitas decisões de negócios que outros setores de crédito tomam sem precisar da aprovação de quem quer que seja. Regulamentadores governamentais recusavam-se a aprovar tais decisões quando um emprestador estava sob investigação por não produzir estatísticas satisfatórias sobre os empréstimos que fazia às pessoas de baixa renda ou pertencentes a minorias étnicas.

     Sob crescentes pressões, tanto da administração Clinton como, mais tarde, da administração George W. Bush, os bancos começaram a baixar os padrões de qualificação dos candidatos a empréstimos sob hipoteca.

     Tais empréstimos passaram a não exigir nenhuma parcela de entrada, sinal, ou pré-prestação e a não fazer verificação de renda bem como adotar outros arranjos financeiros "criativos" e se generalizaram nos EUA. Muito embora a coisa tenha sido feita sob as pressões que começaram ‘em nome dos pobres’ e das ‘minorias’, as pessoas que não se enquadravam nessas ‘classificações’ também conseguiam tais empréstimos com a mesma facilidade ‘criativa’.

     Com os empréstimos sob hipoteca – e logo a seguir as operações de refinanciamento – amplamente disponíveis a pessoas com um retrospecto questionável quanto à capacidade de manterem seus pagamentos, a coisa toda se transformou num convite aberto ao desastre financeiro.

     Os que avisaram dos perigos tiveram seus avisos dispensados e ridicularizados. Agora, pelo que se lê, se ouve, e se vê, “os americanos precisarão de mais políticos e burocratas intervindo em mais segmentos industriais”, caso o povo acredite nos políticos e na mídia.