Portal Maçônico - SAMAÚMA

 

 

Voltar para página principal.




O autor é Professor de Economia.
Tel 0xx48 244-7671

www.angelfire.com/
sc3/ricardobergamini



rberga@tutopia.com.br
rberga@tutopia.com.br
ricardoberga@tutopia.com.br
rbergamini@pop.com.br
ricardobergamini@ig.com.br



Fonte IBGE

Brasil - Século XX - População


Ricardo Bergamini

Desde 1970, quando os brasileiros eram “90 milhões em ação” (ou, mais exatamente, 93.139.037, segundo o Censo daquele ano) e a seleção brasileira conseguiu o tricampeonato mundial de futebol, a população do País cresceu 82%. Ao longo do século XX, ela tornou-se quase dez vezes maior: o Censo de 1900 contou mais de 17.438.434 de residentes. Na primeira metade do século, a população triplicou (51.941.767 residentes em 1950) e, na segunda metade, mais que triplicou. Em 2000, já éramos 169.590.693 pessoas.

As taxas médias de crescimento da população brasileira durante o século XX eram de 2,91% ao ano nas duas primeiras décadas e caíram para 1,49% nas duas décadas seguintes. A partir da década de 1940, o ritmo de crescimento da população voltou a se intensificar e atingiu um pico histórico de 2,99% ao ano entre 1950 e 1960, antes de declinar para seu valor mínimo, de 1,63%, na década de 1990. Tudo indica que a trajetória descendente deverá permanecer no futuro, e a taxa de crescimento populacional projetada para 2020 é de 0,71% em média ao ano.

Imigrantes contribuíram com 10% do crescimento populacional brasileiro Durante as quatro primeiras décadas do século XX, o crescimento natural da população brasileira (saldo entre nascimentos e mortes) era de 19 por mil, enquanto a contribuição da imigração no mesmo período pode ser estimada em 2 por mil. Em outras palavras, 10% do crescimento populacional do período se deve à migração de estrangeiros que, na verdade, iniciou-se no século XIX, após a abolição formal da escravatura e a decorrente carência de mão-de-obra agrícola. Em 1934, o governo estabeleceu um sistema de cotas para controlar a entrada de imigrantes. Assim, a partir da década de 1930, a imigração perdeu sua relevância na taxa de crescimento da população brasileira, que teve simultaneamente à redução da imigração um aumento muito forte do crescimento natural, especialmente em meados do século.

A imigração contribuiu de forma direta, ou seja, com os próprios imigrantes, e de forma indireta, com seus descendentes, com 19% do aumento populacional brasileiro entre 1840 e 1940. A análise desses números mostra que a imigração não teve a mesma importância no Brasil como um todo que em países como a Argentina, onde a contribuição dos imigrantes, no mesmo período, foi de 58%, ou os Estados Unidos (44%) e Canadá (22%).

Saúde pública produz forte declínio da mortalidade mundial no século XX

Depois de atravessar o século XIX crescendo a uma taxa de 5,2 a 5,4 por mil ao ano, ao iniciar-se o século XX, a população do mundo era de cerca de 1,7 bilhão de pessoas. Em 1950, segundo a ONU, a população mundial compreendia cerca de 2,5 bilhões de pessoas – a taxa de crescimento média anual subiu para 7,9 por mil na primeira metade do século XX. Nos 25 anos seguintes, esta taxa Estatísticas do século XX mais que duplicou, chegando a 17,1 por mil. Em 1980, o mundo tinha 4 bilhões de pessoas.

O aumento vertiginoso da população mundial ao longo do século XX resulta basicamente da queda espetacular da mortalidade aliada à manutenção relativa dos elevados níveis de fecundidade. O declínio das taxas de mortalidade foi uma marca do século XX, especialmente nos países desenvolvidos, mas o fenômeno foi especialmente notável na segunda metade do século XX em muitos países em desenvolvimento, entre os quais os da América Latina. Entre as possíveis causas se apontam a vacinação antivariólica e mudanças em saneamento e higiene pública, no impacto significativo sobre certas causas de morte como o tifo e o cólera. Entretanto, aponta-se como provavelmente a característica mais marcante do século XX, mais ainda do que a queda da mortalidade, o fato de que pela primeira vez a fecundidade (ou seja, o número médio de filhos por mulher) tornou-se o elemento responsável pela dinâmica populacional.

Alta mortalidade de crianças de menos de 1 ano mantém baixa a expectativa de vida

O nível de mortalidade no Brasil no fim do século XX era estimado em pouco menos de 7 mortes por mil habitantes por ano, comparável, portanto, à média dos países desenvolvidos. Entretanto, analistas recomendam cautela nas comparações internacionais baseadas na taxa bruta de mortalidade, pois esse tipo de indicador reflete parcialmente a estrutura por idade da população. Em outras palavras, países com população mais “velha” terão taxa bruta de mortalidade maior do que aquela obtida numa sociedade com estrutura etária mais “jovem”, pelo simples motivo de que os primeiros terão um maior número relativo de pessoas nas faixas de idade onde a mortalidade é maior. Para comparações internacionais, portanto, recomenda-se utilizar o indicador de expectativa de vida ao nascer, ou vida média, medida que independe da estrutura etária da população.

A mortalidade infantil no Brasil diminuiu muito nas últimas décadas do século XX, mas ainda é relativamente preocupante pois, embora se observe um aumento muito significativo da expectativa de vida ao nascer (que cresceu, no caso dos homens, de 33,4 anos em 1910 para 62,3 anos em 1990 e, no caso das mulheres, de 34,6 para 69,1 anos, respectivamente), a mortalidade das crianças menores de 1 ano de idade ainda é bastante significativa. Uma forma de analisar o problema é comparar a expectativa de vida que se tem ao nascer com a expectativa restante ao completar um ano de idade, pondo em evidência os riscos ainda enfrentados pelas crianças brasileiras no primeiro ano de vida. Esta avaliação indica que a mortalidade das crianças menores de 1 ano ainda constitui um fator relevante para ganhos futuros na expectativa de vida ao nascer.

Uma criança brasileira nascida em 1990 tinha expectativa de vida estimada em 62,3 anos, caso fosse do sexo masculino, e de 69,1 anos se fosse do sexo feminino. Entretanto, aquelas que sobrevivessem ao primeiro ano de vida podiam esperar viver em média mais 65 anos, no caso dos homens (ou seja, até os 66 anos), e mais 71,1 anos adicionais no caso de mulheres (ou seja, até 72,1 anos). Nos países desenvolvidos, a situação é bem diferente. Na Suécia, por exemplo, na década de 1970, uma criança do sexo feminino tinha uma expectativa de vida ao nascer de 77,7 anos. Ao completar 5 anos de idade, sua expectativa de vida adicional era de 73,5 anos, ou seja, deveria sobreviver em média até 78,5 anos, indicando que, já naquele período, praticamente nenhuma criança sueca morria antes dos 5 anos de idade.

Diminuiu a diferença de expectativa de vida entre as Grandes Regiões

O fato mais notável relacionado com a expectativa de vida dos brasileiros ao longo do século XX é a convergência na expectativa de vida entre as regiões. Em 1940, a maior esperança de vida encontrava-se na região Sul (50,1 anos), e a menor, na região Nordeste (38,2 anos), com uma diferença, portanto, de quase 12 anos entre elas. No fim do século, o maior valor continuava a ser observado na região Sul (68,7 anos em 1990) e o menor valor no Nordeste (64,3 anos em 1990), mas a diferença entre eles reduziu-se para 4,4 anos.

Ao longo do século XX, ampliou-se muito a expectativa de vida dos brasileiros. A das mulheres praticamente dobrou entre 1910 (quando era 34,6 anos) e 1990 (quando passou a 69,1). A expectativa de vida masculina cresceu 28,9 anos no período, passando de 33,4 anos em 1910 para 62,3 anos em 1990. A tendência de aumento se manteve até o fim do século XX: em 2000, a expectativa de vida para ambos os sexos era de 68,6 anos (64,8 para homens e 72,6 para mulheres).

Após um período de ganhos substanciais, entre 1940 e 1960, a expectativa de vida no País passou de 42,7 anos em 1940 para 52,4 em 1960. Ela estabilizou-se em 1970 e saltou para 61,7 anos em 1980. O crescimento prosseguiu, embora em ritmo mais lento, ao longo das décadas seguintes do século XX. Comparada à mortalidade infantil, a mortalidade adulta não baixou tanto. Houve, aliás, um preocupante aumento da mortalidade de jovens do sexo masculino de 15 a 29 anos, associado ao aumento da violência urbana no fim do século.

Estudo completo disponível aos leitores. Basta solicitar.