Ricardo
Bergamini
A
evolução dos diversos setores do PIB, no decorrer
do século, mostra uma queda da participação
da Agricultura, de 45% em 1900, para cerca de 10% nas últimas
décadas. Inicialmente, este queda foi compensada pela expansão
da Indústria, que passou de 12% do PIB no início
do século, aumentando continuamente sua participação
até meados da década de 1970, quando chega a 34%
do total.
O setor de Serviços responde pelo restante da produção,
com os ganhos de participação sendo constantes ao
longo do tempo e refletindo uma tendência clássica
no desenvolvimento das nações. Os serviços
partem de 44% do PIB em 1900, chega a 50% nos anos 30 e 40 e a
61% na última Estatísticas do século XX década
do século.
Os dados revelam que a década de 1940 foi a das mais intensas
mudanças estruturais, seguida da década de 1930
e da de 1950, o que equivale a dizer que as maiores mudanças
estruturais na economia brasileira ocorreram entre 1930 e 1960.
As décadas em que foram menores as mudanças estruturais
foram a primeira e a última do século.
Na segunda metade do século foram particularmente importantes
as mudanças estruturais que beneficiaram o crescimento
das atividades industriais em detrimento da agricultura, com aumento
da participação das indústrias extrativa
mineral, de construção civil e os Serviços
Industriais de Utilidade Pública, além dos setores
de Comunicações, Instituições Financeiras
e de Administração Pública, entre os Serviços.
Já a indústria de transformação, setor
líder até 1975, teve participação
diminuída depois de 1985, caindo de 31,6% para 20,3% em
1995.
Os setores que mais perderam participação na segunda
metade do século foram Agropecuária, Comércio
e Aluguéis. O baixo crescimento agrícola foi uma
constante do desenvolvimento brasileiro a partir da Primeira Guerra,
até 1970.
Pode-se perceber, pela publicação, que a economia
do Brasil, no início do século, embora estivesse
baseada nas exportações de café e borracha,
já iniciava um processo de industrialização.
Dados de 1907 dão conta de 3.258 estabelecimentos industriais,
que empregavam 152 mil operários. Destes, 30% eram do ramo
de fiação e tecelagem de algodão. Os registros
indicam ainda empresas dos ramos de madeira, mobiliário,
calçado, fósforos, vestuário, couro, chapéus,
fumos e cerâmica.
A indústria ganhou força, sobretudo, a partir dos
anos de crise e depressão, respondendo rapidamente ao estímulo
do mercado interno, impedido de importar. Boa parte do dinamismo
da indústria deve-se também à demanda externa.
O setor de têxteis, por exemplo, aumentou 20 vezes o volume
exportado, entre 1932 e 1939.
Durante a segunda guerra, o País iniciou a diversificação
das exportações para os países da América
Latina, antes direcionadas para Estados Unidos e Alemanha. O crescimento
foi tão grande durante a segunda guerra que, em 1943/44,
com o crescimento das reservas cambiais, o governo pode equacionar
o problema da dívida externa, que levara o país
a decretar a moratória em 1937.
As duas décadas de intervalo democrático, entre
1946 e 1964 caracterizaram-se por um momento único na década,
de diversificação de bens produzidos e de intenso
crescimento. A aceleração do crescimento no final
dos anos 50, com o Plano de Metas de JK, destacou-se com o forte
crescimento do segmento produtor de bens duráveis de consumo
modernos, especialmente veículos e eletrodomésticos.
O período caracterizou-se também pelo relaxamento
da moeda. Em 1962 já havia forte aceleração
inflacionária, da ordem de 50%, reforçadas com as
tentativas de elevação do salário real, através
da instituição do 13º, por exemplo. Neste contexto,
é elaborado um plano de estabilização que
propunha medidas fortes para debelar os desequilíbrios
fiscais e monetários, que não tiveram apoio político
para serem implementadas.
Com o regime militar, os dois problemas que asfixiaram o regime
anterior (financiamento do setor público e balanço
de pagamentos) encontram solução, por um lado, na
reforma tributária de 1967, que aumentou e indexou as receitas
do governo e permitiu a colocação de papéis
indexados da dívida pública, e, por outro, no apoio
do governo americano que possibilitou o reescalonamento da dívida
externa e a reabertura de linhas de crédito para o Brasil.
O resultado é que na década de 70 o país
cresceu mais de 10% ao ano sem, no entanto, diminuir a vulnerabilidade
a choques externos, como se viu na crise do petróleo de
1973/78.
A estratégia de crescimento com endividamento externo,
seguido, baseava-se no potencial de exportações
e nas reservas acumuladas.
A década de 80 foi dominada pela questão do endividamento
externo e suas implicações e por uma nítida
aceleração das taxas de inflação.
Uma das conseqüências dessa década, conhecida
como perdida, foi a perda das fontes de financiamento do desenvolvimento
e uma inflação cronicamente elevada, que dificultou
a gestão pública nestes anos.
O PIB per capita parte de valores muito pequeno em 1900 (R$ 497,00),
crescendo aceleradamente por 80 anos até chegar a R$ 6.011,00
em 1980. A partir daí, o crescimento é mais lento,
crescendo a uma taxa de 0,34% ao ano, até 2000.
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