Ricardo
Bergamini
Ao longo do século XX, a economia
brasileira dispôs de crédito suficiente para seu
crescimento? Qual a participação dos setores público
e privado no financiamento das empresas e da infraestrutura nacional?
Estas questões – tão atuais num momento em
que o País discute a disponibilidade de crédito
para a atividade produtiva e o patamar da taxa básica de
juros – estão entre as que poderão ser discutidas
com mais clareza a partir do conjunto de estatísticas compiladas
no capítulo sobre as tendências de longo prazo da
moeda e do crédito no Brasil. Aí e no CD-ROM há
dados históricos sobre as emissões de papel-moeda
(1901 a 2000), encaixe (1901 a 1997) e empréstimos (1912
a 1997) dos bancos comerciais, bem como suas relações
com o Produto Interno Bruto.
Enquanto o PIB brasileiro cresceu 110 vezes entre 1901 e 2000
– e manteve-se, ao longo do século XX, numa taxa
média de 4,8% ao ano – a emissão de papel-moeda,
os meios de pagamento e a oferta de crédito se comportaram
de maneira diferenciada. As estatísticas contidas nessa
nova publicação do IBGE atravessam os diversos períodos
de crescimento da economia e acompanham a consolidação
do sistema financeiro do País, o papel regulador e financiador
do Banco do Brasil, na era anterior ao Banco Central e ao BNDES.
Também são retratados os ciclos de industrialização
– com seu auge entre 1932 e 1977, quando os meios de pagamento
cresceram a uma taxa real de 4,7% ao ano, enquanto o PIB atingia
uma taxa anual média de 6,7% – e o conseqüente
aumento da demanda por financiamento, até a inflação
e os anos do Real.
Uma comparação entre o PIB atingido ao longo dos
diversos ciclos econômicos e os respectivos volumes de empréstimos
mostra um resultado aquém do esperado para um sistema financeiro
que se desenvolveu com bastante vigor – principalmente após
as reformas de 1964/65 – e tornou-se um dos mais sólidos
entre aqueles pertencentes a países em desenvolvimento.
As estatísticas mostram que os recursos de longo prazo
para investimento vieram tradicionalmente do Estado – em
especial do BNDES. O sistema financeiro privado tradicionalmente
evitou riscos de longo prazo no financiamento da formação
de capital.
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