Ricardo
Bergamini
A partir da década de 1930, a inflação
apresentou tendência exponencial de crescimento, só
revertida com o Plano Real, em 1995. A taxa média de inflação
anual foi num crescendo de 6% nos anos 30 para 12% nos anos 40;
19% nos anos 50; 40% nas décadas de 60 e 70; 330% nos anos
80 e 764% de 1990 a 1995, caindo para 8,6% de 1995 a 2000.
A publicação mostra, também, a evolução
das taxas de poupança e de investimento da economia, ao
longo do século. Na fase de substituição
de importações, as taxas de investimento cresceram,
de níveis abaixo de 10% do PIB, no início da década
de 1930, para 25% no final da década de 1970.
Nesse período, o governo utilizou, de forma intensa, instrumentos
cambiais, comerciais e de controle burocrático para proteger
a indústria doméstica.
A taxa de poupança doméstica, durante a fase de
substituição de importações, recuperou-se
na década de 30, com estabilização em torno
de 15% do PIB até começo da década de 1950,
e crescimento sistemático até atingir o patamar
de 19% do PIB na década de 70.
Por fim, a urbanização, com sua demanda por investimento
habitacional e de infraestrutura, além da transição
demográfica e conseqüente envelhecimento da população
que obrigou a investimentos crescentes na previdência social,
afetaram a poupança interna.
Nas duas últimas décadas, as taxas foram preocupantes,
com tendência declinante, saindo de 27% do PIB no final
dos anos 80 para 14% do PIB em 1999. O mesmo ocorrendo com a taxa
de investimentos, que caiu de 24% do PIB em 1981 para 19% na década
de 90.
As despesas primárias do governo federal, dos estados e
municípios mais que triplicaram no século, passando
de 10% do PIB em 1900 para 36% do PIB em 1999. Destacam-se aí
os aumentos significativos das despesas com previdência
social e dos estados e municípios, que refletem os avanços
do estado do bem-estar social por um lado, e do federalismo, por
outro.
Para financiar o crescimento das suas despesas, o governo brasileiro
realizou, durante o século XX, diversas reformas tributárias
(em 1934, 1946, 1967 e 1988), que mostram a evolução
da arrecadação, destacando-se a tendência
de substituição dos tributos indiretos pelos diretos.
Até 1920, a tributação era quase que exclusivamente
baseada no Imposto de Importação, que representava
80% da receita federal e, como porcentagem do PIB, ficava em torno
de 11%.
De 1920 a 1958, a carga tributária passa de 7% para 19%
do PIB, chegando a 30% em 2000, com crescimento das tributações
domésticas e dos tributos diretos e a criação
de impostos sobre o consumo e a renda (IR, criado em 1924 e o
Imposto sobre Vendas e Consignações - atual ICMS,
criado em 1934), que passam a se constituir nas principais fontes
de receita. Na reforma de 1934 é concedida competência
tributária aos municípios, com a criação
dos impostos Predial e de profissões. O imposto de importação
se torna, a partir daí, um instrumento de política
comercial.
Na reforma de 1967 é introduzido o Imposto sobre o Valor
Adicionado e são introduzidos mecanismo para aumentar a
eficácia da arrecadação.
Na reforma de 1988, com o aumento da participação
dos estados e municípios na arrecadação dos
impostos de renda e sobre produtos industrializados, o governo
federal intensificou a arrecadação de contribuições
sociais indiretas, não compartilhadas com estados e municípios,
como COFINS, CSLL e CPMF.
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