Ricardo
Bergamini
Previdência
– Fonte IBGE
As tabelas de Previdência das Estatísticas do Século
XX refletem a redução do número de institutos
de previdência ao longo do século até sua
centralização pelo Estado, com a criação
do INPS em 1966. Também indicam o aumento da abrangência
da cobertura de segurados, pois se no início do século
a previdência era reservada apenas a trabalhadores, e exclusiva
de determinadas categorias, passou a ser vista ao longo do tempo
como direito do cidadão. A partir da década de 1970,
foram incluídas categorias até então marginalizadas,
como empregados domésticos, trabalhadores autônomos,
trabalhadores rurais, maiores de 70 anos e inválidos não-contribuintes.
O processo continuou com a Constituição de 1988
e o princípio da universalidade dos direitos.
A
série histórica dos dados de segurados (ou contribuintes)
começa em 1923, quando foi criada a primeira Caixa de Aposentadorias
e Pensões (CAP) no Brasil, um marco fundador da previdência
no país. As CAPs abrangiam geralmente trabalhadores de
uma única empresa. Com a criação do Ministério
do Trabalho, em 1930, um novo padrão de associação
surgiu, os Institutos de Aposentadoria e Pensões (IAPs),
que cobriam trabalhadores de uma mesma categoria (marítimos,
industriários, etc.).
Se
os anos de 1920 foram pródigos no aparecimento de Caixas
de Aposentadorias e Pensões, nas décadas de 1930
e 1940 observamos um processo de fusões e incorporações
que resultou numa progressiva redução do número
de CAPs existentes.
O
número de institutos foi crescente de 1923, quando eram
24, com 22.991 associados ativos, até 1936, quando eram
183, com 682.580 associados ativos. Um ano depois, em 1934, pelas
fusões, o número de institutos caiu para 104, embora
o número de associados tenha continuado a crescer, para
844.801. Nos anos seguintes a queda na quantidade de instituições
é contínua, até chegar a 35 em 1951, e o
número de associados ativos já tinha atingido 3.045.988.
Em
meados da década de 1950 restavam apenas 7 CAPs e IAPs,
das categorias de ferroviários e empregados em serviços
públicos, bancários, comerciários, empregados
em transportes e cargas, industriários, marítimos
e servidores do Estado. No fim da década, em 1959, havia
3.892.704 associados ativos.
Cada
um dos IAPs e CAPs tinha sua legislação própria,
até que em 1960 foi criado o Ministério do Trabalho
e Previdência Social, e a legislação foi uniformizada,
com a aprovação no Congresso da Lei Orgânica
da Previdência Social.
Em
1966 os IAPs foram fundidos e unificou-se o sistema previdenciário,
com a criação do Instituto Nacional de Previdência
Social (INPS), hoje INSS. A partir de 1968, o número de
contribuintes é crescente. Naquele ano eram 7.763.058.
Vinte anos depois, em 1988, eram 29.361.276. No fim do século,
em 2000, eram 33.674.441. Os dados mais recentes, de 2002, revelam
uma cobertura de 36.470.628 contribuintes.
Finanças
A quase permanente inflação
no século, algumas vezes com taxas muito elevadas, torna
sem sentido as comparações de longo prazo. Apesar
disso, as informações sobre finanças públicas
permitem conhecer, por exemplo, os gastos monetários por
ministérios, que são bons indicadores das políticas
públicas adotadas; as reformas tributárias executadas
ou os tipos de tributos existentes.
O Imposto de Importação, que foi, no início
do século, a principal fonte de receita federal, chegando
a corresponder, em 1908, a 80% da arrecadação e
a 7% do PIB, perde importância no meio da década,
enquanto o IPI e o IR, criado em 1924, crescem vigorosamente.
O Imposto de Importação termina o século
representando menos de 1%.
Igualmente interessante é a evolução da dívida
pública interna federal ao longo do período, correspondendo,
no início do século, a 20% do PIB. Com a inflação
crônica, a dívida desaparece, ficando impossível
para o governo colocar títulos no mercado, quando os déficits
passaram a ser financiados por emissão crescente de papel
moeda ou por empréstimos do Banco do Brasil.
Em 1964/65 aparece a figura da correção monetária,
que contornou a Lei da Usura, que passou a ser interpretada como
o que se cobrava acima da correção monetária.
Estudo completo disponível aos leitores.
Basta solicitar.