

O autor é Professor de Economia.
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Roberto
Gama e Silva
Almirante Reformado
Presidente da Comissão Executiva Nacional Provisória
Partido Nacionalista Democrático –PND
Rio de Janeiro, em 6 de março de 2004.
Aniversário do rompimento, em Pernambuco, da Revolução
Nacionalista de 1817.
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O
Espetáculo do Empobrecimento |
Col
Ricardo Bergamini
Como a mídia “amestrada” concedeu pouco espaço
para a discussão do significado do sinal negativo aposto
ao “Produto Interno Bruto” do ano de 2003, faz-se
necessário tecer algumas considerações sobre
o processo, hoje rotineiro, de empobrecimento dos brasileiros,
que continuam pisados pelo tacão das práticas neoliberais.
Nos últimos cinco anos, de 1998 até 2003, a média
anual de evolução da economia brasileira foi da
ordem de 1,6%. Isto significa que o total de bens e serviços
gerado pelo labor dos brasileiros só cresceu 1,6% ao ano.
Acontece, porém, que a média de crescimento da população
brasileira manteve-se, entre 1990 e 2000, em torno da taxa de
1,56% ao ano.
Então, apesar das artimanhas governamentais para mascarar
os fatos, o “Produto Interno Bruto”, por brasileiro,
só experimentou um incremento de 0,04% ao ano, entre 1998
e 2003, praticamente “zero”, além do fato de
ter sido ele negativo em 1998, 1999 e 2001, ainda no governo do
sociólogo Fernando Henrique Cardoso, e agora, no primeiro
quarto do mandato do sucessor, aparecer novamente negativo e igual
a – 1,76% ( resultado da soma algébrica de –0,2%,
decréscimo do PIB, e 1,56%, aumento da população).
Esse número negativo significa que mesmo um “curumim”
nascido hoje, num dos beiradões da Bacia Amazônica,
está vindo à luz 1,76% mais pobre do que no momento
em que foi gerado, nove meses atrás.
É o melancólico espetáculo do empobrecimento!
A primeira conseqüência desse desastre na condução
da economia, não poderia ser outro senão o aumento
do desemprego, que agora subiu para 11,7% da população
economicamente ativa do país.
Tal encolhimento do “PIB” por habitante, vale lembrar,
praticamente não afeta os integrantes das “oligarquias
dominantes”, muito até pelo contrário. Todavia,
prejudicam em dobro os mais pobres, mormente as vítimas
do desemprego crônico.
De pouco adiantam, pois, os sucessivos depoimentos de dirigentes
atuais tentando animar a população com uma pretensa
reversão de expectativas na economia, com base no desempenho
dos últimos três meses do ano passado. A leitura
consciente das estatísticas desmente quaisquer afirmativas
enganosas.
Pior do que tentar iludir a população com essa idéia
de “virada” na economia, é aquele expediente
da lançar a culpa na “herança maldita”
recebida do governo passado.
Ainda eufóricos com a conquista do poder, os adoradores
da “estrela vermelha” esquecem-se da verdadeira razão
do seu sucesso eleitoral, que não foi outra senão
a rejeição dos eleitores à funesta administração
anterior, comparável a um furacão que “destelhou”
todos os segmentos da economia nacional, submetendo os brasileiros
ao regime de trabalho escravo.
Por acaso não é escravidão trabalhar duro,
o ano inteiro, somente para pagar juros de dívidas mal
contraídas?
Os “companheiros” que integram a atual administração
deveriam, sim , estar recitando o “mea culpa” por
não terem correspondido às expectativas dos eleitores
que neles votaram, na maioria dos casos apenas movidos pelo desejo
de expulsar do governo os “vendilhões da pátria”.
Dando continuidade à receita prescrita pelo “Império”,
só poderia dar no que deu: recessão!
Então senhores governantes, os brasileiros em geral, tanto
os seus mais fanáticos correligionários, quanto
os que não admiram outra coloração político-ideológica
senão a verde-amarela, só almejam que sobre um pouco
de intrepidez para executar uma inversão de rumo na condução
dos negócios do Estado.
Se o “Império” deseja ampliar a política
de “portas abertas” no continente, passem o cadeado,
o quanto antes, no nosso compartimento econômico, que está
soçobrando.
Até a cerveja e o guaraná estão “virando
a casaca”!
Se o pagamento dos juros e das parcelas das dívidas, interna
e externa, está tolhendo o progresso do país e a
sobrevivência do povo brasileiro, que sejam suspensos esses
pagamentos, pelo menos por período suficiente para recolocar
o país em marcha adiante.
Afinal, não é possível assistir, de braços
cruzados, ao extermínio de uma população
e ao aborto de uma civilização nascente.
Abram mão, pois, do sectarismo excludente, das nomeações
negligentes e da politicagem incoerente, formem uma equipe bem
disposta e arregacem as mangas para colocar, enfim, as turbinas
do país em movimento acelerado.
Afinal, não se faz necessário tanto brilhantismo
quando se trata de impulsionar um país com o invejável
título de “campeão mundial dos recursos naturais”.
Tudo pela Pátria!
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