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O autor é Professor de Economia.
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Fonte IBGE
Base: Ano de 2003

Contas Nacionais Trimestrais


Ricardo Bergamini

O Produto Interno Bruto apresentou, em 2003, variação negativa de 0,2% em relação ao ano anterior, como resultado da manutenção no mesmo patamar de 2002 do Valor Adicionado a preços básicos e da queda de 1,7% nos Impostos sobre Produtos. O PIB per capita, em volume, apresentou queda de 1,5% em 2003.

No último trimestre de 2003, o PIB apresentou queda de 0,1% em relação ao mesmo trimestre de 2002 e crescimento de 1,5% em relação ao trimestre anterior na série com ajuste sazonal.

Na variação anual, de -0,2%, o declínio no volume dos impostos sobre produtos (-1,7%) reflete o comportamento dos setores sobre os quais há uma maior incidência de impostos, como por exemplo: Produtos Minerais Não Metálicos; Produtos Farmacêuticos e de Perfumaria, Artigos de Plástico, Artigos do Vestuário e Bebidas, cujas quedas foram superiores à média. Além das respectivas quedas de 1,4% e 2,3% em volume dos dois principais impostos sobre produtos, ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), o volume de impostos associado às importações também apresentou declínio, de 5,6%, em razão do declínio nas importações de bens e serviços, em 2003.

De acordo com a estimativa de crescimento populacional do IBGE, que foi de 1,3% em 2003, o PIB per capita em volume apresentou queda de 1,5% no ano. Nos últimos 10 anos (1994 a 2003), o crescimento médio real anual do PIB foi de 2,4%, enquanto o crescimento médio real anual do PIB per capita, para o mesmo período, foi de 1,0%.

Em 2003, Agropecuária cresce 5,0%

O resultado do Valor Adicionado de 2003 decorre do desempenho dos três setores que o compõem: Agropecuária (5,0%), Indústria (-1,0) e Serviços (-0,1%).
Dentre os subsetores da Indústria, Construção Civil foi o único que apresentou queda (-8,6%). Os demais subsetores Extrativa Mineral, Serviços Industriais de Utilidade Pública e Transformação apresentaram crescimentos de 2,8%, 1,9% e 0,7%, respectivamente. Já no setor de Serviços, foram registradas quedas no Comércio (-2,6%), nos Transportes (-0,8%) e em Outros Serviços (-0,5%).

Considerando os resultados pela ótica da demanda, no ano de 2003, o Consumo das Famílias declinou 3,3% e a Formação Bruta de Capital Fixo apresentou queda de 6,6%. Por outro lado, o Consumo do Governo cresceu 0,6%. Já no âmbito do setor externo, os componentes Exportações de Bens e Serviços e Importações de Bens e Serviços apresentaram desempenho favorável, com variações de 14,2% e – 1,9%, respectivamente. Essas taxas de variação são resultantes, no caso das Exportações, dos crescimentos de 14,8% das vendas externas de bens e de 10,9% nas de serviços e, no caso das Importações, da queda de 4,7% nas compras externas de bens e do aumento de 8,7% nos serviços.

O PIB a preços de mercado, levando-se em consideração a série com ajuste sazonal, apresentou variação positiva de 1,5% entre o quarto e o terceiro trimestre de 2003. Nessa comparação, a Agropecuária apresentou elevação de 7,3%, a Indústria registrou um aumento de 1,2% e os Serviços apresentaram variação de 0,8%.

Um dos fatores que permitem compreender a taxa calculada para a Agropecuária é sua base de comparação deprimida no terceiro trimestre, que refletiu a entrada na safra de produtos que apresentaram taxas negativas, como o café, cuja produção declinou 20% neste ano. Além disso, os produtos que têm safra no quarto trimestre, como a cana de açúcar tiveram aumento na sua produção.

Em relação aos componentes da demanda, a Formação Bruta de Capital Fixo mostrou crescimento de 4,0%, mantendo a tendência iniciada no terceiro trimestre de 2003, após um primeiro semestre com quedas superiores à 4,5%. O mesmo ocorreu, com menor intensidade, no Consumo das Famílias, que apresentou uma taxa positiva de 1,6% no quarto trimestre em relação ao terceiro. O Consumo do Governo registrou uma variação positiva de 0,1%. As Exportações de Bens e Serviços aumentaram 5,5% e as Importações de Bens e Serviços 8,3%.Gráfico I.1 - PIB e setores (com ajuste sazonal)

Impostos sobre Produtos uma variação de 0,3%.
Em relação aos setores que contribuem para a geração do Valor Adicionado, nessa comparação, a Agropecuária apresentou uma taxa positiva de 4,8%, a Indústria registrou uma queda de 1,7% e os Serviços uma variação de 0,3%.

A taxa da Agropecuária pode ser explicada pelo desempenho positivo de alguns produtos cujas safras são relevantes neste trimestre, como é o caso, por exemplo, do trigo e da cana de açúcar que, segundo a estimativa de safra feita pelo IBGE (LSPA), tiveram aumentos de produção de 101,6% e 7,2%, respectivamente.

Na Indústria, o pior desempenho continuou sendo o da Construção Civil (-11.1%), fato que, com exceção do último trimestre de 2002, vem ocorrendo desde o segundo trimestre de 2001. Por outro lado, todos os outros setores registraram taxas positivas: Extrativa Mineral (4,8%), Indústria de Transformação (0,4%) e Serviços Industriais de Utilidade Pública (0,1%). Vale notar que a Indústria totalizou uma taxa negativa pois a queda da Construção Civil, setor que pesa cerca de 21% dentro do total, foi bem superior.
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