Ricardo
Bergamini
A agroindústria em 2003 registrou crescimento de 1,6%,
enquanto a taxa obtida pela média da indústria nacional
foi de 0,3% no mesmo período. Nos últimos três
anos (2003/2000) para um crescimento industrial de 4,5%, a agroindústria
avançou 13,3%.
Em
2003, pelo terceiro ano consecutivo, a taxa de crescimento da
agroindústria supera a da indústria em geral, indicando
que os setores industriais identificados com a agroindústria
mostraram maior dinamismo que a produção industrial
como um todo. O resultado confirma o impacto positivo originado
do agronegócio, principalmente o de exportação,
sobre a atividade industrial.
A
evolução dos índices em bases trimestrais
mostra um ganho de dinamismo no ritmo da atividade da agroindústria
no quarto trimestre do ano. Após um crescimento de 3,2%
no primeiro trimestre, a agroindústria se manteve estável
no segundo trimestre (0,0%), registrou ligeira expansão
no período julho-setembro (0,5%), até alcançar
3,5% de crescimento no quarto trimestre de 2003.
Nos
dois últimos anos, o total da agricultura tem tido desempenho
acima do total da pecuária, alterando um quadro que se
verificou permanentemente por 13 anos, de 1988 a 2001. Em 2003,
os setores associados à lavoura apontaram 2,2% de crescimento,
desempenho bem superior ao dos setores associados à pecuária
(-1,2%). Esse resultado da pecuária é o primeiro
negativo dos últimos cinco anos.
O
bom desempenho da agroindústria em 2003 pode ser atribuído
ao expressivo crescimento de produtos industriais utilizados pela
agricultura (17,2%), com destaque para o segmento de máquinas
e equipamentos (24,4%), que vem apresentando taxas de crescimento
bastante elevadas nos últimos três anos. O câmbio
mais favorável, combinado com os esforços de abertura
de novos mercados, e a adoção de programas de estímulo
à renovação das frotas (Moderfrota-BNDES)
estimularam o crescimento tanto das vendas internas, quanto das
exportações.
O
grupo dos produtos industriais derivados da agricultura teve retração
de 1,7% em 2003.
Somente
os produtos derivados de cana-de-açúcar (8,8%),
milho (7,9%) e trigo (0,2%) pressionaram positivamente, mas sem
conseguir reverter o resultado geral negativo para a lavoura.
O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola
(LSPA) revelou que o aumento da produção de cana-de-açúcar
refletiu, em grande parte, as excelentes cotações
dos seus principais derivados, o açúcar e o álcool,
no período de intenção de plantio, e o acordo
firmado entre o governo federal e o setor produtivo para antecipar
a produção de álcool, a fim de garantir o
abastecimento interno do produto. Já o aumento na produção
de milho está vinculado às condições
extremamente favoráveis à comercialização,
como o baixo nível dos estoques mundial e doméstico,
a alta das cotações internacionais e o câmbio
favorável, além das ótimas condições
climáticas verificadas nas duas safras.
Em
direção oposta, e com os impactos predominantes,
houve retração nos produtos industriais derivados
de soja (-1,7%), café (-11,5%), cacau (-3,2%), algodão
(-5,7%), laranja (-25,4%), arroz (- 6,3%) e fumo (-10,2%). A magnitude
da queda na laranja foi provocada por fatores climáticos
que resultaram no adiamento da safra. O crescimento de 17,2% alcançado
pelo setor de produtos industriais utilizados pela agricultura,
em 2003, deve ser creditado, principalmente, ao segmento de máquinas
e equipamentos agrícolas (24,2%), que volta a apresentar
grande dinamismo. Para dar uma idéia desse dinamismo, basta
observar que, entre 1999 e 2003, registra-se um crescimento acumulado
de 106,5% neste setor.
Também
merece destaque o desempenho de adubos e fertilizantes, que registrou
crescimento de 10,9%. O expressivo aumento na produção
de máquinas e equipamentos agrícolas nos últimos
anos tem sido impulsionado pelo crescimento da produção
agrícola, pela oferta de crédito a juros baixos
do programa de modernização da agricultura e pelo
aumento das exportações de alimentos. Produtos industriais
derivados da pecuária se mantém praticamente estável.
Em 2003, o setor de produtos industriais derivados da pecuária
se manteve praticamente estável (0,1%), completando assim
o sexto ano consecutivo de taxas positivas. O pequeno crescimento
de 2003 reflete desempenhos diferenciados entre os segmentos.
O grupo de derivados de bovinos (9,9%), cujo segmento é
o de maior peso entre os derivados da pecuária, teve seu
maior crescimento desde o início desta série, em
1992, beneficiado pelas exportações. O grupo de
derivados de suínos (-11,0%) teve o pior desempenho da
série iniciada em 1992, assim como o grupo de derivados
de aves (-1,6%), que registrou o primeiro resultado negativo da
série histórica. A redução da demanda
interna provavelmente contribuiu para o índice negativo
deste último grupo. Os derivados de leite e de miúdos
também tiveram retração, respectivamente,
de -2,0% e -3,0%.
Produtos
industriais utilizados pela pecuária tem redução
de 4,7%
O
setor de produtos industriais utilizados pela pecuária
não repetiu o comportamento positivo dos últimos
anos e apresentou o pior desempenho da série (-4,7%), após
cinco anos consecutivos de crescimento, período em que
acumulou expansão de 40,4%. O resultado de -4,7% é
decorrente da queda na produção de soros e vacinas
(-18,1%) e de rações (-1,0%).
Nota: Estudo completo disponível aos leitores. Basta Solicitar.