Ricardo
Bergamini
Dos 3,5 milhões de bebês que nasceram em 2002, 800
mil não tiraram sua certidão de nascimento no prazo
legal. É o que revela a pesquisa Estatísticas do
Registro Civil, do IBGE, que analisa informações
fornecidas pelos cartórios e varas de família de
todo o país sobre nascimentos, óbitos, casamentos
e separações. O estudo também mostra que
aumentou levemente o número de partos na adolescência,
enquanto as mulheres mais velhas têm cada vez menos filhos.
Revela, ainda, que o percentual de óbitos violentos cresceu
em relação à década de 1990. Quanto
aos casamentos, sinaliza que as uniões formais vêm
perdendo espaço para as uniões informais no país.
Entre
os dados de nascimentos, chama atenção o alto número
de crianças que nasceram e não foram registradas
em 2002. Segundo estimativa feita pelo IBGE, nasceram 3,5 milhões
de crianças em 2002. Os cartórios, no entanto, informam
que foram registradas apenas 2,7 milhões. Ou seja, 800
mil crianças não tiraram certidão de nascimento
no prazo legal de até 90 dias depois do nascimento.
O
sub-registro apresentou ligeira queda a partir de 1999. No início
da década de 1990, ele chegava a 29,8%, e nos últimos
quatro anos, os valores oscilaram entre 20,9% e 25,6%. O menor
percentual ocorreu em 1999 (20,9%). Em 2002, a taxa ficou em 24,4%.
Parte
das crianças não registradas no ano em que nascem
obtêm o registro mais tarde. Em 2002, do total de registros,
29,9% foram de crianças nascidas em anos anteriores, o
que corresponde a 1,152 milhões de crianças. A maior
parte dos registros tardios é normalmente de crianças
nascidas no ano anterior. Em 2002, do total de registros tardios,
527.932 foram de nascidos em 2001. Outro pico é encontrado
a partir do sétimo ano de atraso, em função
do início da idade escolar obrigatória. Em 2002,
cerca de 200 mil registrados tinham mais de 7 anos de idade.
O
problema do registro tardio é mais intenso nas regiões
Norte e Nordeste do país. No Norte, 60,7% dos registros
feitos em 2002 foram tardios. No Nordeste, o percentual é
de 45%, em contraste com as regiões Sul (11,3%) e Sudeste
(9,0%). No Centro-Oeste o percentual é de 23,0%. Entre
os estados, a maior proporção foi encontrada no
Maranhão (71,1%) e a menor, em São Paulo (5,3%).
No
estudo dos nascimentos por idade da mãe, observa-se que
nas faixas etárias a partir dos 25 anos de idade, a fecundidade
vem caindo, enquanto os partos na adolescência (até
os 20 anos), aumentaram ligeiramente. Graças a esse fenômeno,
a participação das mães adolescentes no total
de nascimentos vem aumentando desde 1991, quando era de 16,38%,
e chegou a 20,75% em 2002. Entre as Grandes Regiões, a
Norte é a que apresenta o maior percentual de mães
adolescentes (25,59%) e a Sudeste, o menor (18,52%). Entre os
estados, o Tocantins é o que possui o mais alto percentual
(27,8%), enquanto o Distrito Federal fica com o mais baixo (17,5%).
No
estudo do registro de óbitos, destaca-se o aumento da proporção
de óbitos violentos. Em 1990, 14,17% dos óbitos
de homens registrados eram causados por homicídios, suicídios,
acidentes e outras causas externas. Em 2002, o percentual aumentou
para 16,31%. Entre as mortes de mulheres, a proporção
passou de 4,33% do total, em 1990, para 4,53% em 2002.
Todas
as Grandes Regiões, com exceção do Centro-Oeste,
apresentaram crescimento do percentual de mortes violentas no
total de óbitos masculinos. O Centro-Oeste, no entanto,
é a região que possui os mais altos percentuais
deste tipo de morte, e vem mantendo a taxa em torno de 20% desde
1990. Em seguida vêm as regiões Sudeste e Norte,
que tiveram, ambas, aumento de 15% para 17%, um crescimento relativo
de 16%, em relação a 1990. A Região Nordeste
apresentou o menor percentual em 2002 (13,44%), mas foi a que
teve o maior crescimento em relação a 1990 (18%).
Na Região Sul, com percentual de 15,34% em 2002, a variação
foi de 15% em relação a 1990.
Entre
as mulheres, o maior percentual de mortes violentas também
ocorre no Centro-Oeste (6,27%), mas já caiu 20% desde 1997.
Na região Sul as mortes violentas de mulheres tiveram o
maior crescimento, de 28%, passando de 4,47% para 5,74%. O segundo
maior crescimento, de 17%, ocorreu na Região Norte, onde
a taxa passou de 4,93% para 5,76%. No Sudeste, a taxa ficou praticamente
estável em torno de 4,3%, e no Nordeste, manteve-se em
torno de 3,6%.
As
mortes violentas afetam principalmente os jovens do sexo masculino.
Na faixa etária de 15 a 24 anos de idade, 70,67% das mortes
se devem a causas violentas. Em 1990, o percentual era de 60,25%.
O aumento foi, portanto, de 17% no período. Esse aumento
ocorreu em todas as regiões, mas foi maior na região
Sudeste, onde a taxa cresceu 25%, passando de 64% em 1990 para
79,6% em 2002.
A
taxa de nupcialidade caiu, no Brasil, durante toda a década
de 1990, e se estabilizou de 2001 para 2002. Em 1991 foram registradas
7,5 uniões legais por mil habitantes, e o número
caiu para 5,7 por mil em 2001 e 2002. A taxa considera apenas
a população em idade de casar, ou seja, com 15 anos
ou mais. Sua queda sinaliza que o casamento formal vem perdendo
força no país, cedendo espaço às uniões
informais.
O
número de casamentos registrados no ano, porém,
aumentou 1% em relação a 2001. Ainda assim, ficou
num patamar 4% inferior ao de 1991. O ligeiro crescimento em relação
a 2001 pode ser associado ao incentivo a cerimônias coletivas
promovidas por diversas prefeituras, em parceria com a Igreja
Católica, para legalizar uniões consensuais. Ao
longo da década de 1990, o número de casamentos
oscilou, atingindo o ápice em 1999, quando esse movimento
de legalização de uniões consensuais foi
ainda mais intenso que em 2002.
Analisando-se
o estado civil dos cônjuges, observa-se que a grande maioria
(87%) das novas uniões registradas ocorre entre pessoas
que se casam pela primeira vez, ou seja, têm o estado civil
de solteiras. O segundo tipo mais freqüente de casamento
é aquele em que apenas um dos cônjuges se casa pela
primeira vez (10,5%). Desse segundo tipo, a união entre
divorciados e solteiros é a mais freqüente, e representou
8,3% do total de casamentos em 2002. O recasamento de divorciados
passou de 5,3% do total, em 1991, para 10,8% em 2002.
No
recorte por idade, observa-se que 69% das uniões legais
ocorreram entre pessoas de até 29 anos de idade e apenas
10% ocorreram entre pessoas com mais de 39 anos. As mulheres se
casam, em média, com 26,7 anos, e os homens, com 30,3.
A média de idade ao casar aumentou em relação
a 1991, quando era de 27 anos para os homens e 23,7 para as mulheres.
É
dos 20 aos 24 anos que as mulheres se casam com maior freqüência.
A taxa de nupcialidade nessa faixa de idade é de 27,8 casamentos
por mil habitantes. Já a taxa de nupcialidade dos homens
tem seu pico na faixa dos 25 a 29 anos (27,8 por mil). As taxas
masculinas são sistematicamente mais altas que as femininas
a partir do grupo etário dos 25 a 29 anos. No grupo mais
idoso, de 65 anos e mais, os homens casam-se cerca de cinco vezes
mais do que as mulheres, eles com 3,4 casamentos por mil habitantes
e elas, com 0,6 por mil. Entre as uniões registradas em
2002, cerca de 12% dos cônjuges tinham menos de 20 anos
e e 2% tinham mais de 60 anos.
A
taxa de divórcios cresceu ligeiramente em relação
a 1991, quando era de 1,0 divórcio por mil habitantes,
mas tem se mantido estável em 1,2 por mil desde 1999. A
taxa de separações judiciais tem se mantido estável
em 0,9 por mil habitantes desde 1991 — a única exceção
foi o ano de 1993, quando subiu ligeiramente para 1,0 por mil.
Assim como a taxa de nupcialidade, as taxas de divórcios
e separações são calculadas sobre a população
de 15 anos ou mais.
Em
números absolutos, no entanto, o número de dissoluções
de uniões vem aumentando gradativamente. No período
de 1991 a 2002, o volume de separações subiu de
76.223 para 99.693, um aumento de 30,7%. Os divórcios subiram
de 81.128 para 129.520, um crescimento de 59,6%.
Assim
como ocorreu em relação aos casamentos, a média
de idade das pessoas ao se separarem aumentou, em média,
em torno de dois anos, entre 1991 e 2002. A média de idade
nos casos de divórcio (40,7 anos para os homens e 38,0
para as mulheres) é mais alta do que nos casos de separação
judicial (37,7 para os homens e 35 para as mulheres). Isso pode
ser explicado pelo fato que a lei exige ao menos um ano de separação
judicial ou dois anos de separação de fato para
que o processo de divórcio possa ser iniciado.
A
grande maioria das dissoluções é consensual,
correspondendo a 79% das separações judiciais e
70% dos divórcios em 2002. Nos casos de separação
judicial não-consensual, a requerente é na maior
parte das vezes a mulher (75,3%).
Nos
casos de divórcio não-consensual, as mulheres também
são maioria (55%), mas em menor proporção.
A proporção de casais com filhos menores de idade
foi mais alta nas separações judiciais (73,1%) que
nos divórcios (58,4%). A guarda dos filhos fica, na maior
parte dos casos, com a mãe (91,8% nas separações
e 89,7% nos divórcios).
O
pai fica com a guarda em 4,8% das separações e 5,8%
dos divórcios. A guarda compartilhada corresponde a apenas
2,6% das separações e 2,7% dos divórcios.
Nota: Estudo completo disponível aos leitores. Basta solicitar.