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Ricardo
Bergamini
Na Inglaterra, o absolutismo foi exercido pelos Túdor (1485-1603):
Henrique VII, Henrique VIII, Eduardo VI, Maria Tudor e Isabel. Não
foi, porém (na opinião de alguns autores), um absolutismo
completo, tão despótico e arbitrário, por exemplo,
como o da Espanha de Felipe II. Os mais célebres dos Túdor
– Henrique VIII (1509-1547) e Isabel (1558-1603) – “ganharam
grande parte do seu poder mantendo astutamente a aparência
de governo popular”.
Isabel morre sem deixar herdeiros e sobem ao trono os Stuart, a
última dinastia absolutista da Inglaterra. O primeiro monarca
Stuart foi Jaime I (1603-1625), também rei da Escócia.
Perseguiu, não somente os católicos, como também
os puritanos, provocando a emigração de muitos destes
para a costa oriental da América do Norte, onde fundaram
colônias inglesas (futuros núcleos iniciais dos Estados
Unidos).
Carlos I, filho e sucessor de Jaime I, subiu ao trono em 1625. Foi
um monarca despótico. Em 1628, o Parlamento forçou-o
a assinar a “Petição de Direitos”, reafirmação
e extensão dos direitos da nação inglesa, obtidos
desde a Carta Magna.
Em 1642, Carlos I rompe com o Parlamento. Começa a guerra
civil, na qual se destaca o puritano Oliver Cromwell, que assume
o comando das forças parlamentares e se revela excelente
militar. O rei alia-se aos irlandeses católicos. O Parlamento
associa-se aos escoceses presbiterianos. Apesar dos êxitos
iniciais, o rei é derrotado e se refugia entre os escoceses,
que o entregam aos ingleses (por elevada soma de dinheiro), em 1646.
Com a captura do rei termina a guerra civil.
O Parlamento aboliu, então, a monarquia e a Câmara
Alta (dos Lordes) – e estabeleceu a República, sob
o nome de “Commonwealth” (Comunidade e Estado-Livre),
em março de 1649. Em 1653 Cromwell dissolve o Parlamento
e se torna ditador, com o título de “Lorde Protetor”
da Inglaterra, Escócia e Irlanda, com o direito de nomear
o seu sucessor. Cromwell morreu em 1658. Sucedeu-lhe o filho Ricardo,
moço de bons propósitos, mas inexperiente e tímido,
que abdicou após oito meses de governo. Um novo Parlamento
convidou o príncipe Carlos II (filho de Carlos I) a voltar
à Inglaterra e assumir o poder real.
Em 1679 vota-se uma das mais importantes leis da história
inglesa: O Habeas Corpus Act. O Habeas Corpus significou a garantia
da liberdade individual: ninguém poderia ser privado da sua
liberdade arbitrariamente, por capricho do rei ou de qualquer outro
funcionário.
A Carlos II sucede (1685) o irmão Jaime II, católico
declarado, que tornou mais insolente ainda a política real.
Uma lei do Parlamento determinava que todos os funcionários
públicos pertencessem à igreja anglicana. Temendo
a volta ao catolicismo e ao absolutismo, whigs e tories, de comum
acordo, “convidaram” o príncipe Guilherme de
Orange e sua esposa Maria (filha mais velha de Jaime II) a invadirem
a Inglaterra e deporem o rei, “a fim de restabelecerem a liberdade
e protegerem a religião protestante”. Guilherme desembarca
com um pequeno exército (14 mil homens), marcha sobre Londres
e ocupa-a (1688), sem disparar um só tiro. Jaime foge e se
refugia na França, sob o amparo de Luís XIV. O Parlamento
declara vago o trono e o oferece a Guilherme e Maria. Antes, porém
os futuros soberanos se comprometeram a respeitar os direitos do
povo. O Parlamento redige a “Declaração de Direitos”,
sinopse das liberdades já reconhecidas por monarcas anteriores.
Conhecida como a Revolução Gloriosa (1688-1689).
A “Declaração de Direitos” foi lida solenemente,
a 13 de fevereiro de 1689, na presença de todo o Parlamento
e dos futuros reis. No mesmo ano foi assinada a “Lei de Tolerância”
concedendo liberdade religiosa a todos os protestantes. Não
houve permissão de culto para os católicos, judeus
e livre-pensadores.
A Revolução Gloriosa (1688-1689) influiu poderosamente
nas revoluções da América (1774) e da França
(1789). Inspirou os adversários do absolutismo, no mundo
inteiro. Nela abeberaram-se Montesquieu, Voltaire, Jefferson, Paine
e tantos outros idealistas, teóricos e revolucionários.
Grande parte da “Declaração de Direitos”
foi incluída nas primeiras dez emendas da Constituição
Americana e na “Declaração dos Direitos do Homem”
(Revolução Francesa, em 1789)
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