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Irm Marcos Coimbra *
Artigo escrito em 3 de novembro de 2010
para o M.M Artigo
mcoimbra@antares.com.br
www.brasilsoberano.com.br
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É inevitável analisarmos os resultados das eleições realizadas em outubro, com suas causas e conseqüências.
Identificamos dois evidentes vencedores. Lula e Aécio lograram garantir as vitórias de seus respectivos candidatos, Dilma e Anastasia, ambos bastante semelhantes. Desprovidos de carisma, tecnoburocratas, jejunos de participação em eleições, na qualidade de candidatos, foram “eleitos” por seus padrinhos. Não o seriam, de outra maneira. Com a agravante, no caso da candidata petista, devido à inqualificável atitude do primeiro mandatário do país, o qual abandonou, na prática, o exercício de sua função primordial para transformar-se no principal cabo eleitoral de sua escolhida em um “dedazo” digno do PRI mexicano, em tempos passados. Fez campanha por dois anos, ao arrepio da legislação eleitoral em vigor, afrontando abertamente a Justiça Eleitoral. Esta se limitou a multá-lo, por algumas vezes, provocando o inevitável deboche do transgressor, estimulando-o assim a persistir no malfeito.
A leitura deste fato é clara. Por que Lula teria escolhido Dilma, possuindo figuras muito mais bem preparadas e com tradição histórica no próprio PT, apesar do afastamento prematuro de dois dos principais candidatos, Dirceu e Palocci, em função dos escândalos havidos? A conclusão é lógica. A vitória de Dilma representa o terceiro mandato de Lula, de fato. O objetivo dele é possuir uma técnica de confiança, no exercício do cargo, capaz de permitir-lhe o comando nos bastidores do processo, a fim de voltar a ser candidato em 2014, reeleito em 2018, para garantir a permanência petista no poder por 20 anos. Era o sonho de Collor e também de FHC, frustrados. Com uma vantagem adicional. Caso Dilma realize um mau governo, ele passará para a oposição, rompendo com ela, sendo assim eleito em nome dos oito anos de “bonança”.
Só existe um complicador. Na hipótese de ela ser muito bem sucedida, poderá pleitear a reeleição e então o sonho será transformado em pesadelo. Tudo poderá acontecer. Aliás, é quase regra a criatura voltar-se contra o criador e conhecendo-se o perfil autoritário e a história de vida de Dilma, é bastante provável sua ocorrência. E ela tem um grau de comprometimento maior com setores que não estão no poder diretamente e podem ocupar cargos estratégicos em sua administração, bem como não possui o “jogo de cintura” de seu padrinho. Pelo contrário, é conhecida pelo tom duro adotado em relação aos demais, em especial para com seus subordinados, repreendendo alguns de forma a levá-los a chorar.
Quanto aos derrotados, além do Brasil, como citado em artigo anterior neste espaço (cerca de 37 milhões de eleitores não votaram nos dois candidatos), existem muitas figuras políticas de relevo. Na “oposição”, além de Serra, Marco Maciel, Tasso Jereissati, Virgílio, Heráclito Fortes, Roriz, Yeda Crusius, César Maia e outros menos votados. Na área cinzenta, Garotinho, em uma situação singular. Barrado, na prática, pelo TRE-RJ em sua pretensão de ser candidato a governador, o que possivelmente evitaria a vitória de Sérgio Cabral no primeiro turno, pôde ser candidato a deputado federal. Tendo sido o mais votado no Estado do Rio, ainda permanece em situação indefinida, aguardando uma decisão da Justiça Eleitoral. Não por coincidência, Dilma perdeu as eleições em sua área de influência no Rio de Janeiro. Ele sabe que foi traído e deu o troco. Caso perca no tribunal, bem como outros eleitos em todo o país (Tiririca etc.), isto afetará o tamanho das bancadas dos partidos no Congresso. E Costa Neto teve sua candidatura validada pela Justiça. É incompreensível!
Por oportuno, convém salientar nossa perplexidade diante da falta de decisão, em tempo hábil, da nossa Justiça, em particular a Eleitoral, deixando sem solução tantos problemas até a data de hoje. Outra constatação é quanto à parcialidade da aplicação da denominada Lei da Ficha Limpa. “Por coincidência”, ela tem afetado mais os candidatos não governistas. Outro atingido na mesma área foi o Senador Jader Barbalho, o qual também não apoiou a candidata petista no Pará, Ana Júlia Canepa, fragorosamente derrotada. Quantos governadores e senadores da base governista foram eleitos, em virtude destas interpretações? Se a Lei fosse aplicada para valer, pelo menos os 300 “picaretas” citados pelo presidente Lula teriam sido impedidos ou cassados. Os três ex-governadores cassados nos últimos três anos (Cunha Lima, Arruda e Jackson Lago) eram da oposição. E Cunha Lima foi o candidato mais votado a senador na Paraíba. No Amapá, os dois mais bem colocados nas pesquisas também foram afastados e acabou sendo vencedor o quarto colocado.
E existem também os grandes derrotados na base governista. O principal é sem dúvida, Ciro Gomes, que foi jogado fora de maneira cruel. De forte candidato à presidência, foi transferido para São Paulo e ficou sem mandato. Seu horizonte é a prefeitura de Fortaleza em 2012. Outro abatido foi Mercadante, que foi para o sacrifício em SP e terminou também sem mandato. Deverá obter finalmente um ministério ou uma presidência/diretoria de estatal como compensação. Deverá ocorrer o mesmo com Fernando Pimentel, Patrus,Genuíno, Ideli Salvati e outros.
E para o país sair da difícil situação a ser enfrentada nos próximos anos? É urgente que surja um partido verdadeiramente de oposição, com propostas concretas, figuras respeitáveis, capazes de apresentar sugestões de políticas e estratégias adequadas a vencer os enormes desafios das próximas décadas. Dotado de cidadãos íntegros, cultos, nacionalistas e corajosos, sob pena de perdermos a grande oportunidade apresentada de construção de um Brasil próspero, com Soberania e Justiça Social.
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