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Irm Marcos Coimbra *
Artigo escrito em 5 de outubro de 2010
para o M.M Artigo
mcoimbra@antares.com.br
www.brasilsoberano.com.br
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O título deste artigo está inspirado no festejado livro do escritor Gabriel Garcia Márquez. Denunciamos neste espaço por diversas vezes, em especial nas últimas edições, a falta de confiabilidade e a precariedade das pesquisas divulgadas pelos institutos especializados. Não deu outra.
Os resultados das eleições do dia 03.10 voltam a mostrar os fatos. O Datafolha, justamente qualificado por nós, como o mais confiável deles, foi o único a apresentar a possibilidade, na margem do erro, do 2º turno. Os demais garantiam a vitória de Dilma no primeiro turno, com destaque negativo para o Vox Populi. A propósito, esclarecemos que o dono deste instituto não possui qualquer parentesco com este escriba. É uma questão de homonímia, apesar de o sociólogo possuir o nome completo de Marcos Antonio Estelista Lins de Sálvio Coimbra, assinando, porém, somente Marcos Coimbra. Ele chegou a escrever um artigo às vésperas do pleito afirmando categoricamente a vitória de Dilma no 1º turno.
Emblemático foi o episódio ocorrido no Paraná, quando o governador eleito Beto Richa conseguiu impedir a divulgação das pesquisas relativas às eleições para o governo do Paraná, alegando e provando falhas técnicas no processo, que convenceram o TRE daquele Estado a manter sua proibição. Foi muito atacado, mas agora se verifica que tinha razão. O grande problema é o fato de que os eleitores menos esclarecidos são mais influenciáveis por estes resultados, mudando sua posição para o apoio aos candidatos apontados como favoritos. Assim, o que era para ser aferição da tendência do eleitorado passa a funcionar como indutor de voto, tornando realidade, de uma maneira forçada, aquilo que não havia.
Uma análise ligeira dos resultados mostra cabalmente que nem sempre o “efeito manada” funciona. A máquina pública utilizada indevidamente, ao arrepio da lei, nos três níveis de administração (federal, estadual e municipal) apresentou resultados díspares. Funcionou no Rio de Janeiro, Pernambuco, Bahia, Sergipe e outros estados. Não funcionou nas eleições para presidente. Em outros, parcialmente, como no Pará e Rio Grande do Sul. Acontecimento marcante foi a incompetência da Justiça, em especial a Eleitoral, que, inexplicavelmente, não cumpriu sua missão. De início, ao não coibir a agressiva e prematura campanha eleitoral desencadeada há dois anos por Lula, com ampla utilização da máquina pública. A seguir, por não ter decidido, até agora, a questão dos candidatos denominados de “fichas-sujas”, tornando os resultados indefinidos. Em seguida, com a confusão ocorrida com o fato de declarar inconstitucional a lei aprovada, sem contestação, até as vésperas das eleições, relativa aos documentos necessários para o eleitor exercer seu direito, tornando, na prática, inócuo o título eleitoral.
Mais um dado relevante é representado pela vitória em 1º turno, dos candidatos do PSDB nos dois maiores estados da Federação, em número de eleitores. Outro, o número de votos da candidata Marina, a qual alcançou o dobro do apontado nas pesquisas eleitorais Mais um, o fato de Serra ter obtido a vitória em nove dos dez municípios com os maiores Índices de Desenvolvimento Humano, perdendo para Dilma justamente em nove dos dez piores.
A questão de a base governista ter obtido a maioria qualificada tanto no Senado como na Câmara, facilitando possíveis alterações constitucionais, também é discutível. Isto porque existem vários parlamentares independentes, capazes até de votar com o governo em casos simples. Porém, não aceitam mudanças possíveis de prejudicarem a evolução do processo democrático, como são exemplos no PMDB, os senadores Pedro Simon, Luiz Henrique, Jarbas Vasconcelos, Casildo Maldaner e outros. No PP, a senadora Ana Amélia Lemos etc.
Quanto à previsão para o 2º turno, encontramos uma corrente que defende a tese de ser uma nova eleição, onde tudo pode acontecer. Outra afirma o contrário, acreditando que Dilma apenas adiou por 30 dias a vitória. Pesquisas divulgadas pela Internet sobre a tendência de voto dos eleitores de Marina apontam para o seguinte: 50% ficariam com Serra, 30% com Dilma e 20% indecisos. Se isto ocorrer, Dilma ganharia com cerca de 52%, sobre Serra com 43%, diferença de 9%, com 5% de indecisos, considerando-se o resultado do dia 03 de outubro. Todavia, é importante ainda realçar que mais de 35 milhões de eleitores se abstiveram, votaram em branco ou anularam seus votos, existindo assim mais de 27,5% do universo a ser explorado.
Preferimos então ficar com outra visão. A resposta não é só matemática. Vários fatores novos surgirão. O confronto direto entre apenas os dois candidatos, sem a proteção dos “marqueteiros” exigirá um aprofundamento das propostas sobre os grandes temas nacionais e um debate mais franco, permitindo a comparação direta entre os postulantes. Tempos iguais propiciarão a igualdade de oportunidades. O eleitor poderá verificar a qualidade e o preparo real de cada um. Poderá haver ou não o apoio explícito de Marina a um deles. A Justiça poderá impedir ou não o descalabro de Lula em utilizar o cargo de presidente da República para liderar a campanha de Dilma. Os recursos dos grandes financiadores de campanha tendem a ficar mais equitativos. Os governadores e senadores eleitos poderão apoiar mais tranqüila e efetivamente os candidatos. Enfim, são muitas variáveis novas.
Contudo, para Serra ter chance real de ganhar, ele terá que assumir uma verdadeira postura de candidato de oposição, vibrante, aguerrido, com mais emoção. Precisará mudar radicalmente o rumo de sua campanha, ouvindo os líderes mais experientes dos partidos de sua base de apoio. Terá que ter a coragem de mostrar a fraqueza de sua oponente, além de apontar o lado negativo e quase oculto até aqui da administração petista.
Conscientizar o povo brasileiro do risco corrido com a possibilidade de implantação de um regime ditatorial tipo chavista no Brasil. Assumir o compromisso formal de não incidir nos mesmos erros da administração FHC. E, principalmente, apresentar pelo menos o embrião de um Projeto Nacional de Desenvolvimento, com o objetivo de consecução dos Objetivos Nacionais Brasileiros |