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Irm Marcos Coimbra *
Artigo escrito em 28 de setembro de 2010
para o M.M Artigo
mcoimbra@antares.com.br
www.brasilsoberano.com.br
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O Datafolha publicou o relatório da pesquisa feita na segunda-feira, dia 27.09. Eis as mudanças mais interessantes: 1) Marina Silva (PV) cresceu 6 pontos no eleitorado de nível superior e empatou com Dilma Rousseff (PT), que caiu 7. Tecnicamente, os três estão empatados: José Serra (PSDB) tem 34%, Marina chegou a 30% e Dilma caiu para 28%; 2) A queda de Dilma ocorreu em todos os segmentos de escolaridade e renda, o que indica um refluxo da onda vermelha. Uma variação negativa de 2 pontos no eleitorado que estudou até o ensino fundamental tem um peso maior do que de 7 no nível superior.
Está dentro da margem de erro, mas a consistência do movimento em todos os estratos sugere uma queda de fato; 3) Serra caiu 4 pontos no segmento que ganha de 5 a 10 salários mínimos (SM), e está tecnicamente empatado com Marina nesse eleitorado: Dilma tem 36%, Serra tem 30% e Marina tem 26%. Como o tucano ganhou 2 pontos no segmento anterior (renda de 2 a 5 SM) e 3 pontos no seguinte (+ de 10 SM), ficou estável na média geral.; 4) As mulheres foram as principais responsável pela queda de Dilma no Datafolha: menos 5 pontos. Se Dilma não se eleger no primeiro turno, será por causa do voto feminino. Ela tem 51% entre os homens (55% dos votos válidos masculinos) e 42% entre as mulheres (48% dos válidos femininos).
Em nosso entendimento, o instituto de pesquisas mais confiável, apesar dos pesares, é o Datafolha. Contudo persiste a tendência verificada em eleições passadas, quando todos os institutos inicialmente apresentam resultados exageradamente favoráveis ao candidato que paga a pesquisa ou lhe é simpático por outras razões, diminuindo progressivamente a diferença à medida que se aproxima a data do pleito. Nas vésperas então, como agora, a distância fica dentro da margem de erro e o resultado mais aproximado da realidade só ocorre com a chamada pesquisa de boca-de-urna, já autorizada pelo TSE para o pleito de 3 de outubro, a ser feito pelo Ibope/Globo, pois capta o “pós-voto”, com uma margem de erro de 2%.
Analisando estes dados, verifica-se a tendência declinante da candidata Dilma, o crescimento contínuo de Marina e a estabilidade de Serra. Parece que os impactos dos últimos escândalos começaram a influir no eleitorado, inicialmente nos segmentos mais escolarizados e de renda mais elevada, propagando-se para os demais. Desta forma é bastante provável a hipótese de ocorrer um 2º turno nas eleições para presidente da República, o que é uma necessidade vital para a sobrevivência da frágil “democracia” existente no país.
De início, porque é importante que os dois candidatos mais votados, no caso Dilma, com certeza, e Serra ou Marina, sejam compelidos a aprofundar o debate, apresentando suas propostas efetivas de enfrentamento dos grandes problemas nacionais, abordando com maior profundidade as soluções possíveis de implementação, o que não ocorreu até o momento. Não é possível que candidatos ao posto de primeiro mandatário de um país do porte do Brasil, com a pretensão de administrá-lo, apresentem tamanha pobreza de idéias, falta de preparo e insegurança teórico-doutrinária.
A seguir, a candidata Dilma precisa sair da cápsula protetora de Lula e mostrar quem é, o que pensa e o que, de fato, pretende. A propaganda “vende” uma imagem dela que não corresponde à realidade. É nítida a sua sensação de insegurança. Procura fugir dos debates. Quando participa, apesar de resguardada por regras draconianas impostas por sua assessoria, somente consegue se expressar consultando uma pilha de anotações, sofrendo para conseguir pronunciar uma frase com início, meio e fim. Atrapalha-se, gagueja, titubeia, enrola-se. Enfim, seu desempenho é lastimável. Sem experiência eleitoral, pois nunca em sua vida concorreu a um cargo eletivo, fica evidente seu despreparo para exercer funções de tal magnitude. Ainda mais, considerando-se a forma como foi escolhida. Um “dedaço” de Lula, no melhor estilo do PRI mexicano, com a clara intenção de continuar a mandar no país, através de sua preposta, com o objetivo de retornar em 2014, para comandar as Olimpíadas de 2016. Porém, a regra é a criatura voltar-se contra o criador, passando a não aceitar o papel secundário, de coadjuvante.
O Brasil vive um período especial. Mas as perspectivas para o ano vindouro não são tão alvissareiras. As dificuldades previstas na Economia Mundial fatalmente afetaram nossa conjuntura, surgindo a necessidade de um comando competente e de uma equipe preparada de alto nível para vencer os óbices existentes. Além disto, é de fundamental importância evitar a vitória de adeptos da “democracia chavista”, vivenciada na Venezuela e em outros países, quando foi implantada a absurda medida de o partido no poder obter menos da metade dos votos apurados e conquistar um maior número de cadeiras no Parlamento, graças a artifícios capazes de manipular os resultados das urnas. Assim, “como explicar que com uma diferença de cem mil votos a oposição tenha conseguido 37 deputados a menos que o oficialismo” de Chávez? No Brasil seria como privilegiar os resultados do Norte e do Nordeste, atribuindo-lhes um peso específico maior do que os do Sul/Sudeste, de acordo com circunscrições pré-determinadas. E o próprio Chávez já está interferindo nos assuntos internos do Brasil, ao decretar a vitória de Dilma, além de fazer a campanha da companheira “linha-dura”. O que é isto?
Impedir a obtenção da maioria no Congresso dos adeptos desta esdrúxula prática de valer-se das fragilidades do regime democrático para implantação de uma ditadura de fato é fundamental para a sobrevivência da liberdade no Brasil.Só existe democracia quando há um sistema de pesos e contrapesos entre os três Poderes da República. É premissa essencial a independência e autonomia do Legislativo e do Judiciário em relação ao Executivo, o que não existe no país atualmente e está a ponto de ser agravado nas próximas eleições. Está tudo errado! A começar pelo fato de Lula estar há mais de dois anos em campanha para eleger seus escolhidos, operando como cabo eleitoral ao invés de manter-se na postura de um presidente da República.Resistir é preciso! |