Samaúma
 


 






 


* O Irm Marcos Coimbra
é Conselheiro Diretor do CEBRES - Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos, Professor de Economia e Autor do livro Brasil Soberano

 

Correio eletrônico: mcoimbra@antares.com.br

Sítio:
www.brasilsoberano.com.br

 


 

 

 

Ameaças à democracia


 

 

 

 

Irm Marcos Coimbra *
Artigo escrito em 1º de setembro de 2010
para o M.M Artigo
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Em julho de 2006, publicamos neste espaço artigo intitulado "A caminho do partido único", onde abordamos os sérios riscos representados na atual conjuntura pela hegemonia dos petistas, agora transformados em "lulistas". As consequências poderão ser fatais para a sobrevivência da frágil "democracia", que dizem existir em nosso país.

Estivemos na apresentação feita pelo candidato Serra, na última sexta-feira, realizado no Clube de Aeronáutica para os associados e convidados dos Clubes Militares, com o objetivo de conhecer suas idéias, bem como seu comportamento e atitudes. Sem dúvida, fica evidente seu preparo para o exercício do cargo a que se candidata, em flagrante contraste com sua principal opositora, a quem também assistimos pessoalmente em comício em Brasília.
Enquanto ela demonstra falta de conteúdo, dificuldade de concatenação de idéias, bloqueio mental, inexperiência preocupante, contradições gritantes, atitudes passionais, ele possui um raciocínio articulado, conhecimento dos assuntos abordados e segurança na exposição. Ambos passam a impressão de serem arrogantes, autoritários, prepotentes e "donos da verdade". Não seriam os melhores candidatos, que deveriam ter sido escolhidos.

Contudo, o que mais chama a atenção é a falta de entusiasmo de Serra. Extremamente frio, parece "robotizado", sem alma, em sua exposição. Melhorou na etapa dos debates, mas, mesmo assim, apesar de instigado por excelentes perguntas feitas pelos presentes, a quem, a bem da verdade, procurou responder com precisão e gentileza, parece que não é candidato ao cargo mais importante da nossa República.

A impressão é a de que está ali para constar, como coadjuvante em um processo eleitoral, iniciado irregularmente há dois anos com o lançamento da candidata Dilma, sem qualquer ação corretiva por parte da Justiça Eleitoral. Sua participação parece objetivar a validação da farsa eleitoral de outubro.

Com o anúncio de Dilma no sentido de que acolherá os adversários, após sua vitória, poderá ser candidato a futuro ministro da Saúde. Seja no primeiro turno ou em segundo turno, ganhará quem for apoiado pelos atuais detentores do poder político.

O uso da máquina pública é avassalador. Até agora a campanha de Dilma arrecadou mais 70% de recursos do que a de Serra. O histórico de pleitos anteriores mostra que, em mais de 90% dos casos, ganha o candidato à reeleição. Afinal, o poder propiciado pelo exercício do cargo é incomensurável.

Foi um erro fatal a aprovação da possibilidade de reeleição aos ocupantes de cargos executivos para beneficiar FHC. Ele beneficiou-se, mas deixou a verdadeira "herança maldita". E o problema extrapolou, atingindo administrações estaduais e municipais. Exemplos gritantes são os do RJ, BA, PE etc.

Um administrador no exercício do cargo só perde uma reeleição se for muito incompetente (caso de Conde) ou caso haja um desastre (como o de Yeda Crusius). No caso específico, Dilma não é candidata à reeleição, mas Lula conseguiu "vender" a imagem de que ela será ele por quatro anos, guardando o lugar para sua volta.

O processo democrático exige a alternância no poder, premissa ignorada pelos totalitários que se fingem de democratas para poder satisfazer seus objetivos ditatoriais, como Chávez, Morales, Corrêa e tantos outros. O projeto de todos é de, no mínimo, 20 anos.

Foi assim com Collor, com o PSDB e está sendo com Lula. Ele pretende voltar em 2014, para ser reeleito em 2018, permanecendo na presidência até o bicentenário da independência. Serão exatos 20 anos, só aí, caso até lá não esteja implantada uma ditadura "chavista.

E o pior é que tudo isto está claro, transparente, anunciado publicamente. O antigo Núcleo de Estudos Estratégicos, precursor da atual Secretária de Assuntos Estratégicos (SAE), na época dirigido por Gushiken, apresentou em seu planejamento estratégico claramente a intenção de continuidade da atual administração até, no mínimo, 2022.

Existem apenas algumas observações sobre fatos que podem alterar este triste panorama. De início, a possibilidade de a criatura voltar-se contra o criador, fato corriqueiro na história. Dilma pode simplesmente não aceitar o comando de Lula, apesar dos condicionantes que este deixará como legado.

Pouco a pouco, ela poderá ganhar vida própria, procurando diminuir a influência dele. Aí tudo poderá acontecer. Dependerá ainda das suas condições de saúde.

Também é previsível um agravamento das condições econômico-financeiras do país, a partir de 2011. As bondades estão sendo feitas agora, antes do pleito. Exageros de toda ordem são cometidos para obtenção da vitória. As maldades ficarão para após as eleições, pois tudo tem um preço.

A conta terá que ser paga. Já se fala inclusive em reforma da previdência, na futura administração, que estaria pronta para ser implantada. Ora, toda vez que ocorre uma destas reformas, o trabalhador é prejudicado, mais uma vez.
O grande fator da popularidade de Lula é a situação ora favorável da economia brasileira, que foi beneficiada pela conjuntura internacional e reagiu bem à crise de 2008, apesar da adoção de medidas anticíclicas privilegiando gastos de custeio, permanentes, ao invés de contemplar estímulos temporários, em especial na infra-estrutura econômico-social.

Outro fato possível de ocorrer é a mudança de atitude do candidato Serra, a nosso ver de concretização pouco provável. Ele assumiria uma postura real de oposição, com a exposição dos erros e desmandos praticados pela atual administração, principalmente no relativo às grandes questões nacionais, como ameaças concretas aos Objetivos Nacionais Permanentes (ONP): Integridade do Patrimônio Nacional, Soberania, Paz Social, Integração Nacional, Progresso e Democracia. Assim, pelo menos, haveria um embrião de oposição formal ao atual estado de coisas.

O PT adota o centralismo democrático modelo cubano e sabe impor a sua vontade aos eventuais contestadores. Se este panorama for concretizado, com a continuação da "eleição eletrônica" nos viciados moldes atuais e com o controle da maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal, nomeados por Lula, haverá o surgimento de um rolo compressor avassalador, invencível, sem oposição.
Em paralelo com o crescente esvaziamento dos demais partidos, em virtude principalmente do fisiologismo, em pouco tempo, o PT não necessitará mais do apoio de outro partido. Será forte o suficiente para governar sozinho, como um partido único no Brasil, tipo o antigo PRI no México, com suas sublegendas (PMDB, PP, PR, PSB e até mesmo o PSDB).

Estarão criadas as condições para a implantação de um partido único, radical, perseguidor daqueles que discordem, conforme já está ocorrendo nas principais estatais brasileiras, permitindo-se a sobrevivência de alguns, apenas para afirmação da falácia de que vivemos em uma democracia, a exemplo do passado, com a Arena e o MDB.
Será que os ilustres dirigentes partidários de outros partidos não estão percebendo o perigo que estão correndo? A única saída é a união de todos, em torno de um projeto democrático, para evitar a ditadura de fato, enquanto é tempo. Na realidade, como na estória do ovo com o bacon, na sociedade entre os porcos e as galinhas, estão entrando com o bacon, enquanto o PT fornece os ovos.