Samaúma
 


 

 

 






 


* O Irm Marcos Coimbra
é Conselheiro Diretor do CEBRES - Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos, Professor de Economia e Autor do livro Brasil Soberano

 

 

 


 

 

 

VENCIDOS E VENCEDORES


 

 

 

 

Irm Marcos Coimbra *
Artigo escrito em 17 de agosto de 2010
para o M.M Artigo
Correio eletrônico:

mcoimbra@antares.com.br
Sítio:
www.brasilsoberano.com.br

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O Brasil está em ebulição com a eclosão da campanha eleitoral para presidente, governadores e deputados federais e estaduais. Está em plena vigência a possibilidade de recandidatura dos atuais detentores do poder executivo, sabiamente alcunhada de reeleição pelo povo, pois é muito difícil um governador no exercício do cargo, sem necessidade de pedir licença ou desincompatibilizar-se, com pleno domínio da máquina administrativa, perder a eleição. Seria muita incompetência. Recursos financeiros, escassos para os outros candidatos, são abundantes para os que estão no poder. As empreiteiras e fornecedoras dos órgãos estaduais são pródigas em concessão de doações aos atuais governadores ou seus candidatos, interessadas em ganhar licitações e concorrências milionárias, hoje e na expectativa do amanhã.

São ainda milhares de cargos em confiança, à disposição. Os comissionados sabem que perderão seus cargos, caso não apóiem a postulação do administrador em permanecer no cargo. E a legislação eleitoral é tão rígida que obriga qualquer servidor público a afastar-se do cargo, noventa dias antes do pleito, para evitar a possibilidade de utilização do cargo para influenciar eleitores. Com a vigência da emenda constitucional que permite a recandidatura, o presidente da República, os governadores e os prefeitos podem permanecer em seus cargos. E o limite que separa a atuação lícita do administrador e sua ação como candidato é tênue. E a justiça eleitoral fica em dúvida, pois ela aplica a lei formulada pelo Congresso que é, propositadamente, omissa. Na dúvida, quase tudo é permitido.

E a atuação da mídia também é altamente preconceituosa. Há ligações incestuosas entre proprietários de veículos de comunicação, bem como de editores, jornalistas e vários candidatos, em especial aqueles que estão no poder, com o privilégio de destinar verbas vultosas de propaganda e publicidade, da ordem de centenas de milhões de reais para quem desejar. Basta acompanhar o noticiário diário das revistas, jornais e TV, para verificar quem apóia quem. Há candidatos que ocupam meia página, com direito a foto, todos os dias, com destaque para os atuais governantes. Outros aparecem de vez em quando. Os demais são candidatos secretos. Só aparecem quando é obrigatório ou para serem atacados. Fecha-se um círculo vicioso. Os candidatos detentores de maiores recursos aparecem mais nos meios de comunicação e na propaganda eleitoral. Os "outdoors" são democraticamente sorteados, porém quem não tem recursos próprios ou dos empresários, não consegue pagar seu aluguel, sendo obrigado a abrir mão deles para os abastados. A seguir, os institutos de pesquisa, realizando seu mister, apuram o óbvio, isto é percentuais maiores para os "riquinhos" e menores para os demais, às vezes nem citados, ou mencionados com percentuais ínfimos. Como a maioria das pesquisas é paga justamente pelos que possuem recursos em abundância, as diferenças são acentuadas.

O povo, geralmente, não aprecia votar em candidato que não tem condições de vencer, votando naqueles à frente nas pesquisas. Esta é a realidade, infelizmente sonegada pela mídia amestrada, cumprindo seu triste papel de subserviência aos detentores do poder econômico, conspurcando a memória do inesquecível patriota Barbosa Lima Sobrinho, infelizmente fora da vida terrena, não podendo mais lutar com sua pena indomável contra os partidários de Joaquim Silvério dos Reis.

O horário gratuito eleitoral também não é igualitário. O tempo destinado aos candidatos é calculado em função da bancada federal de cada partido, não no dia da promulgação do resultado, mas sim numa data aleatoriamente escolhida pelos políticos, de acordo com sua conveniência. E as alianças eleitorais, por milhões de razões, nem sempre as mais éticas, proporcionam a alguns candidatos mais de oito minutos. A outros, pouco mais de 60 segundos, por dia de apresentação. Os debates são desprezados pelos candidatos que estão na dianteira, com medo de mostrar sua fragilidade e cair nas pesquisas. São as regras do jogo impostas pelos oligarcas no poder. Em cada estado, não é difícil prever o que vai acontecer. É a perpetuação no poder, que se passa ao longo de gerações, de pai para filho. E chamam a isto de democracia! Como sair disto e conseguir obter uma verdadeira democracia? Surpresas e acidentes de percurso acontecem, mas constituem exceções.

O sistema é precavido. Resguarda-se de todas as possíveis surpresas com maestria, apenas procurando manter-se no poder. É a lei da sobrevivência. Usam seus vastos recursos financeiros para destruir os seus oponentes. Quem ousa contrariá-los é anulado. Ou por intermédio da galhofa, da exposição ao ridículo, ou através da calúnia. Se alguém sobreviver, será então docemente cooptado com ofertas de benesses, seja de poder ou financeiras. Dificilmente alguém resiste. Caso não se curve, medidas mais drásticas serão adotadas. Afinal, quem resiste a uma inspeção fechada dos órgãos de fiscalização? Da receita federal? Do INSS? Caso ainda sobreviva, ocorrerá a intimidação pura e simples. Pesquisam os pontos fracos do adversário e procuram atacá-lo em suas vulnerabilidades. Todos possuem um calcanhar de Aquiles. Um filho ou uma filha vulnerável. Um escorregão no passado. Poucos escapam. Medidas mais incisivas poderão ser adotadas contra o tresloucado resistente. As opções são infinitas. É difícil resistir.

As últimas pesquisas para a presidência da República apontam para uma vitória da candidata Dilma ainda no primeiro turno. Seria ela a futura presidente do Brasil, segundo estes institutos, caso as eleições fossem hoje. Será este o resultado no dia 03.10? Tende a ser porque as chamadas candidaturas de oposição, não o são verdadeiramente. São fracas, tíbias. Todos sabem que a eleição será decidida em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. É só analisar quem são os candidatos da “oposição” nestes Estados para concluir que a candidata da situação irá ganhar nos dois. E em MG ainda existe a “cristianização” do candidato Serra, a exemplo do já ocorrido em eleições passadas. A conclusão é a de que os vencedores serão os de sempre. Os grandes grupos econômicos. O vencido será o povo brasileiro. Nenhum dos candidatos apresentados apresenta o perfil adequado para enfrentar os desafios a serem enfrentados a partir do ano vindouro, inclusive com risco de perda da Soberania Nacional, da Integridade do Patrimônio Nacional e da coesão social. O exemplo da antiga Iugoslávia não pode ser olvidado. Existe concretamente a possibilidade de acontecimentos dramáticos para o povo brasileiro, ameaçado de ser obrigado a sobreviver sob o jugo de uma ditadura “chavista”.

E a solução? A História ensina que os maiores impérios do mundo esfacelaram-se em função de causas endógenas. Grécia, Roma, o Império Britânico. A sensação de poder ilimitado, infinito, provoca a deterioração dos princípios e valores maiores de cada sociedade, levando-as à desintegração. E então surge um novo sistema dominante. O Brasil poderia vir a ser um dos países propulsores de um novo mundo, mais digno, justo e perfeito. Nossas dimensões continentais, nossas riquezas, as características de nosso maravilhoso povo, mestiço, pacífico, porém heróico quando a oportunidade exige, são ingredientes básicos para ocupar a posição de defesa da humanidade contra a exploração e a barbárie. Falta apenas que suas elites estejam em uma sintonia compatível com as bases, com a existência de uma administração patriótica, capaz de interpretar os verdadeiros anseios e aspirações da gente brasileira. Será que ainda veremos este desejo concretizar-se?