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Irm Marcos Coimbra
Artigo escrito em 28 de abril de 2008
para o M.M
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Em prosseguimento ao artigo publicado na semana anterior, nas demais Expressões do Poder Nacional identificamos:
1 – Deterioração das Instituições Nacionais;
2 - Executivo aparelhado partidariamente, com a máquina empenhada em alcançar a perpetuação no Poder em 2010. Não há um Projeto Nacional de Desenvolvimento, mas sim um projeto de poder;
3 - Legislativo inteiramente cooptado, incapaz de exercer suas funções, sem perspectiva de reversão do quadro ( medidas provisórias);
4 - Judiciário acuado com a criação do Conselho Nacional de Justiça, com conflitos permanentes entre seus diversos segmentos e até no STF;
5 - Corrupção endêmica alcançando praticamente todos os segmentos;
6 - Ausência de um candidato de oposição verdadeira aos ditames do Foro de São Paulo;
7- Política externa lesiva aos interesses nacionais, incapaz de defender os Objetivos Nacionais Permanentes, refém da tendência de criação da URSAL no continente;
8 – Saúde pública sem integração das três esferas de administração, com superposição de funções, incapaz de atender às necessidades do povo e com privatização crescente, porém ineficaz e com altos custos;
9 – Falência na educação pública, incapaz de formação do capital humano necessário para enfrentar os desafios indispensáveis ao aproveitamento de eventuais oportunidades propiciadas pela crise mundial;
10 – Segurança pública caótica, com criação do embrião de uma “guarda nacional”, sem a necessária articulação entre os inúmeros segmentos que deveriam prover as carências existentes;
11- Falta de controle sobre a atuação das diversas ONGs, especialmente estrangeiras, disseminadas pelo país, que substituem progressivamente a ação do Estado;
12- Ameaça de “balcanização” do país, com a criação de “quistos indígenas” e adoção de medidas racialistas, promotoras da desintegração da coesão social ainda existente;
13- Enfraquecimento deliberado das Forças Armadas, em especial nos últimos 15 anos, com evidente prejuízo do cumprimento de suas funções constitucionais;
14- Imposição de uma Estratégia Nacional de Defesa, sem a existência anterior de uma Política de Segurança Nacional e a devida oitiva dos profissionais da área;
15- Insuficiente aporte de investimentos em pesquisa pura e/ou aplicada, tornando o país cada vez mais dependente da tecnologia externa;
16- Meios de comunicação altamente comprometidos com a prática “gramscista” de tentativa de estabelecimento do pensamento único e dependentes das verbas de publicidade de órgãos governamentais;
17 – Acomodação das forças vivas da Nação, caracterizando um grave processo de anomia.
Como sugestões para enfrentar os desafios apresentados, apontamos a necessidade de adoção das seguintes ações:
1 – Política monetária: principal responsabilidade de conduzir o esforço anticíclico, com redução de juros, liberação de parte expressiva dos compulsórios e administração de níveis de liquidez, em reais e divisas;
2 – Política fiscal: apoio à rede de proteção social e realização de vitais investimentos públicos, em especial na infra-estrutura econômico-social ;
3 – Políticas diversas: recolocar a operação de mercado nos trilhos, regulando-o adequadamente; repensar o papel do Estado, com diminuição de gastos excessivos em custeio e maior destinação de recursos destinados à atividade produtiva. Ele deve ser eficiente e eficaz. Nem mínimo, nem máximo. O mais importante é a elaboração de um Plano Nacional de Desenvolvimento, contendo políticas e estratégias bem definidas, vinculadas a prazos, orçamentos e órgãos responsáveis, com cuidadosa implementação por técnicos competentes.
Nossas conclusões são:
a – O país, bem posicionado inicialmente, não escapará de uma deterioração lenta e progressiva, importada dos demais e principalmente devido a falta de ação adequada das autoridades, no momento correto ;
b – A taxa de crescimento do PIB neste ano será próxima de zero.
O Brasil não é uma “ilha da fantasia”. Em tese, é possível pensar um modelo de desenvolvimento econômico baseado em um mercado doméstico cuja distribuição de renda é razoável. Mas não é o nosso caso, pois ao estimular o crescimento do mercado interno, o governo tem usado crédito e assistência social, o que aumenta a renda disponível dos mais pobres, sem que a distribuição de renda seja de fato alterada. Os canais de crédito popular, na medida em que a metástase da crise global vai avançando, definham com a queda na renda ou o medo de ficar sem emprego.
Para agravar, o país tornou-se exportador sem gerar uma capacidade de inovação e modernização de sua infra-estrutura, sendo dependente de mercados externos cujo colapso é irreversível em um prazo de 2 a 5 anos. |