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Irm Marcos Coimbra*
A mídia informa que Lula conta com 65% de
aprovação da população brasileira, segundo dados colhidos
em recente pesquisa. Em nossa experiência na área de
mercadologia e pesquisa de opinião pública, aprendemos
que não é muito difícil direcionar uma pesquisa deste tipo.
Há várias formas de manipulação, inclusive com as
perguntas formuladas de modo adequado, tendo em vista
obter o resultado esperado por quem paga o trabalho. Existe
ainda o aproveitamento da exposição positiva propiciada
pela mídia amestrada, dependente dos anúncios pagos pelos
diversos órgãos da administração direta e indireta da União,
bem como por empresários amigos. Feitas estas ressalvas,
não há como negar que, pessoalmente, a avaliação de Lula
ainda é altamente positiva, apesar do formidável caos
administrativo e do vácuo de autoridade existente no país.
As diversas crises e escândalos noticiados, em escala
crescente, diariamente, nos três Poderes e nas
administrações federal, estadual e municipal, proporcionam
ao cidadão comum um justo sentimento de revolta e
indignação, o qual contribui para o enfraquecimento das
Instituições brasileiras. O principal responsável por este
processo é justamente o Poder Executivo Federal, não
havendo como ignorar que estamos em um sistema
presidencialista, onde o responsável por tudo de bom ou
ruim ocorrido é o presidente da República.
A distorção flagrada reside no fato de que só o lado
positivo é usufruído por Lula, enquanto os aspectos
negativos passam a não ser debitados a ele. Para a maioria
da população brasileira, os congressistas, juízes, ministros e
outros acusados podem ser culpados de corrupção passiva,
contudo esquecem que, se alguém é subornado, é porque
alguém pagou. E quem subornou? A imprensa silencia e a
sociedade ignora. Talvez esta seja uma das razões para a
avaliação contrária à lógica dos fatos.
No critério eficácia então o resultado é assustador. O “apagão” não é só aéreo. É geral. Existem mais de 20.000 “cumpanheiros” comissionados por indicação político-
partidária, principalmente pertencentes aos quadros petistas,
independentemente de mérito. Quase 40 ministérios ou
secretarias assemelhadas. É impossível administrar desta
forma, mesmo que os quadros fossem de excelente
qualidade, o que não ocorre, com raras exceções.
Somente agora, depois de anos de esquecimento,
diante da perspectiva concreta de um novo “apagão de
energia” nos próximos dois anos, é que ressuscitaram a
energia nuclear, reativando não só Angra III, como
despertando para a necessidade da construção de pelo
menos mais três ou quatro usinas nucleares. Também
somente nesta semana foi vencida a resistência do segmento “ambientalista” infiltrado no IBAMA, contrário ao
Desenvolvimento Nacional, dependente de ordens externas,
no tocante a licença-com 33 ressalvas - para a construção
das usinas hidrelétricas do Rio Madeira (Santo Antonio e
Jirau), o que ainda é insuficiente para atendimento às
necessidades vitais do Brasil.
Na área externa, após o perdão de dívidas de diversos
países estrangeiros, sem o aval do Congresso Nacional,
continua o processo de submissão. Os fatos de o país pagar
anualmente mais de R$ 160 bilhões de juros por ano, bem
como possuir a mais elevada taxa real de juros do mundo,
demonstram quem manda de fato, ou seja, o sistema
financeiro internacional e seus agentes internos. A tibieza
demonstrada no trato com a Bolívia abriu o precedente.
Primeiro, o Paraguai. Agora, até o Equador. E por trás de
todo o processo a inspiração chavista. A cada dia, a
administração federal vai cedendo mais e aceitando
exigências absurdas, em detrimento do povo e da Nação. E
quem paga e pagará? Somos nós e as gerações futuras.
A fraqueza evidente da administração central tornou-a
refém de qualquer segmento capaz de pressioná-la. Os
aeroportuários, às vésperas do Pan, conseguem sem maiores
problemas, aquilo que outras categorias profissionais, como
médicos, professores etc. tentam obter há anos sem sucesso.
E o exemplo passa a ser seguido pelos outros. Até no Estado
do Rio de Janeiro, a polícia civil decreta uma greve de 48
horas, podendo ser ampliada. Integrantes da polícia militar
ameaçam cumprir sua missão, combatendo, por exemplo, o
jogo do bicho e outras atividades irregulares.
Um marciano chegado ao Brasil, ao ser confrontado
com os discursos de Lula e o comportamento de sua
administração, enlouqueceria. Pensaria que Lula é o líder da
oposição à administração federal, que é comandada por ele
próprio. Até quando isto continuará a ser realidade?
Possivelmente, até o momento em que a conjuntura
econômica mundial deixar de ser tão favorável, em função
da teoria dos ciclos econômicos. Ou então quando Lula
deixar de atender aos anseios do grande capital
transnacional, fato pouco provável.
Assim, quando a nossa economia sofrer as
conseqüências de uma previsível desaceleração da atividade
conômica mundial chegará a hora da verdade, quando
todos nós, brasileiros, teremos que assumir nossas
responsabilidades.
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