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Irm.
Marcos Coimbra
Analisando
a conjuntura brasileira, verificamos, com preocupação,
a polarização encontrada, em especial no emblemático
município de São Paulo, entre a candidata do PT e
o candidato do PSDB. Isto projeta uma tendência que pode ser
repetida nas eleições de 2006, onde o eleitor será
obrigado, possivelmente, a fazer a escolha entre seis e meia dúzia.
Ora, assessores do ex-presidente FHC anunciavam que possuíam
um projeto de poder por 20 anos. Ficaram oito anos e acabaram propiciando
indiretamente a eleição do atual presidente Lula,
cujos partidários também possuem um projeto de permanência
no poder por 20 anos. Inclusive, já discutem o nome mais
representativo para as eleições de 2010, pois consideram
certa a reeleição de Lula em 2006.
A atual administração Lula continua a adotar as mesmas
medidas empregadas por FHC, até com maior ênfase, cumprindo
fielmente o receituário imposto pelo FMI. Até propostas
encaminhadas pela antiga administração FHC, rejeitadas
anteriormente pelo Congresso, estão sendo bem sucedidas agora.
A absurda e inconstitucional taxação dos inativos
é aprovada, no bojo da famigerada "reforma da previdência",
institucionalizada com o aval de sete ministros do Supremo Tribunal
Federal. O absurdo "estatuto do desarmamento", também
rejeitado no período anterior, foi imposto por acordo de
lideranças, sem votação em plenário.
Agora a meta é aprovar a suspeita PPPs (Parcerias Público
Privadas). E, a seguir, as reformas trabalhistas, sindical e do
Judiciário.
No regime democrático, existe a premissa de que o eleitorado
possa escolher entre as diversas opções ideológicas,
reelegendo os detentores do poder político, caso esteja satisfeito,
ou alijando-os do poder, através do voto na oposição,
no caso de estarem insatisfeitos. Infelizmente, no Brasil de hoje
isto é impossível. Isto porque a pretensa oposição
ao PT é exercida pelo PSDB, principalmente. E o PT no poder
é "mais do mesmo" do PSDB. Qual a diferença?
O sistema financeiro internacional continua a mandar no país.
A atividade improdutiva continua a ser mais interessante do que
a produtiva. O país continua sem projeto e o PIB continua
a cair na comparação mundial, ameaçando perder
a 15ª colocação, quando já ocupou a 8ª
posição, não há tanto tempo atrás.
Absurdos inacreditáveis continuam a ser perpetrados contra
o sofrido povo brasileiro. O mais recente é a tentativa de
reeleição dos presidentes do Senado e da Câmara
dos Deputados. Todos querem a perpetuação no poder.
E, agora, o ministro da (In)justiça pretende restringir a
aplicação da legislação sobre os crimes
hediondos. Segundo especialistas no assunto, isto ocasionará,
somente no Rio de Janeiro, a libertação imediata de
cerca de 4.500 condenados, egressos do tráfico, possíveis
soldados a serem recrutados pelos "barões do crime organizado",
e número semelhante de assaltantes, estupradores, homicidas,
praticantes eméritos de latrocínios e outras "amenidades".
E depois vão reclamar que a violência está aumentando
e partirão para criar o novo "estatuto do desarmamento",
agora direcionado às facas de cozinha. A saída parece
ser sair imediatamente do Rio.
Porém, ir para o campo é outra temeridade. A ação
do MST e congêneres, além de predatória, irresponsável,
sem limites, acima da lei e da ordem, desestimula a intenção.
Mudar-se para outras cidades menos atingidas pela violência
representa solução temporária. Continuando
a situação como está, sem solução,
progressivamente todas elas irão também ser atingidas.
É uma questão de tempo.
A solução, se é que ainda é possível,
passa pelo restabelecimento da autoridade, pelo combate sem tréguas
ao crime em todas as esferas, da favela ao asfalto, pela cassação
de políticos e altas autoridades envolvidas, com confisco
do patrimônio irregularmente acumulado. Basta conferir as
declarações do imposto de renda e compará-las
com os sinais de ostentação de riqueza, para identificar
os infratores e proceder às punições devidas.
O problema principal é saber quem vai cumprir a missão. |