|
Irm Marcos
Coimbra
Esta frase foi
pronunciada pelo ex-presidente do BNDES, Prof. Carlos Lessa. E é
de uma atualidade insofismável. É impossível
a um sistema econômico sobreviver submetido a uma taxa de
juros de 17,25% ao ano (taxa real superior a 9%) e a um superávit
primário de 4,5% do PIB, alcançando o praticado, no
primeiro semestre, uma absurda taxa superior a 6% do PIB. Associadas
estas duas variáveis à escassez de crédito,
ficam explicados os imorais lucros auferidos pelos bancos no país.
O sistema financeiro cobra o que quer, quando quer, como quer, sem
qualquer limitação ou controle. E o pior, praticamente
sem o pagamento de imposto de renda adequado.
As conseqüências são terríveis não
só na expressão econômica do Poder Nacional,
como também nas expressões psicossocial, política,
militar e científico-tecnológica. Uma taxa de crescimento
de 5% ao ano do PIB em 2004, além de modesta, não
terá sustentação ao longo do tempo. As importações
já começam a superar as exportações
no mês de novembro e a taxa de investimentos permanece em
torno de 18% do PIB. A capacidade ociosa começa a atingir
níveis inferiores a 15% da capacidade produtiva instalada.
E o sistema empresarial não encontra motivação
para investir na atividade produtiva, devido à demanda insuficiente.
A resultante é uma brutal e progressiva transferência
de renda do setor produtivo para o segmento financeiro. A carga
tributária avança para 40% do PIB.
O desemprego atinge cerca de 12 milhões de trabalhadores
e a renda dos assalariados, pensionistas e aposentados decresce,
em termos reais, a cada ano. A educação cai de qualidade,
progressivamente, empregando-se artifícios como sistema de
quotas, programas de salvação de instituições
particulares de ensino e aprovação automática
para mascarar a decadência do ensino público e particular.
O atendimento sucumbe à ganância de interesses escusos.
A assistência médica pública que era garantida,
há 30 anos atrás, desapareceu e o sistema privado
surgido em seu vácuo, mesmo regiamente pago, é incapaz
de substituí-lo.
A segurança pública inexiste na maior parte da federação.
No campo, o MST e seus congêneres implantam a desordem, demonstrando
o início do fim da propriedade privada no país. Nas
metrópoles as razões de insegurança aumentam.
No Espírito Santo o Exército é chamado para
intervir objetivando impedir a queima de veículos coletivos
pelo crime organizado. Agora, a tropa é substituída
por 150 homens da força nacional de Segurança Pública.
No Rio de Janeiro, diariamente vias expressas de circulação
são interditadas, em virtude da atuação dos
representantes do crime organizado. Marginais chegam ao requinte
de atacar um baile "funk" ferindo 40 pessoas. Quinze marginais
interceptam um ônibus de transporte vindo de Juiz de Fora
para o Rio de Janeiro, matando e ferindo. O ministro da (in)justiça
participa de reunião com a (des)governadora do Estado para
liberar verbas e nenhuma justificativa é apresentada sobre
o caos institucional vivenciado pelo povo carioca. Nenhuma das três
administrações (federal, estadual e municipal) <ir>responsáveis
pelo descalabro) pronunciam-se.
Enquanto o mesmo ministro da (in)justiça anuncia semanalmente
sucessivos recordes na quantidade de armas entregues pela população,
os níveis de criminalidade aumentam. Avançam as propostas
de descriminalização do uso de drogas, o abrandamento
das penalidades para crimes hediondos e a perpetuação
da impunidade de criminosos de alta periculosidade "menores
de idade", apesar de serem maiores na hora de cometer atrocidades.
Parece que o objetivo é libertar os marginais e enjaular
os cidadãos de bem. As Forças Armadas sofrem um permanente
e progressivo processo de esvaziamento, concretizado pela diminuição
de verbas destinadas ao efetivo emprego de suas missões constitucionais,
bem como pela insidiosa campanha empreendida pela "mídia
amestrada", com a intenção de desmoralizá-las.
Tropas brasileiras atuam no Haiti, sem a devida cobertura, fazendo
o que são impedidas de realizar no território pátrio.
E ainda sonham com a utopia de obtenção de um assento
no Conselho de Segurança da ONU.
Os óbices ao nosso desenvolvimento científico-tecnológico
aumentam. Além da escassez de verbas destinadas à
pesquisa e desenvolvimento, da sabotagem direta e indireta aos nossos
projetos mais significativos, crescem as pressões externas
com o fim de impedir nossa independência tecnológica.
Acordos internacionais assinados com diversos países são
danosos aos interesses nacionais.
O povo brasileiro não merece este tratamento. O pesadelo
venceu a esperança!
|