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Irm Marcos
Coimbra
Tempos
atrás, escrevemos um artigo com o título de "Bola
da Vez", transcrito abaixo, atualizado, considerando a preocupante
notícia veiculada pelo jornal " The Washington Post"
sobre a "suposta recusa do governo brasileiro- sob alegação
de que estaria protegendo segredos industriais- de receber inspetores
da agência de energia atômica da ONU em Resende (RJ),
onde fica a Fábrica de Combustíveis Nuclear da estatal
Indústrias Nucleares do Brasil (INB), sob o alarmante título
"Brasil esconde instalação nuclear". A reportagem
do Post afirma ainda que a Casa Branca deve enviar emissários
a Brasília neste mês para pressionar o governo brasileiro
a ter mais cooperação com a ONU. Já vimos este
filme antes.
Os senhores da guerra invadiram, há dois anos, o Afeganistão,
a pretexto de combate ao terrorismo internacional. A verdadeira
razão reside na estratégica posição
daquele país, para construção de oleoduto com
o objetivo de transportar petróleo do coração
da Ásia para o porto adequado. Ano passado foi a vez do Iraque.
Com a desculpa de que Saddam Hussein teria armas de destruição
em massa, foi concretizado o massacre do perigoso país ameaçador.
Milhares de mortos, feridos e prisioneiros, sem direito à
defesa. As causas de fato foram: a) a conversão das reservas
iraquianas de dólar para euro, há aproximadamente
três anos atrás; b) a posse da segunda maior reserva
mundial petrolífera; c) a posse de imensas reservas de água,
valiosas em especial em uma região desértica; d) a
oportunidade de reconstrução daquilo que foi destruído,
ao custo de mais de cem bilhões de dólares, a serem
entregues a empresas ligadas à atual administração,
generosas financiadoras de campanhas eleitorais nos EUA e em outros
países.
São os modernos corsários, possuidores de licença
para matar. A Economia norte-americana continua em crise. O desemprego
ultrapassa 5,7% da população economicamente ativa.
Sucessivos déficits acendem as luzes vermelhas no painel
de controle dos analistas do mercado financeiro mundial. Os EUA
importam praticamente tudo dos outros países. São
auto-suficientes na produção bélica e de alimentos.
Exportam tecnologia de ponta para o resto do mundo e, no momento,
possuem o poder real de destruir qualquer nação que
não se submeta a seus interesses. Justificativas não
faltam. Até hoje não foram encontradas as tão
decantadas armas iraquianas de destruição em massa.
Nem precisa. Para quê? Os objetivos reais foram alcançados.
Está prevista uma recuperação da atividade
econômica norte-americana, a partir do domínio e venda
dos recursos naturais iraquianos. A perspectiva do retorno do governo
ao povo do Iraque é cada vez mais remota. O controle é
mesmo dos "falcões-galinha" do Pentágono
que, depois, deverão passar a administração
a um governo de "fantoches", dominados por eles, a exemplo
de outros países. Se houver eleição livre,
os xiitas ganharão e surgirá mais um regime teocrático,
muito distante do sonho da democracia norte-americana, praticada
por eles. Talvez utilizem até a nossa famosa "urna eletrônica".
A dúvida agora é sobre qual será o país
da vez, a ser "libertado" pelos rambos modernos. A pista
pode estar na referência ao denominado "eixo do mal",
constituído por Irã, Coréia do Norte e Cuba.
Se as razões fossem as proclamadas, o país premiado
deveria ser Cuba, pela proximidade, ou a Coréia do Norte,
pelo perigo concreto. Mas, como são, na realidade, econômicas,
o agraciado deverá ser o Irã, por possuir petróleo
abundante e por não possuir ainda artefatos nucleares operacionais.
Ou então a Síria. A desculpa deverá ser, mais
uma vez, impedir que aquele país tenha acesso à tecnologia
nuclear. A ONU está desmoralizada e, caso desapareça,
ninguém sentirá falta. A lei é a do mais forte.
Manda quem pode. Obedece quem tem juízo.
Mas fica uma preocupação para nós, brasileiros.
Olhando o mundo, existem poucos outros países, indefesos,
capazes de despertar a cobiça altruísta de libertação
nos senhores da guerra. A abundância de recursos naturais,
da água ao titânio, passando agora pelo petróleo,
sua extensão territorial e a fragilidade de nossas Forças
Armadas conformam um quadro preocupante. De fato, há um plano
arquitetado pelos "donos do mundo" de enfraquecer as Forças
Armadas dos países emergentes, sufocando-as financeira e
economicamente. Além disto, é proibido o acesso à
moderna tecnologia bélica, seja no tocante a engenhos nucleares,
seja na área espacial. O trágico episódio da
recente explosão do terceiro VLS brasileiro, com a perda
de vinte e um mártires, exige das autoridades responsáveis
uma profunda reflexão. Até jatos supersônicos
são proibidos. Fabricação de mísseis,
nem pensar. Até a proibição da comercialização
de armas e munições querem impor ao povo brasileiro.
As empresas nacionais seriam expulsas do mercado e o Brasil ficaria
dependente até da importação de um cartucho
de 22. Desta forma, fica mais fácil intimidar e, se for o
caso, ocupar militarmente as nações desobedientes.
Contudo, na maior parte dos casos, isto não é necessário,
pois as próprias forças políticas locais elegem
administrações representantes dos interesses deles,
dóceis ao seu comando. De modo hábil, vão transferindo
recursos para o exterior e permitindo a ocupação pacífica
dos seus respectivos territórios, bem como a exploração
de seus recursos.
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