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Irm Marcos
Coimbra
O
país atravessa grave crise de autoridade no momento presente.
Os exemplos são citados diariamente na imprensa e a exceção
tornou-se regra. O desrespeito à lei instituiu-se em norma.
As autoridades (in)competentes nada fazem para aplicar a já
frágil legislação existente. Se não,
vejamos. Vinte e nove (29) brasileiros são massacrados na
reserva Roosevelt ao sul de Rondônia por índios cinta-larga.
A polícia federal informa que, antes de morrer, foram torturados.
A seguir, queimados. Há previsão de que o número
possa chegar a 40. O presidente da FUNAI, sr. Mércio Pereira,
declara: "Os índios têm o direito de defender
suas terras. Os garimpeiros estão ilegais e, lamentavelmente,
essas coisas acontecem." E ainda : "Quando você
é atacado em sua casa, você tem direito à sua
proteção, não tem? Não sei se podem
ser presos por esse conflito. Se for um conflito que seja consignado
como defesa do território, defesa de propriedade, de seus
direitos, então aí, não sei se vai ter julgamento
nesse sentido".
Enquanto
isto, o fazendeiro de Pontal, sr. Luiz Antonio de Barros Coelho
Júnior, que fez uma trincheira com sacos de areia na sede
de sua fazenda, denuncia: "Eles querem a fazenda a qualquer
custo, querem tomar na marra. Ouço barulho e já salto
da cama". Há a destruição de bens e vidas
humanas e a escalada das guerrilhas rurais e da guerrilha urbana
no Rio de Janeiro, bem como a perda de 2 milhões de vidas
em acidentes de trânsito e homicídios (600.000) de
1980 a 2000, de acordo com artigo do empresário Antônio
Ermírio de Moraes, publicado em 18 de abril. O presidente
da Comissão Pastoral da Terra, Dom Tomás Balduíno,
incendeia o debate ao afirmar: "Normalmente, a reforma agrária
deve ser feita em qualquer terra. A ocupação de uma
terra produtiva acena para a mudança de uma legislação
que hoje, por força da Constituição, impede
reforma agrária em terra produtiva". Ele quer acabar
com a propriedade privada no Brasil.
A História ensina que, em todos os países onde houve
reforma agrária, existe uma queda na produção
agropecuária, gerando graves problemas. O setor do agronegócio
responde hoje, no país, por cerca de 1/3 do PIB e por mais
de 40% das exportações, sendo o principal responsável
pelo superávit expressivo da balança comercial, bem
como pelo atendimento das necessidades do mercado interno. Não
se pode tocar na propriedade produtiva, pois isto gerará
desabastecimento interno, diminuição das exportações,
aumento das importações, desemprego direto e indireto
e outras. A questão fundiária é muito mais
séria. De início, não é só distribuir
terras. Na realidade, a terra desapropriada, por ser improdutiva
e não exercer sua função social, não
deveria ser dada e sim arrendada aos beneficiados, por um período
razoável de tempo. Ou então "vendida" pelo
Estado a preços modestos, com a instalação
de toda a infra-estrutura necessária. Assistência técnica,
crédito rural, armazenagem, transporte etc. De fato, geralmente
as terras utilizadas em uma reforma agrária são para
atender à denominada agricultura de subsistência. Não
são capazes de gerar excedentes para comercialização.
Muito pelo contrário, os novos detentores da terra normalmente
são dependentes da compra de bens indispensáveis à
sobrevivência.
No mesmo período de tempo, enquanto o ator de novelas da
globo, sr. Marcelo Antony, é preso em Porto Alegre com 97
g de "clone" (droga constituída de mistura de maconha
com produtos químicos), sendo liberado em menos de 24h, por
ser enquadrado como consumidor, apesar de ser considerada grande
a quantidade de droga pelo Ministério Público, uma
festa "rave" realizada em Vargem Grande, no RJ, acaba
na polícia. Em um sítio, 30 pessoas são detidas,
13 delas menores de classe média, além de um casal
israelense e um americano. Havia ecstasy, maconha, haxixe, skank,
cocaína e outras drogas. Segundo o juiz da 2ª Vara da
Infância e da Juventude, metade dos três mil presentes
à festa estaria consumindo drogas. E o clima na Rocinha continua
tenso com a perspectiva de entronização do novo comandante
da área pelo comando vermelho, após a morte de "Lulu".
O líder invasor, o "Dudu", é repelido pela
comunidade e assim é possível que um novo chefe do
tráfico, que proporciona um lucro líquido de R$ 50
milhões por mês, seja nomeado.
Segundo
o sociólogo do IUPERJ, sr. Gláucio Soares: "Cada
vez que nossos queridos hipócritas consomem drogas, contribuem
para matar alguém nas favelas, locais próximos a onde
o tráfico opera. Não é à toa que a taxa
de homicídios no Leblon é de 10 por 100 mil habitantes
e, na Rocinha, de 200 a cada 100 mil. A política que existe
hoje é de liberdade para uns e cacete nos outros". Enquanto
isto a Câmara dos Deputados aprova nova legislação
que praticamente descriminaliza a droga e segue adiante a regulamentação
do estatuto dos marginais, destinado a desarmar os cidadãos
de bem do país. É tão absurdo que, caso aprovado
como está, será impossível de ser cumprido,
jogando na ilegalidade milhões de cidadãos possuidores
de armas legalizadas, atualmente. A falta de recursos materiais
e humanos é de tal ordem nos órgãos incumbidos
de cumprir a lei em gestação, alguns em greve há
mais de 40 dias, que não existem condições
objetivas para sua implantação. É o caos!
E,
para completar, um ministro de Estado declara que as invasões
de terra empreendidas pelo MST serão toleradas, desde que
cumprida a lei. Alguém pode explicar como a invasão
de propriedade privada, ocupação violenta de prédios
públicos, morte de animais, incêndio de propriedades,
danos materiais, obstrução de estradas e vias públicas
e outras barbaridades podem ser legais? E, ainda mais, financiado
tudo isto, com recursos públicos para transporte, refeições
etc. para os "companheiros" do MST? Se os garimpeiros
mortos em Rondônia pertencessem ao MST e tivessem sido torturados
e mortos por proprietários rurais, qual seria o tratamento
dado ao trágico episódio? A ONU já estaria
no Brasil e as ONGs, a serviço de interesses estrangeiros
, estariam obrigando "autoridades" brasileiras a crucificar
os criminosos. Afinal, tortura não é crime hediondo
e imprescritível? E quem está por trás dos
índios?
Com a palavra as autoridades responsáveis, da União
às prefeituras, passando pelos Estados. Omissão também
é crime!
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