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Irm
Marcos Coimbra
De início, é vital estabelecer a diferença
entre a Amazônia Real e a denominada Amazônia Legal.
De acordo com o Almirante Roberto Gama e Silva, um dos maiores especialistas
no assunto, "na sua posição brasileira, a verdadeira
Amazônia poderá ser identificada pela presença
da floresta tropical úmida, que povoa 82,5% do seu espaço
físico, e, simultaneamente, pelas regiões bioclimáticas
lá presentes que vão desde aquela sem intervalos secos,
como acontece no Noroeste, até a que apresenta períodos
iguais ou inferiores a quatro meses, típicas das zonas ao
sul e a leste, adjacentes a outras regiões naturais distintas".
Assim, a Amazônia verdadeira possui 4 milhões de km2,
em números redondos.
Segundo a mesma fonte, a verdadeira Amazônia é a região
naturalmente mais bem conservada da Terra e, conseqüentemente
do Brasil, eis que mantém intactas quase 90% da sua cobertura
vegetal primitiva. A falsa Amazônia foi criada pela Lei n°
1806, de 06 de janeiro de 1953, que originou a Superintendência
do Plano de Valorização Econômica da Amazônia
- SPVEA, que incorporou à Amazônia Real, não
por similaridades geográficas, mas por conveniências
político-administrativas, partes do Maranhão, de Goiás
e de Mato Grosso. Em 27 de novembro de 1966, a Lei n° 5.173
transformou a SPVEA em Superintendência de Desenvolvimento
da Amazônia - SUDAM, ampliando os limites da "Amazônia
Legal" para 5.023.747,80 km2, ou seja, 61,2% do território
continental brasileiro, abrangendo na sua totalidade o Estado do
Maranhão e os atuais Mato Grosso e Tocantins, objetivando
auferir os incentivos fiscais do novo órgão.
Em 1978, foi assinado o Tratado de Cooperação Amazônica
(TCA), com o objetivo de propiciar a integração física
e o desenvolvimento da Amazônia Continental. Desta forma,
pretende-se minimizar qualquer tentativa de controle internacional
sobre a região, através da cooperação
e integração entre os países signatários
(Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru,
Suriname e Venezuela). É preciso compreender que o Brasil,
na qualidade de "país-monstro" (dimensão
continental e população expressiva), é um dos
principais atores internacionais mundiais, cabendo a nós
a coordenação do esforço dos países
irmãos, que possuem a soberania da área, para garantir
sua segurança e desenvolvimento. Segundos alguns grandes
estrategistas mundiais, o país ou grupo de países
que controlar a Amazônia será a grande potência
do terceiro milênio.
Em dezembro de 1992, a administração Itamar Franco
lançou a Iniciativa Amazônica, objetivando aprofundar
a cooperação econômica com os países
da região, membros do Pacto Andino, mais Guiana e Suriname.
Desta forma, o TCA passou a ter novo conteúdo, para, por
intermédio da ação econômica, reafirmar-se
coletiva e multilateralmente a soberania sobre a região.
Hodiernamente, além das ameaças antigas, ainda existentes,
representadas pela cobiça das nações mais desenvolvidas
sobre as riquezas da região, somam-se novos óbices
como a atuação de guerrilhas, a corrosiva ação
do narcotráfico, o contrabando de recursos naturais, o roubo
de itens expressivos da Biogenética Amazônica, chegando
ao cúmulo de registro de marcas e patentes de nossos recursos,
no exterior, por empresas alienígenas.
É
preciso partir, de imediato, do discurso para a prática.;
É imperioso "integrar para não entregar".
As primeiras iniciativas deverão ser na infra-estrutura econômica,
em especial com o objetivo de obtenção da integração
viária e energética, entre os países da área,
como, por exemplo, a conclusão do asfaltamento da rodovia
Manaus-Boa Vista-Caracas e o gasoduto Brasil-Bolívia. O IPEA
criou um grupo de estudos sobre o Brasil e a Iniciativa Amazônia
para analisar a viabilidade, vantagens e desvantagens de proposta
de formação de uma zona de livre comércio entre
os países amazônicos, a partir dos níveis atuais
de intercâmbio comercial e suas perspectivas de ampliação.
Em sua primeira etapa, procura-se identificar as posições
relativas do Brasil nos mercados desses países, bem como
a importância destes enquanto destino de novas exportações.
Numa etapa posterior segue-se o caminho inverso, procurando-se analisar
como esses países se inseriram no mercado brasileiro e qual
a importância desse mercado para eles.
Foi também criado o consórcio Iniciativa Amazônica
(IA) buscando implementar programas colaborativos em pesquisa e
desenvolvimento que identifiquem e promovam sistemas sustentáveis
de uso da terra na região, com a participação
das seis empresas de pesquisa agrícola (NARS) dos países
da Região Amazônica, assim como quatro centros de pesquisa
do grupo consultivo em pesquisa agrícola internacional (CGIAR).
Na realidade, o nosso objetivo principal deverá ser o de
promover a transformação do MERCOSUL, de mercado comum
dos países do Cone Sul para o mercado comum dos países
da América do Sul. Com a integração econômica
obtida, fica mais fácil obter também a integração
nas demais expressões do Poder Nacional. |