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Irm Marcos
Coimbra
As últimas notícias
divulgadas pela imprensa representam infelizmente a realidade triste
e atual da sociedade brasileira. Sempre defendemos a tese de que
não existe um governo, mas sim uma administração,
exercida pelo presidente da República, pois existem três
poderes harmônicos e independentes: o Executivo, o Legislativo
e o Judiciário. No momento, a chefia do Poder Executivo está
nas mãos do Sr. Luiz Inácio Lula da Silva. O Legislativo
possui no Senado a figura do ex-presidente da República,
Sr. José Sarney e na Câmara dos Deputados, o Sr. João
Paulo Cunha. No Judiciário, assumiu recentemente o comando
do Supremo Tribunal Federal, o Sr. Nelson Jobim, ex-líder
da bancada no STF do antigo presidente FHC. Assim, o Sr. Lula dirige
o Executivo, mas não deveria comandar também os outros
Poderes. Deveria ser desta forma na teoria. Contudo, na prática
o Executivo manipula tudo.
O Legislativo tem assumido uma
postura submissa, inaceitável, principalmente considerando-se
o ilustre passado outrora independente e altaneiro dos nossos congressistas.
A aprovação pela Câmara dos Deputados do humilhante
salário mínimo de R$ 260,00, "por coincidência"
no mesmo dia em que o Diário Oficial publicava a liberação
de emendas orçamentárias no valor de R$ 200 milhões
para deputados, leva-nos à reflexão. Em um exercício
de ficção, suponhamos que 200 deputados tenham sido
agraciados, cada um, com uma verba de R$ 1 milhão para emprego
em seu reduto eleitoral. 10% de um milhão representam R$
100 mil. O salário mínimo foi aprovado por cerca de
200 deputados de outros partidos mais os votos dos membros do PT,
com exceção de 5, que votaram contra e 5 abstenções.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
recomendou uma profilática medida de diminuição
de mais de 8.000 vereadores. A Câmara dos Deputados reduziu
o corte em 3.000 vereadores e o Senado discute agora o assunto.
Para um país em que não há recursos para investimentos
no desenvolvimento, nem na segurança, a economia de recursos
poderia ser até maior, com o corte de um quantitativo mais
expressivo de vereadores que nada fazem de útil. Acabam aprovando,
com raras exceções, tudo aquilo enviado pelos respectivos
executivos municipais, apenas encarecendo os custos, devido à
realidade das barganhas políticas. O mesmo raciocínio
é válido para o Senado e para a Câmara. Poderiam
ter maior representatividade, com um número muito menor de
congressistas. A discussão sobre a emenda que permite a reeleição
das mesas diretoras das duas Casas e a aprovação do
nome de um Senador, acusado de desvio de verbas do BNDES, para o
Tribunal de Contas da União, órgão responsável
justamente pela assessoria ao Legislativo no referente ao controle
do emprego de verbas de entidades públicas, retrata o grau
de insensibilidade destas autoridades diante da pobreza e miséria
do povo brasileiro.
No Judiciário, presenciamos
a inoportuna pressão do ministro da Previdência Social
sobre o STF, pedindo e sendo recebido em audiência pelo seu
novo Presidente, na tentativa de modificar a tendência daquela
Alta Corte em julgar inconstitucional a taxação dos
servidores públicos inativos. Em paralelo, cresce a pressão
para que o "famigerado controle externo do Judiciário"
seja implantado. Apesar da rejeição à autoritária
medida expressa pela maioria dos magistrados brasileiros, o novo
presidente do STF aceita acatar a imposição. Afinal,
os ministros das Altas Cortes judiciárias já são
incorretamente indicados pelo presidente da República e geralmente
aprovados pelo Congresso, sem contestação. O ex-presidente
FHC indicou três dos onze integrantes do STF e o atual presidente
Lula já está colocando o seu terceiro candidato. Isto
não representa uma indevida intromissão de um Poder
em outro? E para agravar o panorama, o Executivo, em especial federal,
pratica com despudor a litigância de má fé,
postergando pagamentos devidos, já consagrados pela jurisprudência,
como, por exemplo, na correção do FGTS, imposto pelo
expurgo de planos econômicos, através de sórdidos
recursos, como a contestação de valores indenizatórios
por peritos, apenas para atrasar o pagamento das importâncias
a serem pagas.
No Executivo, torna-se evidente
a cada dia que passa, a ausência de um projeto nacional de
desenvolvimento de segurança, bem como a incompetência
gerencial e administrativa da administração federal.
A sucessão de escândalos anestesia e paralisa a máquina
burocrática pública. O PIB cai e a carga tributária
aumenta para os assalariados, pensionistas e aposentados. A taxa
Selic de juros permanece no imoral patamar de 16% anual, representando
cerca de 9% de taxa real de juros, a segunda maior do mundo, atrás
apenas da Turquia.
Autoridades federais afirmam barbaridades, tais como dados falsos
sobe o desmatamento da Amazônia, confundindo Amazônia
Real com Amazônia Legal e informações equivocadas
sobre o déficit falso da previdência. Ignoram solenemente
que importantes fontes de financiamento da seguridade social, como
a COFINS, a CS Lucro Líquido e a CPMFF são criminosamente
desviadas dos seus objetivos para pagamento de juros da dívida
pública. O superávit primário ultrapassa as
já absurdas metas fixadas com o FMI, enquanto prosperam o
desemprego, a miséria e a exclusão social.
Dezenas de milhares de cargos são ocupados por hordas de
"companheiros", recebendo polpudos salários e engordando
a "caixinha" do partido oficial. Grande parte da redação
de empresas de comunicação (TV, rádios, jornais,
revistas) transforma-se em "balcões de negócios",
com o objetivo somente de faturar verbas de publicidade, especialmente
institucionais. As instituições nacionais vão
sendo progressivamente deterioradas e as ONGs vão assumindo
o controle do país, com o alijamento dos canais institucionais
legais.
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