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Irm.
Marcos Coimbra
Segundo o economista e jornalista Ib Teixeira, da FGV, em seu livro
"A violência sem retoque", em 2001, o Brasil desperdiçou
R$ 112 bilhões em gastos e perdas decorrentes da violência.
O autor estimou ainda que as despesas e prejuízos relacionados
ao crime já movimentam cerca de 10% do PIB do Brasil. Ou
seja, no ano atual, em torno de R$ 150 bilhões. Os cálculos
levam em conta gastos com segurança previstos no orçamento
da União, Estados e Municípios, desembolsos das empresas
com seguros e sistemas de vigilância, perdas de vida e patrimônio
em decorrência de homicídios, roubos e furtos. Não
foram, contudo, estimados os investimentos que o crime tira do país.
No ano citado, 380 mil carros foram roubados ou furtados no Brasil,
o equivalente a 21% do total da indústria automobilística,
no mesmo ano. Havia, naquele ano, 100 mil veículos blindados.
O setor privado gastou R$ 5 bilhões na contratação
de vigilantes e havia 313 empresas de segurança oficialmente
cadastradas e outras 300 na ilegalidade, naquele ano.
Para uma melhor apreciação da realidade brasileira,
na madrugada do dia 15 de setembro, um ônibus transportando
46 homens da Polícia Militar da Paraíba foi assaltado
por quatro bandidos em Pernambuco. Os militares (6 oficiais, 35
cadetes e cinco praças) viajavam desarmados para a Bahia,
onde participariam de jogos acadêmicos em Salvador. Havia
ainda dois motoristas civis na viatura. Todos ficaram sem dinheiro,
celulares, relógios e até sem o material desportivo
com o qual disputariam o campeonato. Parte da bagagem também
foi levada. O assalto ocorreu na BR-101, na altura de Palmares,
a cem km do Recife. São os primeiros resultados concretos
da aplicação do famigerado "estatuto do desarmamento".
Pela nova legislação, os policiais militares e civis
apenas podem transportar armas para sua defesa, dentro do Estado
onde atuam. A legislação é tão draconiana
que atinge até os militares da reserva. Para exercer o direito
de porte de arma, assegurado pelo Estatuto dos Militares, terão
também, como os civis, de, a cada três anos, submeter-se
a testes psicotécnicos e pagar a taxa estipulada, a partir
da 3ª arma, inclusive, para poder obter a documentação
hábil. É de estarrecer! Imaginem um general de quatro
estrelas na reserva remunerada, sendo preso por uma autoridade policial,
por estar portando sua arma pessoal, sem a submissão à
absurda legislação.
Tudo isto por imposição da IANSA-International Action
Network of Small Arms - IANSA, uma rede de ONGs estabelecida para
atuar como uma central de coordenação de campanha
internacional do desarmamento, que atua no Brasil através
de suas associadas Viva Rio, Sou da Paz e congêneres. A violência,
ao invés de diminuir, continua a aumentar e o cidadão
não possui mais o direito de exercer a legítima defesa,
com possibilidade de sucesso. A mais importante rede de comunicação
do país continua a realizar uma verdadeira "lavagem
cerebral" na população, tentando "vender"
a idéia da validade do desarmamento da população
ordeira e honesta. Os marginais deliciam-se com a certeza de que
não serão obstados em sua nefasta ação.
O cidadão está proibido de agir e a polícia
enfrenta limitações de tal ordem, que não consegue
garantir a segurança e o império da lei e da ordem.
Enquanto isto, aqueles que impuseram e aprovaram tal absurdo estão
em carros blindados, protegidos pelo aparato de segurança
do Estado ou das empresas privadas de segurança, tudo pago,
direta ou indiretamente, pelo povo.
Considerando o contexto atual, onde presenciamos a ação
predatória do MST no campo, sem limite ou controle, a campanha
para diminuição das penalidades sobre os crimes hediondos,
a tentativa de controle da imprensa e de outros meios de comunicação,
o combate sem trégua à ação das polícias,
o esforço no sentido de impedir a atuação das
Forças Armadas, através da retirada de recursos orçamentários
e desvio de função, a imposição de controle
externo ao Judiciário, a experiência histórica
da implantação de ditaduras no mundo, principiando
com o desarmamento da população digna e de bons costumes,
fica à reflexão dos cidadãos, quais os verdadeiros
motivos que originaram a criação e implantação
desta barbaridade. |