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Irm Marcos
Coimbra
Dentro das diretrizes impostas pelo FMI às diversas administrações
brasileiras, em seus sucessivos acordos, figura a mudança
profunda na previdência social adotada pelo Brasil. Na administração
anterior, a reforma foi tentada, mas não concretizada totalmente,
em função da reação adversa provocada
na opinião pública. Só parte dela foi implementada,
daí resultando o "pedágio", pago pelos pobres
trabalhadores, em função da quebra das regras do jogo
vigentes. Agora, a cruel medida voltou a ser apresentada ao Congresso,
elaborada pela mesma equipe que tinha planejado a anterior, inclusive
com integrantes pertencentes ao atual núcleo duro do Planalto,
tendo sido aprovada, inclusive em seus aspectos mais nefastos. A
verdadeira razão da necessidade de sua implementação
reside apenas em proporcionar lucros vultosos aos fundos privados
de pensões, principalmente estrangeiros, interessados em
explorar mais o já sofrido povo brasileiro.
O segredo de tudo está na fixação do teto máximo
de R$2.400,00, como limite superior de benefícios. Qualquer
cidadão consciente sabe que esta renda é insuficiente
para garantia de uma vida digna para si e sua família, na
velhice, e assim será obrigado a recorrer a um fundo de previdência
complementar. Para celetistas não há saída.
Estão condenados a ingressar em um plano privado de previdência.
Para os servidores públicos, duas opções. Ou
participar de um fundo fechado, a exemplo da PREVI, ou também
entrar em um fundo privado. A PREVI, apontada como modelo pelos
defensores da radical mudança, padece de sérios problemas.
Este ano mesmo, em junho, deixou de reajustar os seus benefícios
de acordo com as cláusulas impostas por ela própria,
anteriormente, aos seus associados, dando um "calote"
de cerca de 12%, medida que está sendo questionada na Justiça.
Além disto, alterou, arbitrariamente, o índice para
os reajustes futuros, sem consulta ao corpo de associados. É
chefiada por uma diretoria composta, metade por membros indicados
pelo patrão, e a outra metade por associados eleitos. Por
"coincidência", quase todos pertencentes à
mesma facção do mesmo partido político. Quem
a controla possui um poder incomensurável. Decidir quem será
o vencedor dos leilões de privatizações, passando
pela nomeação de uma centena de membros de conselhos
de administração das empresas mais rentáveis
do Brasil, todos remunerados regiamente, até influir na destinação
de verbas para propaganda eleitoral das mesmas empresas nas eleições.
Imaginem
nos demais fundos e nos que serão inflados ou criados pelas
novas regras. A realidade é que a previdência não
é deficitária, como a sórdida campanha desencadeada
pela mídia amestrada procura demonstrar. Se não houvesse
o desvio, para o pagamento de juros da dívida, da COFINS
(Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social),
da CPMF e outras, ela já seria amplamente superavitária.
É preciso não esquecer que, de um modo geral, o governo,
em seus três níveis, não contribui com a contrapartida
à contribuição dos seus servidores. É
preciso indagar onde está o montante arrecadado ao longo
dos últimos sessenta anos, a título de contribuição
para a previdência social, dos trabalhadores brasileiros.
O valor estava em torno de um trilhão de reais, atualizado,
segundo cálculos conservadores. Que tal combater a sonegação,
as isenções indevidas, o desperdício, a corrupção,
aplicar adequadamente os valores arrecadados e o assistencialismo
irresponsável, como o pagamento de benefícios sem
contribuição?
Existem
carreiras de Estado, como a Magistratura, o Ministério Público,
a Diplomacia, a Carreira das Armas e outras que devem ser obrigatoriamente
cobertas totalmente por ele, sob pena de seu desaparecimento progressivo.
Resta o recurso à Justiça, pois a citada reforma fere
cláusulas pétreas da Constituição. |