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Irm
Marcos Coimbra
Existem
seis crises mundiais que ameaçam a sobrevivência da
espécie humana no atual milênio: energia, alimentos,
água doce, matérias primas de natureza mineral, bens
do reino vegetal e produtos de origem animal. As nações
produtoras vão sofrer carências severas desta gama
de recursos vitais. E elas não querem diminuir seu padrão
de consumo. Por estas razões não lhes interessam o
crescimento de nações emergentes, como o Brasil, a
China, a Índia, capazes de assumirem o "status"
de nações perturbadoras da ordem internacional estabelecida
pelos "donos do mundo". Querem continuar a explorá-las
ao longo do tempo.
O Brasil nunca esteve tão ameaçado em sua história,
quanto no momento presente. Os chamados "centros de irradiação
de prestígio cultural" (Meios de comunicação
de massa, Universidades, Escolas, Teatro, Cinema e outros) são
usados pelos detentores do poder econômico, pelo sistema financeiro
internacional, pela Trilateral, os quais vão utilizando o
Diálogo Interamericano, o Consenso de Washington, o G-7,
liderados pela potência hegemônica para propagar e impor
os seus nefastos propósitos. Através da venda da idéia
de que a "globalização" é um fato
irreversível, procuram destruir o Estado Nacional Soberano,
extinguir as Forças Armadas, fazer vingar a tese da Soberania
Relativa, forçar a privatização selvagem, a
abertura econômica irrestrita, enfim a derrocada de todas
as Instituições Nacionais.
A globalização nada mais é do que um apelido
moderno para o neocolonialismo. Há quatrocentos anos atrás,
em plena vigência do colonialismo no mundo, quem iria imaginar
que a Inglaterra deixaria de ser o império onde o sol nunca
se escondia, algum dia? Que a China, a Índia, os EUA, o Brasil
e outros países conseguiriam obter suas respectivas independências
políticas e alguns até mesmo a liberdade econômica,
apesar do poder militar, representado concretamente pela maior esquadra
do mundo, a inglesa? Simplesmente agora as relações
de poder são mais sutis. Concederam a independência
política, mas mantiveram os laços de dominação
econômicos e tecnológicos, além de um controle
total dos armamentos de destruição de massa, como
os artefatos nucleares. Somente os eleitos podem possuir este tipo
de armamento. Quem cair em desgraça poderá ser destruído
e eles não correrão o risco de serem sequer ameaçados.
Esta era a proposta inicial. Através da pressão diplomática
e da "lavagem cerebral" empreendida pela mídia
mundial, foram impondo estas condições e os países
periféricos, administrados pelos representantes desta oligarquia
mundial, foram aderindo, inclusive, recentemente, o Brasil. Pretendem
proibir até a posse de armas de fogo pelos cidadãos,
bem como controlar todo o estoque mundial de armas e munições
para facilitar a implantação de um "governo mundial",
dotado de uma "força de paz supranacional", obviamente
comandada por eles. Os EUA representam um simples "gendarme"
do sistema financeiro nacional, a ponto de não ter haver
mais o menor significado o resultado de suas eleições
presidenciais.
A Amazônia, por exemplo, corria mais risco de ser desnacionalizada,
a curto prazo, numa administração democrática.
Al Gore, um dos seus principais líderes, já declarou
publicamente diversas vezes não pertencer ela aos seus possuidores
legítimos, mas sim a eles. Mas nem tudo corre como eles querem.
Alguns países, como Israel, China, Índia e Paquistão
reagiram e conseguiram a obtenção de poder nuclear
próprio. É uma ameaça para a concretização
dos projetos dos "donos do mundo".
Os efeitos da adoção da globalização
no Brasil são calamitosos. Começa pela Cultura. Grande
parte da população já está persuadida
de que não vale mais a pena lutar contra este "fenômeno
irreversível". Consideram-se colonizados de novo. Conseguiram
destruir não só a vontade de lutar, bem como sentimentos
nobres, legados por nossos antepassados, como amor à Pátria,
coragem, persistência na luta pela conquista dos Objetivos
Nacionais Permanentes, desapego a bens materiais, esperança
de dias melhores não só para esta geração,
mas principalmente para as gerações futuras, de milhões
de brasileiros.
Mas ainda existem milhões de brasileiros com vontade de lutar,
seja qual for a arma a ser utilizada. Corações e mentes
são mais importantes do que aparato bélico. O pequeno
Vietnã ensinou uma dura lição à potência
hegemônica do mundo. Contudo, depois do conflito bélico,
perderam a guerra da auto-estima. Em paralelo, nossa indústria
ou é vendida para alienígenas ou fecha. O desemprego
continua em torno de 18% da população economicamente
ativa, segundo o DIEESE. O cidadão vai perdendo sua dignidade
e aceitando remunerações ínfimas, sem a devida
proteção trabalhista, através de mecanismos
ditos modernos, como a reengenharia e a terceirização.
E o pior, a esperança desaparece. O povo começa a
ficar sem perspectivas.
Temos então a explicação para a desesperada
tentativa feita pelas nações mais desenvolvidas para
impedir o progresso do Brasil, procurando quebrar a Integridade
do Patrimônio Nacional. Movimentos separatistas são
estimulados do exterior, no Sul e no Nordeste. Isto é crime
de lesa-pátria! É traição à pátria!
Atingindo o Estado Nacional Soberano, enfraquecem-nos, tornando
mais fácil disseminar a cizânia entre nós, para
procurar evitar que nosso país alcance o patamar de potência
emergente. Só para exemplificar: 20% das reservas de água
doce no mundo pertencem ao Brasil (15% na Amazônia) e o segundo
país, o Canadá, tem apenas 14% das reservas mundiais
e isto contando as águas contidas nas geleiras. Neste século,
a água potável vai tornar-se cada vez mais rara. E
nós a temos em abundância. Vamos continuar a luta para
que o Brasil ocupe o lugar que merece no contexto mundial e seus
habitantes possuam uma vida mais digna. Resistir é preciso!
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