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Irm.
Marcos Coimbra
A
principal meta econômica da atual administração
Lula continua a ser a mesma de FHC, ou seja, a garantia da estabilidade
monetária para atender às imposições
dos "donos do mundo", impostas pelos seus instrumentos
de ação, como o FMI, a OMC, o BIRD, o BID, além
do Diálogo Interamericano, secundados por milhares de ONGs.
A desculpa apresentada, como sempre, pelo não cumprimento
das tradicionais diretrizes do PT, na época da oposição,
é a de manter condições de governabilidade.
Os principais meios empregados pelas atuais autoridades econômicas
são o arremedo de reforma tributária, que, na realidade,
constou da prorrogação da Desvinculação
das Receitas da União (DRU), em 20%, e da CPMF, por mais
quatro anos, da criação de mais tributos e contribuições,
do compartilhamento da CIDE e de outros impostos regulatórios,
trazendo como conseqüência o aumento da carga tributária
para cerca de 40% do PIB no corrente ano (podendo chegar a 42%,
em futuro próximo). Além disso, a suicida meta de
superávit primário de 4,25% do PIB, ultrapassada pelos
novos neoliberais no poder, para mais de 5% do PIB, e a não
menos dramática manutenção da taxa real de
juros em indecorosos 16%, resultando daí uma taxa real de
juros em torno de 9% ao ano.
As outras exigências dos verdadeiros detentores do poder mundial,
controladores do sistema financeiro mundial e brasileiro são
a proibição do controle de capitais e de moratória,
bem como da capacidade de elaboração de uma política
de comércio exterior autônoma. A adoção
de uma política monetária rígida, seguida da
implementação das "reformas estruturais"
(previdenciária, judiciária, implantação
das PPP e outras). A meta de inflação é de
5,5% ao ano para 2004, com a possibilidade de um intervalo de 2,5%
para mais ou menos.
Nas demais expressões do Poder Nacional, diagnosticamos na
política a tentativa de imposição da reforma
do Judiciário, além da luta pela imposição
da PPP (Parceria Público-Privada), ambas exigências
do FMI, a ausência de um projeto para a Amazônia e o
estupro da Sociedade Brasileira com a execução, antes
de ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal, do famigerado estatuto
do desarmamento, medida adotada por praticamente todas as ditaduras
do mundo, antes da tomada violenta do Poder, facilitada pelo desarmamento
da população e pelo aumento do poderio bélico
dos braços armados dos adeptos de um novo regime. Na expressão
psicossocial, a reforma da previdência, também imposta
pelo FMI, com o crescente desvio de suas fontes de recursos, como
a COFINS (Contribuição para Financiamento da Seguridade
Social) para o pagamento dos juros da dívida interna, orçados
em R$ 180 bilhões para o ano de 2004. E a mídia amestrada
continua a propalar, mesmo sabendo que é inverdade, a existência
de déficit na previdência social. Até maio,
a COFINS arrecadou cerca de R$ 26 bilhões,enquanto o déficit
da previdência pública somado ao do INSS ficou em cerca
de R$ 20 bilhões. É implantado um sistema de cotas
para descendentes da raça negra e para alunos do ensino público
de 2° grau para o ingresso no ensino superior público
contrariando a Constituição Federal em vigor. E sete
famílias continuam a exercer a ditadura do cartel dos meios
de comunicação.
Na expressão militar, a imposição do ministério
da Defesa e o progressivo afastamento dos militares do centro político
de decisão e o desvirtuamento de suas funções,
com a criação de outras atividades para as Forças
Armadas distintas da sua finalidade. Na expressão científico-tecnológica,
a inexistência de uma política, resultando na deterioração
progressiva dos centros brasileiros de pesquisa, no baixo número
de registro de marcas e patentes, no êxodo de cientistas,
enfim na crescente dependência do exterior.
As conseqüências na expressão econômica
são uma dívida interna superior a R$ 1 bilhão,
uma dívida líquida total da União em cerca
de R$ 1.200 milhões, uma dívida interna e externa,
privada e pública em torno de 100% do PIB, um déficit
público nominal de cerca de 4% do PIB, uma queda na participação
dos salários na renda nacional para 26% do total. A taxa
de inflação deverá situar-se em cerca de 7%.
Está previsto um saldo positivo na balança comercial
de US$ 28 bilhões e um superávit de US$ 2,5 bilhões
no Balanço de Pagamentos em Transações Correntes.
Contudo, os investimentos diretos não deverão ultrapassar
a marca de US$ 10 bilhões no decorrer do ano em curso e as
amortizações da dívida ficarão em US$
35 bilhões. Reservas líquidas de US$ 22 bilhões
e a perspectiva de um crescimento medíocre do PIB de 3,5%,
comparado a uma base extremamente fraca. E o pior. A crescente desnacionalização
da Economia e destruição do parque produtivo.
Nas outras expressões, na política presenciamos a
existência de um Congresso submisso e de um Judiciário
acuado. O aparelhamento partidário da máquina governamental,
representada pela nomeação de cerca de 30.000 filiados
dos partidos no poder, somente na administração federal,
além de mais de 30 ministros ou cargos equivalentes. Uma
corrupção descontrolada, a perda da Soberania Nacional,
a destruição do Estado Nacional Soberano e a marcha
para implantação do partido único. Na psicosssocial,
a taxa de desemprego pelo DIEESE medida em 19% e a do IBGE em torno
de 12% da PEA. Um desemprego de 1,9 milhões de trabalhadores
apenas em São Paulo. Mais de 55% da população
ocupada sem a carteira profissional devidamente registrada. O aumento
da inadimplência, a maioria dos meios de comunicação
a serviço de interesses vis e o colapso nos sistemas públicos
de saúde, educação e segurança, devido
à falta de recursos, enquanto foram pagos R$ 145 bilhões
de juros da dívida interna no ano em curso. As reformas previdenciária
e administrativa ferindo direitos adquiridos, fazendo o trabalhador
voltar à escravatura e a lavagem cerebral empreendida pelos
centros de irradiação de prestígio cultural.
Na expressão militar, a queda nos percentuais orçamentários
destinados às Forças Armadas, afetando o padrão
de vida, as condições de adestramento e aprestamento
dos seus componentes, bem como o investimento necessário.
Em paralelo, uma sórdida campanha adversa, a falta de motivação
e o seu sucateamento. Na científico-tecnológica, recursos
insuficientes para a pesquisa, crescente dependência tecnológica
e obstáculos crescentes ao avanço da tecnologia autônoma.
Na
semana passada, apresentamos a primeira parte desta análise,
realçando a problemática existente. Hoje, vamos continuar
o estudo, apresentando as sugestões de política e
respectivas estratégias a serem implementadas, para tentativa
de correção da situação diagnosticada.
A) Procurar pleno emprego dos fatores de produção:
A1) Estimular o "Agronegócio " e setor terciário,
aumentando a destinação de recursos para: a) setor
secundário e Setor terciário; b) ciência e tecnologia,
pesquisa e desenvolvimento; c)
educação
básica e profissionalizante; A2) Obter estágio de
industrialização mais avançado, por intermédio
da inserção soberana do Brasil na Economia Internacional,
da utilização de tecnologia de ponta, do aumento da
exportação de manufaturados e de incremento da produção
interna voltada para a demanda interna, possibilitando: a) aumento
do consumo interno e tecnologia industrial mais avançada;
b) autonomia energética nacional; A3) Gerar empregos, em
especial através da atuação do BNDES; A4) Diminuir
taxa de juros;
B)
Recuperar capacidade nacional de investimento , aumentando a Formação
Bruta de Capital Fixo em 10%; B1) Reformular a Política fiscal
fazendo o PIB crescer a 7% a.a., com o aumento da receita tributária
e a diminuição da despesa tributária,gerando
um superávit de 6%, retornando o setor público à
condição de superavitário; B2) Utilizar as
reservas financeiras das empresas (4% de PIB); B3) Obter o reingresso
dos recursos adicionais emigrados para o exterior; B4) manter a
poupança externa de risco para empreendimentos específicos;
C)
Obter a inserção soberana do Brasil na economia internacional,
por intermédio das políticas cambial, de comércio
exterior e de administração da dívida externa;
C1) Assegurar a expressividade da taxa de câmbio, supervisionando
administrativamente o orçamento cambial; C2) Fixar o nível
de proteção aduaneira à produção
interna; C3) Estimular o reingresso de capital dos residentes; C4)
Renegociar dívida externa, submetendo-a à auditoria;
C5) Não renovar o acordo com o FMI;
D)
Proceder a uma reforma tributária real;
E)
Restaurar a autoridade e a capacidade de iniciativa e de decisão
da gestão político-administrativa do Estado; E1) Adotar
um novo pacto federalista, propiciando maior integração
entre União, Estados e Municípios; E2) Implementar
Reforma Política, objetivando aumentar a representatividade
dos eleitores, procedendo a: a) Alteração da legislação
eleitoral (horário gratuito, financiamento das campanhas,
emissão de comprovante do voto eletrônico, justiça
eleitoral permanente); b) Transparência de campanhas e de
declaração de bens de todos os políticos; c)
Proibição do nepotismo e Lei de Inelegebilidades mais
severa; d)Proibição de reeleição.
F)
Restabelecer a autonomia do Judiciário e do Legislativo,
recuperando o sistema de contrapesos entre os três Poderes:
F1) Escolher os integrantes das Altas Cortes por mérito e
não por indicação política; F2) Extinguir
a DRU e distribuir honestamente as Emendas Orçamentárias
;
G)
Fortalecer a Infra-estrutura social (educação, saúde
e segurança); G1) Aumentar a participação quantitativa
e qualitativa do Setor Público nos três segmentos;
G2) Estimular a Iniciativa Privada nos setores de educação
e saúde, em caráter complementar; G3) Desvincular
as Polícias Militares e Civis do comando dos Estados, subordinando-as
à Inspetoria-Geral das Polícias, no âmbito da
Força Terrestre;
H)
Eliminar o cartel no setor de imprensa no país, através
do incentivo à regionalização e descentralização;
H1) Rever as concessões existentes, alterando as regras em
vigor (estímulo às redes regionais e proibição
de empresários com redes de TVS, rádios, jornais e
revistas);
I)
Restabelecer os ministérios Militares, com extinção
do ministério da Defesa e vinculação de verbas
no Orçamento em % do PIB;
J)
Implantar um Projeto Nacional de Desenvolvimento Científico-Tecnológico,
com vinculação de verbas no Orçamento em %
do PIB;
L)
Implementar um Projeto de Ocupação da Amazônia,
com políticas e estratégias vinculadas a prazos e
recursos orçamentários.
Concluindo, o Brasil tem todas as condições de ser,
em conjunto com a China, a potência do terceiro milênio,
possuindo recursos naturais, dimensão e população
expressiva. Porém, para isto há a imperiosa necessidade
da inserção soberana do país no mercado internacional,
a proibição da continuação da "doação"
de nossas empresas por "papel-pintado", vendendo bens
estratégicos por preços ínfimos, a elevação
da auto-estima, da capacidade de crença do povo brasileiro
por seu futuro. Além disto, a alteração do
modelo econômico para a sua antítese, contendo um plano
nacional de desenvolvimento, uma revolução educacional
para transformação da mente do nosso povo, mais trabalho,
mais honestidade, mais civismo, mais patriotismo, mais capacidade
de realização.
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