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Irm Marcos
Coimbra
O
Brasil atravessa momentos difíceis de sua História.
A implantação das idéias neoliberais, sob o
pretexto da globalização, vendida como verdade absoluta
pela mídia amestrada, provocou conseqüências danosas
ao nosso país. A administração política
foi entregue a meros representantes do capital transnacional, apátrida.
Antigas autoridades, ao abandonar seus cargos, já começaram
a usufruir benesses no exterior. FMI, Banco Mundial e bancos particulares
são destinos naturais de quem se acostumou a colocar os interesses
externos e particulares acima dos interesses nacionais.
A expressão econômica do poder nacional está
sendo destruída, passo a passo. A economia, em processo de
estagnação, vai se desnacionalizando, a cada momento.
A cada ano, é motivo de preocupação o aumento
do endividamento público interno e externo, a ponto de até
o atual presidente do Senado, Sr. José Sarney, em declaração
do final do ano passado, sonegada pela grande mídia, ter
afirmado que seria necessário uma renegociação
do seu valor. Em 2004, a Nação pagará cerca
de US$ 45 bilhões de juros da dívida externa e de
amortização da dívida externa. Cada vez mais
aumenta a remessa de lucros e dividendos. O patrimônio nacional
diminui, “doado” a empresas estrangeiras. Na infra-estrutura
econômica, perdemos o estratégico setor de comunicações.
Na energia, já fomos forçados, em passado recente,
com a possibilidade de tornar a ocorrer novamente, a aceitar um
ridículo racionamento, no terceiro milênio, em um país
que é detentor da maior reserva de água doce do mundo,
dentre outros recursos energéticos abundantes. O setor transportes
ou está deteriorado ou entregue ao apetite voraz de grandes
empresas privadas e empreiteiras. O empresário privado nacional
é uma espécie em extinção. Os banqueiros,
cada vez ganhando mais, alcançando os maiores bancos do país
cerca de 17 bilhões de reais de lucro, no ano de 2003. O
país pagou, nos últimos doze meses, cerca de R$ 150
bilhões de juros da dívida interna.
Investem em saúde em torno de 20% deste valor.
Menos ainda em educação. A segurança pública
inexiste. Crescem as razões de insegurança em toda
a Nação. Estouram crimes hediondos em todo o país.
O MST invade terras produtivas, a Justiça concede a reintegração
de posse e nada acontece. Autoridades estaduais pertencentes ao
PT impedem que as ordens judiciais sejam cumpridas. A taxa de desemprego
chega a mais de 18% da população economicamente ativa,
de acordo com o DIEESE. Os salários reais diminuem a cada
período de tempo. A concentração de renda,
medida pelo coeficiente de Gini, alcança 0,60, indicando
uma das maiores concentrações de renda do mundo. Os
indicadores de desenvolvimento humano apontam o Brasil nivelado
aos países mais miseráveis da Terra. Cresce a ocupação
real da Amazônia pelos estrangeiros. As Forças Armadas
não estão equipadas de acordo com a estatura político-estratégica
do país.
De fato, o Brasil está ameaçado de
não atingir os objetivos fixados por nossos antepassados.
Os de alcançar o patamar das nações mais desenvolvidas
do mundo, oferecendo condições dignas de vida ao seu
povo. Para isto, é necessário reverter o atual quadro,
voltando a ter como referência os Objetivos Nacionais Permanentes,
elaborando um Plano Nacional de Desenvolvimento e implementando-o,
através de técnicos nacionais competentes. Analisando
o atual quadro, o panorama é preocupante. Os “donos
do mundo” continuam no poder no país, mesmo após
a eleição de Lula, utilizando seu avassalador poder
econômico e o domínio da mídia amestrada.
Chega a ser assustador o grau de apatia das elites
dirigentes e a manipulação do povo brasileiro como
massa de manobra, iludido por utopias diversionistas. Nunca o povo
brasileiro foi tão explorado e humilhado. Com o escândalo
Waldomiro, e a negativa da administração Lula em permitir
a instalação sequer da CPI dos Bingos, diminuem muito
as possibilidades de sua reeleição. Novos escândalos
vão surgindo e sendo devidamente abafados. Mas o cidadão
brasileiro não é burro. A partir de agora, a omissão
será cobrada dia a dia, representando uma verdadeira vitória
de Pirro. As eleições municipais de 2004 já
deverão mostrar o novo panorama. Já voltam a falar
na hipótese de o ex-presidente FHC ser de novo candidato,
em 2006. Bem, no Brasil de hoje, tudo é possível.
Agora, o que não é possível é a manutenção
da atual situação de extrema vulnerabilidade da economia
brasileira, sujeita a abalos, em função de avaliações
feitas por agências de risco estrangeiras, apenas interessadas
em especular e ganhar dinheiro fácil. |