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Irm Marcos
Coimbra
Os senhores da
guerra invadiram, no ano passado, o Afeganistão, a pretexto
de combate ao terrorismo internacional. A verdadeira razão
reside na estratégica posição daquele país,
para construção de oleoduto com o objetivo de transportar
petróleo do coração da Ásia para o porto
adequado. Este ano foi a vez do Iraque. Com a desculpa de que Saddam
Hussein teria armas de destruição em massa, foi concretizado
o massacre do perigoso país ameaçador. Milhares de
mortos, feridos e prisioneiros, sem direito à defesa. As
causas de fato foram:
a) a conversão das reservas iraquianas de dólar para
euro, há aproximadamente três anos atrás;
b) a posse da segunda maior reserva mundial petrolífera;
c) a posse de imensas reservas de água, valiosas em especial
em uma região desértica;
d) a oportunidade de reconstrução daquilo que foi
destruído, ao custo de mais de cem bilhões de dólares,
a serem entregues a empresas ligadas à atual administração,
generosas financiadoras de campanhas eleitorais nos EUA e em outros
países.
São os modernos corsários, possuidores de licença
para matar. A Economia norte-americana continua em crise. O desemprego
ultrapassa 6,1% da população economicamente ativa.
Sucessivos déficits acendem as luzes vermelhas no painel
de controle dos analistas do mercado financeiro mundial. Os EUA
importam praticamente tudo dos outros países. São
auto-suficientes na produção bélica e de alimentos.
Exportam tecnologia de ponta para o resto do mundo e, no momento,
possuem o poder real de destruir qualquer nação que
não se submeta a seus interesses. Justificativas não
faltam. Até hoje não foram encontradas as tão
decantadas armas iraquianas de destruição em massa.
Nem precisa. Para quê? Os objetivos reais foram alcançados.
Está
prevista uma recuperação da atividade econômica
norte-americana, a partir do domínio e venda dos recursos
naturais iraquianos. A perspectiva do retorno do governo ao povo
do Iraque é cada vez mais remota. O controle é mesmo
dos "falcões-galinha" do Pentágono que,
depois, deverão passar a administração a um
governo de "fantoches", dominados por eles, a exemplo
de outros países. Se houver eleição livre,
os xiitas ganharão e surgirá mais um regime teocrático,
muito distante do sonho da democracia norte-americana, praticada
por eles. Talvez utilizem até a nossa famosa "urna eletrônica".
A dúvida
agora é sobre qual será o país da vez, a ser
"libertado" pelos rambos modernos. A pista pode estar
na referência ao denominado "eixo do mal", constituído
por Irã, Coréia do Norte e Cuba. Se as razões
fossem as proclamadas, o país premiado deveria ser Cuba,
pela proximidade, ou a Coréia do Norte, pelo perigo concreto.
Mas, como são, na realidade, econômicas, o agraciado
deverá ser o Irã, por possuir petróleo abundante
e por não possuir ainda artefatos nucleares operacionais.
A desculpa deverá ser, mais uma vez, impedir que aquele país
tenha acesso à tecnologia nuclear. A ONU está desmoralizada
e, caso desapareça, ninguém sentirá falta.
A lei é a do mais forte. Manda quem pode. Obedece quem tem
juízo.
Mas fica uma
preocupação para nós, brasileiros. Olhando
o mundo, existem poucos outros países, indefesos, capazes
de despertar a cobiça altruísta de libertação
nos senhores da guerra. A abundância de recursos naturais,
da água ao titânio, passando agora pelo petróleo,
sua extensão territorial e a fragilidade de nossas Forças
Armadas conformam um quadro preocupante. De fato, há um plano
arquitetado pelos "donos do mundo" de enfraquecer as Forças
Armadas dos países emergentes, sufocando-as financeira e
economicamente. Além disto, é proibido o acesso à
moderna tecnologia bélica, seja no tocante a engenhos nucleares,
seja na área espacial. O trágico episódio da
recente explosão do terceiro VLS brasileiro, com a perda
de vinte e um mártires, exige das autoridades responsáveis
uma profunda reflexão. Até jatos supersônicos
são proibidos. Fabricação de mísseis,
nem pensar. Até a proibição da comercialização
de armas e munições querem impor ao povo brasileiro.
As empresas nacionais seriam expulsas do mercado e o Brasil ficaria
dependente até da importação de um cartucho
de 22. Desta forma, fica mais fácil intimidar e, se for o
caso, ocupar militarmente as nações desobedientes.
Contudo, na maior parte dos casos, isto não é necessário,
pois as próprias forças políticas locais elegem
administrações representantes dos interesses deles,
dóceis ao seu comando. De modo hábil, vão transferindo
recursos para o exterior e permitindo a ocupação pacífica
dos seus respectivos territórios, bem como a exploração
de seus recursos. |