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Col Irm José Francisco Rodrigues - Dia
02/03/2002

Todos
nós sabemos que o uso de drogas constitui uma agressão
ao corpo humano e à mente.
Através
deste guia rápido, você poderá conhecer
os verdadeiros riscos e efeitos causados pelo uso destas
substâncias.
RISCO ORGÂNICO
O álcool é a droga cujo uso crônico
leva a maior risco. Dentre esses riscos figuram a gastrite
(um dos distúrbios mais precoces), o aumento da pressão
arterial, pancreatite, miocardite, hepatite e cirrose alcoólica,
distúrbios neurológicos graves, alterações
da memória e lesões do sistema nervoso central.
O uso contínuo da
cocaína acarreta, após um período relativamente
curto, da ordem de meses ou mesmo semanas, problemas como
o emagrecimento profundo, debilitação geral
do organismo, insônia, lesão grave da mucosa
nasal (pelo efeito vasoconstritor da droga) e maior suscetibilidade
a convulsões.
O tabaco também pode
levar, mais rapidamente que o álcool, porém,
mais lentamente que a cocaína, a problemas, tais
como: distúrbios brônquicos (os mais precoces),
aumento da probabilidade de câncer pulmonar e de infarto
do miocárdio.
O uso da maconha causa sobretudo
prejuízo da memória para acontecimentos recentes
e alterações hormonais reversíveis
(queda nos níveis de testosterona e diminuição
da taxa de espermatozóides).
Ao consumo crônico
de heroína estão associados espamos das vias
biliares e constipação intestinal, complicações
orgânicas que são, sem dúvida, bem menores
se comparadas às causadas pelas quatro outras substâncias.
RISCO POR ABSTINÊNCIA
A heroína e o álcool são as que determinam
maior risco, sendo a síndrome de abstinência
entendida como conjunto de sinais e sintomas característicos,
que aparecem com a parada súbita do consumo. A síndrome
da abstinência do álcool, varia de formas mais
leves (tremores das mãos, inquietação,
insônia, irritabilidade) até o delirium tremens,
que pode levar a morte. A da heroína se reveste do
mesmo caráter de gravidade mas se manifesta em tempo
muito menos. Após semanas de uso contínuo,
a parada brusca da droga pode causar graves distúrbios
gastrintestinais (cólicas intensas, diarréia,
vômitos, desidratação), perda de peso,
irritabilidade e mal-estar generalizado. A síndrome
de abstinência do tabaco tem uma variação
individual muito grande: há pessoas que fumaram diariamente
dois a três maços de cigarros por vários
anos e que pararam de fazê-lo sem problemas maiores
que um forte desejo de fumar. Outros que fumaram da mesma
forma, ou eventualmente até em menor quantidade e/ou
por um tempo menor, sentiram ao parar, irritabilidade, ansiedade,
inquietação, dificuldade de concentração,
dor de cabeça, insônia e aumento de apetite.
Em relação
à cocaína, a parada abrupta pode provocar
muito sono, cansaço, aumento de apetite e depressão.
A interrupção do uso da maconha pode provocar
em algumas pessoas manifestações de ansiedade,
irritabilidade, diminuição do apetite e insônia.
RISCO POR OVERDOSE
Uma dimensão muito importante quando se discute o
uso de drogas é o problema da overdose, entendendo
esta como situações onde o uso agudo produziu
conseqüências graves, requerendo cuidados médicos
e não raro levando à morte. Sob esse aspecto,
o risco é grande tanto para a heroína como
para a cocaína: ambas desencadeiam alterações
profundas do sistema nervoso central que podem matar por
queda respiratória (heroína), convulsões,
crises de hipertensão, hemorragia cerebral, ataque
cardíaco (cocaína). Tais casos são
cada vez mais freqüentes nas unidades de terapia intensiva.
A overdose de álcool seria o coma alcoólico
mas diante do número de pessoas que bebem, essa probabilidade
é bem menor, exceto quando o álcool é
associado a outras drogas. Foram relatados casos de overdose
pela maconha onde o dependente apresentou vários
dias de alucinações, por ingestão de
uma grande quantidade de tetra-hidrocanabinol (THC), o principio
alucinógeno da maconha. Com o tabaco, o risco de
overdose é praticamente nulo. Isso é claro,
levando-se em conta a forma pela qual ele é utilizado.
Sabe-se que a ingestão oral de um maço de
cigarros poderia ser fatal.
RISCO SOCIAL
A incapacitação social - considerada por muitos
a conseqüência mais grave do uso de drogas -
reflete as dificuldades no relacionamento interpessoal,
afetando as relações afetivas e profissionais.
A incapacitação social constitui em decorrência
de alterações psicológicas causadas
pela droga, bem como da própria dependência
a qual a droga leva. Vale lembrar que o conceito de dependência
"senso amplo" não se refere à síndrome
de abstinência (característica da dependência
física), mas ao quanto a droga "penetra"
na vida da pessoa; passa - a droga - a ser o valor maior,
a prioridade primeira. Outros interesses e atividades que
antes eram considerados importantes pelo indivíduo
perdem seu lugar para a droga. A inserção
social de uma pessoa para quem o uso de uma droga assume
tal importância fica obviamente prejudicada.
RISCO DE AIDS
A transmissão da AIDS por via sangüínea
torna os usuários de heroína e cocaína
um grupo de alto risco para essa doença. A prática
de compartilhar seringas faz parte, para muitos, do próprio
ritual associado a essas duas drogas. Além desse
aspecto, no momento da infecção, a preocupação
com o contágio desaparece. O medo de ser flagrado
pela polícia com uma seringa no bolso é ainda,
um dos fatores alegados pelos dependentes para não
usar o material descartável. Mas ao lado do risco
da AIDS e hepatite existe também, na administração
de drogas injetáveis, a possibilidade de transmissão
de inúmeros outros processos infecciosos (endocardite,
septicemia, abscessos pulmonares, cerebrais e subcutâneos)
embolias por corpos estranhos, bem como lesões neurológicas
e musculoesqueléticas devidas às impurezas
que o preparado pode conter.
TRANQUILIZANTES: O TERROR
DO SISTEMA NERVOSO
A dependência pode ser psíquica ou física
e a abstinência induz a sérios e perigosos
sintomas quando a droga é suspensa. As drogas foram
classificadas, quanto aos seus efeitos sobre o Sistema Nervoso
Central (SNC), de acordo com a manifestação
obtida, podendo por essa razão estar enquadradas
em uma das três seguintes modalidades:
1. Drogas Deprimentes -
são as que induzem menor atividade do SNC. Estas
podem ser subdivididas em grupos, tais como:
a) Sedativos e Hipnóticos
que englobam os barbitúricos, tranqüilizantes
menores e outras substâncias como álcool, hidrato
de cloral e paraldeido. O indivíduo que faz uso de
barbitúricos pode apresentar graus diferentes de
depressão do SNC, que vão desde a mais leve
- discreto relaxamento em virtude da diminuição
da ansiedade - passando por fases de dificuldade de precisar
o tempo e o espaço, pela amnésia, sono profundo,
queda de respiração, coma, acentuada queda
de pressão arterial e finalmente morte. Todas essas
etapas dependem da dose utilizada.
b) Hipno-Analgésicos
- opiáceas (ópio, morfina, heroína,
codeína), e outras substâncias como Demeral
e Metadona. Os que apresentam importância do ponto
de vista toxicológico são os fenantrênicos
por induzirem à dependência. Deste grupo, as
mais importantes substâncias são a morfina
e a codeína, que devem ser usados por indicação
médica e controlada. Essas substâncias induzem
à sonolência, analgesia às dores crônicas
e de alta ansiedade. Como efeito por abstinência do
opiáceo, temos: rinorréia, midíase,
bocejo, prespiração cutânea aumentada,
tremores musculares, intranqüilidade, insônia,
aumento de freqüência respiratória, aumento
da pressão arterial, câimbras (muito dolorosa),
lacrimejamento, náuseas, vômito e diarréia,
que se tornam a parte final e quando ocorrem, dada a violenta
desidratação induzida no dependente, vão
levá-lo à morte.
C) Substâncias Várias
- thinner, gasolina, clorofórmio, tricloroetileno
(lança-prefume), éter, etc. O clorofórmio,
o tricloroetileno e mesmo o thinner, permitem o aparecimento
de problemas cardíacos, via de regra, mortal. Não
havendo esse tipo de desenlace, pelo usuário, lesões
hepáticas são comuns, fazendo com que o uso
delas traga, mesmo após não serem mais usados,
comprometimentos que podem ser até mortais.
O CRACK: A COCAÍNA
COM OUTRA ROUPA
O "crack", é obtido a partir de cloridrato
de cocarna, usando-se uma substância básica,
a amônia ou o carbonato de sódio e água.
Há um aquecimento, e o resultado é um produto
cristalino de cocaína básica, parecendo areia
fina.
Um estudo feito recentemente
pelo Dr. James Inciardi, da Universidade de Delawerw (EUA),
mostrou alguns dados interessantes. Entre 308 delinqüentes
juvenis usuários de drogas, na cidade de Miami, 95%
confessaram ter usado "crack' pelo menos uma vez e
87% em bases regulares. E interessante observar que 1000/o
deles se declararam também usuários de maconha
regularmente. O crack leva os usuários a uma sensação
de compulsão e desespero. Em minutos o high (estímulo)
é seguido por uma queda (depressão) que pode
levar o usuário a uma compulsão por nova dose.
Apesar do sensacionalismo
que alguns setores da mídia fazem sobre os efeitos
da droga, a gravidade do problema existe. Basta dizer que
as reações agudas e tóxicas ao produto,
em determinado período num hospital da área
de Miami, foi superior à própria cocaína
(196 emergências para o crack contra 144 da cocaína).
EFEITOS DURANTE A GRAVIDEZ
Sobre isto, há a possibilidade do efeito da própria
droga sobre o feto, quando ela é usada pela mãe
no período de gestação, sendo que,
algumas delas, têm efeito potencial no crescimento
do feto, no seu comportamento pós-natal e mesmo seu
desempenho mental quando a exposição ocorre
nos últimos estágios do crescimento. Mesmo
após o parto, drogas ingeridas pela mãe podem
ganhar o organismo do recém nascido através
do leite materno.
PREVENIR é VIVER
A recuperação de um toxicomano é sempre
difícil. O ex-viciado volta às drogas para
fugir dos mesmos problemas familiares e sociais que se repetem
depois da sua recuperação. Sem dúvida
a informação é o melhor método
para prevenção. A sociedade em geral deve
tomar consciência do problema e induzir os jovens
à abstenção total das drogas.
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