|
Col Irm José Francisco
Rodrigues - Dia 02/03/2002

A diabete
é uma doença que pode ser controlada com remédios
e alimentos. Há alguns anos esses produtos não
eram encontrados facilmente, a maior parte era importada
e custava muito caro. Hoje, em lojas especializadas, existem
centenas de itens e o diabético é atendido
por quem conhece o problema.
A diabete é a doença
crônica mais cara que existe. Segundo o endocrinologista
Fablo Fraige, quando uma pessoa descobre que é diabética
, as suas despesas aumentam muito. - São dois, três,
às vezes quatro remédios, seringas, insulina,
calçados especiais, tiras para diagnóstico,
o ônus é muito alto - explica.
O mercado atraiu Francisco
Fernandes que, há dezessete anos, montou uma farmácia
especializada, a Dia a Dia. Filho de um médico endocrinologista,
ele convidou como sócio um amigo diabético.
Essa foi a forma que ele encontrou para dar credibilidade
ao seu negocio, pois , segundo os empresários, uma
condição importante para ter sucesso nesse
caso é a conquistar a confiança do cliente.
Outro cuidado é enviar
os novos produtos para análise, a fim de garantir
que eles não contenham substâncias nocivas
ao diabético. Também faz parte da rotina dos
empresários visitar laboratórios e médicos.
O objetivo é ter, nas prateleiras, todas as novidades
do mercado.
No final do mês, feitas
todas as contas, tirando os gastos com água, luz,
funcionários, o lucro de cada mercadoria é
pequeno: 7, às vezes 5 por cento. Por isso, é
preciso tentar ganhar no volume. Para vender mais, a estratégia
foi reunir num só lugar praticamente tudo de que
o diabético precisa, desde medicamentos, literatura
especializada, até todo o tipo de alimentos sem açúcar,
num total de 700 itens.
A variedade de produtos
atraiu a clientela. E como o mercado continua crescendo,
existe espaço para novos negócios. Francisco
aconselha a quem quer entrar no setor a ter um sistema de
entregas, já que muitos clientes são idosos
e preferem receber os produtos em casa. É preciso
também planejar bem as compras. O ideal é
comprar direto dos fabricantes. Com isso, o custo pode cair
até dezoito por cento.
Outra dica dos empresários
desse ramo é que o mais importante não é
saber vender, mas saber ensinar. O diabético usa
alguns equipamentos, como o que mede a taxa de açúcar
no sangue, e às vezes é preciso gastar mais
de uma hora explicando como ele funciona. Por isso, é
necessário ter um balcão reservado para demonstração
dos produtos.
Com o sucesso da loja, Francisco
montou uma filial e, em 1997, expandiu o negócio
concedendo franquias. No Estado de São Paulo foram
abertas cinco lojas e agora os empresários querem
levar a rede a todo o país. O investimento necessário
é de setenta mil reais, incluindo taxa de franquia,
reforma do imóvel e estoque inicial.
Segundo os empresários,
o franqueado vai levar vantagem se possuir algum envolvimento
com a doença, como ter um diabético na família.
Mesmo assim, antes de começar, é preciso passar
por um minucioso treinamento.
Cláudia Messiano
trabalhou dez meses como farmacêutica na empresa quando
decidiu se tornar uma franqueada. Ela explica que, a estrutura
oferecida pela rede é muito importante, mas avisa
que a dedicação deve ser integral. Embora
tenha recebido um cadastro de possíveis consumidores,
Cláudia teve que formar sua própria clientela.
Fez parcerias com médicos que passaram a indicar
a farmácia para seus pacientes. Outra estratégia
foi investir na conscientização. Ao descobrir
que quase a metade dos diabéticos ignora que é
doente, ela promoveu uma campanha no bairro.
Cláudia atende seiscentos
clientes por mês. Sônia Maresco compra na loja
desde agosto do ano passado, quando descobriu que a filha
é diabética. Segundo ela, é a confiança
na empresa que a faz voltar sempre.
|