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Col Irm José Francisco
Rodrigues
Walter Rinaldi Leite / JCS
... um alerta para o maior bem da humanidade
Hoje (22) é o Dia Mundial
da Água, mas pela atual situação de
risco em que a homenageada se encontra, também poderia
ser considerado como o "Dia Mundial do Alerta".
A data serve mais de alarde para toda a humanidade do que
propriamente uma comemoração festiva.
Em Sorocaba, o alerta será dado por um grupo de crianças
da periferia. São os estudantes da escola "Norma
Justa Lara", do bairro Vitória Régia,
que apoiam o Projeto Roda D'Água (www.rodagua.com.br).
Todos vão estar participando, às 10h, de uma
passeata rumo às margens do rio que corta aquela
região. Vão protestar contra os índices
de poluição do manancial.
Por mais que os governos
e administrações façam para tentar
contornar a situação que ameaça a água
de todos - Sorocaba com o projeto de despoluição
do rio é um exemplo claro disso -, o problema exige
maiores investimentos e muito mais vontade política
dos governantes. Exemplos de que o precioso líquido
está se acabando pelo mau uso que lhe é dispensado,
se constatam em qualquer canto do planeta.
Enquanto os chineses estão
de cabelos em pé porque já são obrigados
a procurar e consumir água diretamente dos lençóis
subterrâneos, em razão das grandes dificuldades
de encontrar água doce à flor da superfície,
os sorocabanos vão tendo a sua principal fonte de
água colocada em risco, aos poucos, mas de forma
concreta. Trata-se da ocupação desordenada
no entorno da represa de Itupararanga.
Construída há
um século, a antiga represa da Light abrange Votorantim
e diversos outros municípios da região. Há
alguns anos o manancial vem tendo o entorno ocupado por
empreendimentos imobiliários. Primeiramente foram
as chácaras de recreio. Depois vieram os condomínios.
Agora, a estrada que liga Votorantim e Sorocaba à
represa está sendo asfaltada. O asfalto está
a poucos metros das águas de Itupararanga e os ambientalistas
alertam que, agora, aumentou ainda mais o risco de ocupação
desordenada das margens do manancial. É dali que
saem as adutoras que abastecem Sorocaba e o seu futuro.
Apesar da importância
do manancial para o equilíbrio do meio ambiente da
região e o abastecimento para centenas de milhares
de habitantes, não há, ainda, um plano diretor
que preveja a sua ocupação racional. A aprovação
que transformaria a represa numa Área de Preservação
Ambiental, feita pela Assembléia Legislativa, não
vingou.
A criação
da área de preservação seria o instrumento
adequado para impedir a degradação do entorno
do manancial e a conseqüente poluição
de suas águas, como ocorreu décadas atrás
com o rio Sorocaba.
O que está salvando
Itupararanga é o fato de grande parte da mesma ser
propriedade do Grupo Votorantim, que cuida de suas divisas
com o mesmo interesse e zelo com que administra as suas
fábricas. Mas a degradação poderá
entrar por uma brecha e assumir proporções
maiores através das centenas de pequenas propriedades
particulares que rodeiam a represa. Acredita-se que com
a chegada do asfalto até ela, as coisas vão
se complicar, pois histórias parecidas ocorreram
antes envolvendo mananciais de fundamental importância
para a qualidade de vida de pessoas e animais. É
o caso da poluída Guararapiranga, uma das fontes
que dá de beber aos paulistanos.
China pede água
Neste Dia da Água, os ambientalistas fazem nariz
torto, sustentando em seguida que a situação
não é de comemoração aqui e
em nenhuma outra parte do planeta. Insistem no exemplo da
China, obrigada a perfurar poços artesianos cuja
profundidade chega a esbarrar no subsolo do Ocidente...
Muitos dos lençóis profundos entraram na fase
terminal e simplesmente secaram. E o pior: há afundamento
de imensas áreas de terra em razão da completa
exaustão desses lençóis freáticos.
Portanto, trata-se, comprovadamente, de uma situação
mais que preocupante não apenas para os chineses,
como também para os outros povos que ainda desfrutam
da abundância do líquido da vida, já
que, em não se tendo mais água doce para a
população chinesa, onde se buscaria então?
A região amazônica
é o seleiro do mundo em termos de água doce,
também.
Principalmente para nós brasileiros: 80% da disponibilidade
de água brasileira está concentrada na Amazônia,
sendo os restantes 20% divididos pelo País. Não
é preciso ser um especialista no assunto para concluir
que as grandes potências estão de olho na reserva
brasileira de água doce. Da mesma forma como sempre
centralizaram suas atenções para onde se localizam
as maiores reservas de petróleo do mundo.
Abordar o assunto água
doce em Sorocaba, no Brasil e na China não faz diferença
porque o problema e os exemplos são pertinentes a
cada um desses locais, independente da distância que
esteja um do outro. Se não houver - e logo - um projeto
diretor para adequar, racionalizar e prever o futuro e a
ocupação do entorno da represa de Itupararanga,
mesmo sendo grande parte dela propriedade de um mesmo grupo
empresarial, pouco adiantará despoluir o lendário
rio Sorocaba. Talvez este seja o momento de as lideranças
políticas retomarem a questão do projeto que
transforma a represa em Área de Preservação
Ambiental. E, da mesma forma como abraçam forte a
luta pela implantação do câmpus universitário
na região, tentarem viabilizar a proteção
permanente para a principal fonte de água dos habitantes.
Lembrem-se todos: de cada
cem gotas de água no planeta, 97 estão nos
oceanos e as outras três encontram-se em forma de
nuvens, neve, gelo ou na superfície da terra e no
subsolo. É muito pouca água para ser desperdiçada
ou poluída - como se vê todo dia e a todo instante
-, como se jamais fosse acabar.
Dizem os pensadores do mundo
ecológico que muito em breve os países vão
estar brigando pelo controle de rios e mananciais hídricos,
enfim, por cada gotinha que estiver imune da poluição.
Como o próprio petróleo e as divisas terrestres
estratégicas do planeta, a água corre o sério
risco de se tornar fonte de guerras. |