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Col Irm José Francisco
Rodrigues - Dia 02/03/2002

O alerta
vem da ONU
Agência EFE
De
cada dez habitantes do planeta, um tem mais de 60 anos,
o que mostra que a população mundial envelhece
mais rápido do que o previsto, e, segundo estimativas,
em 2050, uma em cada cinco pessoas ultrapassará essa
idade.
"Iremos
conhecer um novo tipo de milionário. São os
milionários da
longevidade, pessoas que vivem um milhão de horas,
ou seja, 114 anos",
afirmou Joseph Chamie, diretor da divisão de população
da Organização das Nações Unidas
(ONU).
Chamie
disse que hoje é difícil encontrar pessoas
tão velhas, mas assegurou que elas serão vistas
cada vez mais.
Segundo
as últimas estatísticas apresentadas no novo
mapa do envelhecimento mundial, em 2050 o número
de pessoas com mais de 60 anos será de 2 bilhões,
cifra que superará, pela primeira vez na história
da humanidade, o segmento da população entre
0 e 14 anos.
Esse
mapa feito por demógrafos será um dos documentos
mais examinados durante a II Assembléia Mundial do
Envelhecimento, que será realizada em Madri do dia
8 ao dia 12 de abril, e indica que em 2150 uma em cada três
pessoas terá mais de 60 anos.
Porém,
a população idosa também envelhece
e em 2050 cerca de 21 por cento da população
de idosos terá mais de 80 anos e o número
de centenários aumentará quinze vezes, passando
de 210.000 pessoas para 3,2 milhões.
A
idade média do mundo na atualidade é de 26
anos e o país mais jovem, pela média de idade,
é o Iêmen, com 15 anos, e o mais velho, o Japão,
com 41.
Para
dar um exemplo do ritmo de envelhecimento do Japão,
Chamie disse que a França precisou de 114 anos para
elevar o número de pessoas com mais de 60 anos de
7 para 14 por cento, enquanto o país asiático
necessitou apenas de 24 anos.
Estima-se
que em 2050 a média de idade mundial aumente 10 anos
e seja de 36 anos, com a Nigéria como o país
mais jovem, com 20 anos de idade média, e a Espanha
como o mais velho, com uma média de 55 anos.
Com
relação aos países, os que possuem
populações mais velhas neste momento são
a Itália, com cerca de 25 por cento de habitantes
com mais de 60 anos, seguida pelo Japão, Alemanha
e Grécia, que superam os 24 por cento; pela Suécia,
com 23 por cento, e pela Bélgica, Bulgária,
Suíça e Espanha, com 22.
De
acordo com os sexos, as mulheres vivem mais que os homens
em todos os países e, tendo em conta sua maior expectativa
de vida, calcula-se que em 2002 existam 81 homens para cada
cem mulheres.
Entre
os mais velhos, o número de homens é de 53
para cada cem mulheres.
"Há
duas razões para o envelhecimento: a queda da fertilidade
e o aumento da longevidade", explicou Chamie, que disse
que o envelhecimento afeta o mundo todo, tanto os países
desenvolvidos como aqueles em desenvolvimento.
Além
disso, afeta tanto os homens quanto as mulheres e as crianças,
pois em todas as faixas etárias se produz um aumento
da expectativa de vida.
"Estas
são boas notícias, porque quer dizer que temos
um maior controle
sobre os nascimentos e sobre as mortes", afirmou o
demógrafo, que
acrescentou que "o mundo foi capaz de reduzir as taxas
de mortalidade", o
que ele qualificou como a "maior conquista da humanidade".
No
entanto, reconheceu que isso "terá implicações
profundas, com um impacto no crescimento econômico,
nas economias, nos investimentos, no mercado de trabalho,
nos impostos e nas pensões".
Chamie
destacou que "as pequenas decisões tomadas pelas
pessoas em suas casas, especialmente pelas mulheres, têm
profundas conseqüências quando somadas globalmente".
Por
exemplo, o chamado "Indice Potencial de Apoio",
que indica a carga que os trabalhadores suportarão
(o sustento daqueles que possuem mais de 65 anos), caiu de
12 para 9 trabalhadores, por pessoa, entre 1950 e 2000. Estima-se
que na metade deste século esse índice seja
de 4 trabalhadores sustentando a carga dos que têm mais
de 65 anos.
O
diretor da divisão de população da
ONU assegurou também que outro aspecto que será
afetado é a política, porque o eleitor de
60 anos não tem a mesma visão que o de 20
anos.
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