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Col do
José Francisco Rodrigues

A expressão
"triângulo das Bermudas" foi inventada por Vincent
H. Gaddis, escritor e investigador que se especializou nos fenômenos
inexplicados, misteriosos e insólitos, para demarcar uma
zona onde estranhos fatos têm acontecido. Ele é autor
de numerosos livros, entre os quais Invisible Horizons, publicado
nos Estados Unidos em 1965. Nessa obra, o autor consagra um capítulo
inteiro ao Triângulo das Bermudas, empregando assim, pela
segunda vez, uma expressão forjada por ele em 1964 para um
artigo publicado na revista Argosy.
O Triângulo
das Bermudas teve seu primeiro registro em um despacho da Associated
Press de 16 de setembro de 1950, no qual o repórter E.V.W.Jones
noticiou o que caracterizou como "misteriosos desaparecimentos
de navios e aviões entre o litoral da Flórida e as
Bermudas". M.K.Jessup tratou dessas mesmas histórias
em The Case for the UFO (A Defesa dos OVNI), livro de sua autoria
publicado em 1955, onde sugere que a responsabilidade pelo incidente
cabia a inteligências alienígenas, que teriam capturado
os aviões com uma gigantesca nave-mãe, ponto de vista
defendido também por outros autores junto a especulações
como: quarta-dimensão, aberrações do espaço-tempo,
anomalias magnéticas extraordinárias... Logo, quase
todos os livros populares de "mistérios da vida real"
passaram a incluir sessões sobre o Triângulo das Bermudas
ou "Triângulo do Diabo" ou ainda "Mar do Azar".
A partir do
aparecimento do livro de Gaddis, a expressão conheceu um
grande êxito e, pouco tempo depois, era retomada por uma quantidade
de autores, fascinados, também, por esse formidável
enigma. Entre esses autores, há um cujo nome aparecerá
muitas vezes neste livro e que creio útil apresentar desde
já. Trata-se de um amigo de Vincent H. Gaddis, um "caçador
de mistérios" também ele, Ivan T. Sanderson.
Ivan T. Sanderson morreu a 20 de Fevereiro de 1973. Esse desaparecimento
súbito privou o mundo de um dos seus espíritos mais
fecundos e mais originais. Viajante infatigável, explorador,
investigador e escritor, consagrou uma grande parte da sua vida
a capturar animais, muitos dos quais pertencentes a espécies
muito raras para os jardins zoológicos e diversos organismos
de estudo e investigação. Devem-se-lhe numerosas emissões
de rádio e de televisão, assim como várias
obras consagradas ao estranho e ao inexplicado.
Foi por isso
que ele fundou, em 1965, a Society for the Investigation of the
Unexplained (Sociedade para a Investigação do Inexplicado)
e escreveu livros que tratam, precisamente, de fenômenos esquisitos
e misteriosos. Invisible Residents é um desses livros, talvez
o mais célebre do seu autor, que nele expõe uma teoria
particularmente original. Segundo ele, seres inteligentes viveram
há milênios sob a superfície dos lagos, dos
mares e dos oceanos do nosso globo, e é aí, escondido
sob toneladas de água, onde ninguém pensaria em ir
procurá-lo, que residiria o segredo dos objetos voadores
e aquáticos não identificados. Entre os capítulos
que constituem Invisible Residents, há um, o oitavo, que
se intitula «The Bermuda Triangle» (O Triângulo
das Bermudas). Sanderson tinha portanto dado provas de uma certa
clarividência ao incluir nos fenômenos registrados em
Invisible Residents os desaparecimentos ocorridos na zona do Triângulo.
Mas o seu mérito
não fica por aí. No termo de longas e minuciosas investigações
a que tinha estado muito estreitamente ligado Vincent H. Gaddis
, Sanderson tinha notado, por um lado, que o termo "Triângulo"
não convinha nada para designar a zona em que se tinham registrado
tantos desaparecimentos no Atlântico Norte e, por outro lado,
que existiam mais onze regiões semelhantes na superfície
do globo, todas situadas a igual distância umas das outras.
Atualmente, quase toda a gente ouviu falar, com efeito, do mar do
Diabo, no Japão, ou do mar da Tasmânia, ao largo da
costa sudeste da Austrália, para só citar duas das
regiões do globo mais célebres, onde se produzem imensos
fenômenos insólitos. Eu penso que Ivan T. Sanderson
e os membros da Society for the Investigation of the Unexplained
fizeram uma descoberta capital ao revelarem ao grande público
a existência dessas regiões "malditas", mas
creio também que lhes faltou tempo, em particular no que
respeita a Ivan Sanderson para levarem mais longe ainda as suas
investigações e se aperceberem de que essas zonas
não deviam ser postas em pé de igualdade.
A região
vulgarmente chamada Triângulo das Bermudas é e continua
a ser teatro de um grande número de desaparecimentos e "aparecimentos"
insólitos, sem qualquer paralelo com tudo o que se pode encontrar
em qualquer outra parte do globo. E tudo se passa, afinal de contas,
como se as outras zonas misteriosas do planeta fossem por qualquer
forma, dela dependentes.
Barcos eram
encontrados abandonados pela tripulação, com a sua
carga intacta e por vezes com a comida ainda quente nas mesas, outros,
e aviões também, desapareciam misteriosamente sem
deixar rastro e por vezes poucos minutos depois de terem estabelecido
contacto informando que tudo estava bem. Em terra, estranhos fenômenos
aconteciam.
Boletins meteorológicos,
relatórios de órgãos oficiais de investigação,
notícias de jornal e outros documentos indicavam que a literatura
do Triângulo agira levianamente no que dizia respeito às
provas. Por exemplo, os mares calmos na literatura transformavam-se
em temporais furiosos na realidade; desaparecimentos misteriosos
tornavam-se afundamentos e acidentes de causas convencionais, os
destroços de navios "dos quais nunca mais se teve notícia"
viraram "encontrados há muito tempo".
Em carta de
4 de abril de 1975 escrita para Mary Margaret Fuller, editora da
Fate, um porta-voz da Lloyd's de Londres escreveu: "Segundo
os registros da Lloyd's, 428 navios foram dados como desaparecidos
em todo o mundo desde 1955 e talvez lhe interesse saber que nosso
serviço de inteligência não encontrou provas
que corroem a alegação de que há mais perdas
no "Triângulo das Bermudas" do que em qualquer outro
lugar. Esta descoberta é acompanhada pela Guarda Costeira
dos EUA, cujos registros computadorizados dos incidentes no Atlântico
remontam a 1958."
Apesar de noticiado
ocasionalmente nos tablóides vendidos em supermercados, o
outrora famoso Triângulo das Bermudas hoje sobrevive como
nota-de-rodapé nas histórias dos modismos e sensações
passageiras. Em meados da década de 1970, outro dúbio
"mistério", que dizia respeito a mutilações
de gado supostamente enigmáticas, ocupou seu lugar no imaginário
popular.
Vôo 19
- um caso para ser analisado à parte
Sua história está no filme: Close Encounters of the
Third Kind (Contatos Imediatos de Terceiro Grau), de Steven Spilberg,
1977, no qual a tripulação do Vôo 19 volta para
a Terra em um OVNI.
Esta zona está
delimitada por um triângulo imaginário cujos vértices
estão situados nas Bermudas, em Porto Rico e numa zona do
Golfo do México, a oeste da Flórida.
A lenda acerca
do Triângulo das Bermudas começou pouco depois de cinco
aviões da Marinha dos Estados Unidos (Missão 19) terem
desaparecido em 1945 durante uma violenta tempestade, durante uma
missão de treino. Pensou-se que mergulhadores tinham descoberto
os aviões junto da costa européia mas a inspeção
dos números de série mostrou que se tratava de diferentes
aviões. A teoria mais lógica é que os instrumentos
do aparelho que comandava a missão falharam (os aviões
de treino não estavam equipados com instrumentos de navegação)
e o grupo perdeu-se e simplesmente, embora tragicamente, ficaram
sem combustível não longe de terra. Nenhuma força
misteriosa parece estar envolvida para lá das forças
da natureza. Os aviões da Missão 19 podem estar afundados
em águas profundas e nunca mais serem encontrados.
Apesar dos órgãos
de informação terem publicado muitas histórias
sobre os "mistérios" do Triângulo das Bermudas,
ninguém fez mais para criar o mito das forças misteriosas
no Triângulo do que Charles Berlitz (é mesmo o das
escolas de línguas). Um dos seus maiores críticos
é Larry Kushe que afiança que "Se Berlitz afirmar
que um barco é vermelho, a possibilidade de ele ser de outra
cor é quase uma certeza." Após examinar mais
de 400 páginas oficiais da Marinha dos EUA do relatório
sobre o desaparecimento dos aviões em 1945, Kushe concluiu
que nada havia de estranho no incidente nem encontrou qualquer menção
de alegadas comunicações radio citadas por Berlitz
no seu livro. Segundo Kushe, o que não é mal interpretado
por Berlitz é inventado. Entretanto, Berlitz continua o seu
trabalho escrevendo mais livros nos quais afirma que descobriu uma
pirâmide gigantesca no Atlântico, prova da existência
da Atlântida, e a Arca de Noé.
Há séculos,
e mais recentemente, determinada região atrai a atenção
de curiosos e pesquisadores, um lúgubre lugar, um sítio
de densa atmosfera e sombrias lendas: o Triângulo das Bermudas.
Evitado por aviadores experientes e desprezado por pilotos céticos,
a zona foi sempre muito pouco estudada. Um dos que notaram seus
fenômenos de modo científico, foi o professor Wayne
Moshejian, físico da Universidade de Longwood, Virgínia.
Observou que, a partir de 1975, satélites de órbita
polar ANOA (Administração Nacional de Oceanografia
e Atmosfera), a uma altitude de 1500km, apresentavam defeitos apenas
quando se situavam sobre a região das Bermudas. O prof. Wayne
crê que haja algum tipo de energia externa sob a água
ou um enorme campo magnético que apaga as fitas magnéticas
nas quais as imagens são registradas, mas que por causa misteriosa,
tal energia não interfere no padrão orbital do satélite.
Defeitos nos instrumentos são comuns na superfície
marítima do Triângulo, situado no Caribe, antigamente
batizado de Mar dos Sargaços devido à quantidade de
algas e entulho submarino; pilotos de pequenas e grandes embarcações,
assim como os de aeronaves comerciais falam de freqüentes mudanças
de navegação por bússolas desorientadas, a
ponto de isto ter se tornado uma piada entre profissionais:
-Um piloto começa a suar frio manejando os botões
enquanto o co-piloto lhe diz: "Sabia que estamos no Triângulo
da Bermudas?"
-O comandante
interrompe: "Não posso me preocupar com isso agora,
nossa bússola se descontrolou!".
Piada ou não, de 1800 a 1976 foram computadas pesadas perdas
de aviões e navios na área e que não deixam
rastros ou sobreviventes: 143 sumiram sem deixar traços de
óleo, destroços ou corpos flutuando. Relatos de testemunhas
alarmadas ou gravações de comandantes prestes a morrer
nos revelam cenas de pesadelo:
o Um Cessna 172 é literalmente caçado por uma "nuvem",
com perda do piloto;
o Um avião da Eastern Airlines sofreu perda de altitude,
aterrissando em outro local, não programado. Os passageiros
verificaram que seus relógios pararam na hora da sacudida,
sendo que a fuselagem estava quase derretida por hipotético
jato de calor;
o Um membro da tripulação do Queen Elisabeth II vê
um avião em rota de colisão com seu navio, mas aquele
desaparece no mar como se este se abrisse para ele;
o Uma grande "Lua Nascente" emerge do oceano, sendo observada
pelo pessoal da USS Josephus Daniels, destróier; o navio
é forçado a mudar de curso e o diário de bordo
é apreendido no porto;
o Alguns oficiais e comandantes afirmam que sentem uma sensação
de estranheza e que a visão do mar os engana, os fazendo
crer que não há terra sob a nave, ou que o aspecto
do oceano muda de cor, ou que não distinguem o horizonte,
ou seja, não observam a habitual linha divisória entre
o mar e o céu, mas sim um nevoeiro esbranquiçado ou
mesmo verde.
Outro mistério,
aparentemente sem ligação com o Caribe, é o
desaparecimento da família Gerard Gilbert do iate Luny, encontrado
à deriva a trinta milhas da praia de Almofala, Ceará;
a embarcação vazia de tripulantes, vagava repleta
de objetos de valor em seu interior, o que descarta a ação
de piratas. O diário de bordo dava como última localização
do Luny a ilha de Cabo Verde, Atlântico, em 3 de Dezembro
de 1993, sendo o Iate encontrado em 16 de Janeiro de 1994. O Triângulo
maldito (na verdade um trapézio) vai de Flórida a
Porto Rico (local de forte presença ufológica), e
de Bermuda até Flórida novamente. Existem mais onze
regiões no mundo, onde a gravitação e o magnetismo
fazem das suas, alterando o espaço e o tempo: entre Marrocos
e Algéria, Planalo do Irã, Pacífico Norte,
Polo Norte e o Mar do Diabo (Japão-Filipinas); ao sul temos
Ilhas Caledônias, no mar Índico temos a região
entre Madagascar e Moçambique, Ilhas Tubudi no Pacífico
Sul, Ilha de Páscoa e a nossa ensolarada Cabo Frio... além
do Polo Sul, claro.
Pequenos submarinos
de pesquisa (leia-se espionagem) encontram, vez por outra, uns animaizinhos
estranhos que os paleontologistas distraídos supõem
terem sido extintos: os Plessiosauros. Acidentes mais prosaicos
são motivados, na região, entre embarcações
e baleias e até enormes cargueiros que atropelam barcos menores.
Existem ainda as proverbiais e violentíssimas tempestades
com redemoinhos gigantescos, que podem engolir um barco de médio
porte. Mas quando se trata de aviões, a coisa se complica,
embora os erros de leitura, de direção, do piloto,
do mau tempo repentino custem vidas. Por essa razão, estudos
feitos reservadamente pelo exército americano sugerem aos
pilotos que contornem a área o mais possível, se bem
que aeronaves comerciais e navios a cruzam sem nada relatar. Firmas
particulares e multinacionais conhecidas demonstram interesse no
local e no Atlântico norte (Açores), mas nada divulgam
sobre suas pesquisas.
Até hoje,
as hipóteses variam sobre o desaparecimento de tantos veículos:
acidentes técnicos, erro humano, tempestades repentinas,
choques com animais marinhos, vulcanismo submarino (Anel de Fogo),
anomalias magnéticas, síndrome do pânico na
população sem motivo aparente, bolhas d'água
que se elevam e tragam tudo o que estiver ao redor, UFOs e USOs,
ação de piratas, ação de rede de tráfico
de drogas e contrabando, empresas particulares ou governamentais
que seqüestram tonelagem para fins escusos, armadilhas de tempo
em que os pilotos não identificam o local e as condições,
abalroamentos não declarados entre duas embarcações
e muitos outros...
Seja qual for
o motivo, a região merece acurada análise de organismos
internacionais independentes e científicos (os há?),
capazes de resolver o mistério; enquanto o assunto estiver
nas mãos de uns poucos, mortes e prejuízos continuarão
a acontecer, preço muito alto a pagar pelo afã de
lucros ou por totalitária intervenção extraterrestre.
Devemos evitar o descaso ou criminosa omissão.
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