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Col do
José Francisco Rodrigues
Um olho biônico
capaz de devolver parcialmente a portadores de cegueira de retina,
desenvolvido por uma equipe de pesquisadores dos EUA, passou na
primeira fase de testes em humanos.
Pacientes que haviam recebido o implante do dispositivo, uma retina
artificial, passaram a distinguir claro de escuro e até a
diferenciar alguns objetos.
"Conseguimos completar com sucesso a implantação
em três pacientes", disse o coordenador do projeto, Mark
Humayun, da USC (Universidade do Sul da Califórnia). "Descobrimos
que os aparelhos estão conduzindo corrente elétrica
e podem ser usados pelos pacientes para detectar luz e até
distinguir entre objetos como uma xícara e um prato, num
teste de escolha forçada", afirmou.
Os resultados foram apresentados ontem, durante o encontro anual
da Associação de Pesquisa em Visão dos EUA,
na Flórida.
A equipe de Humayun é integrada por cientistas da Escola
Keck de Medicina da USC e da empresa Second Sight. Entre os médicos
do time está o oftalmologista brasileiro Gildo Fuji, da USC,
responsável pela técnica cirúrgica de implantação
da retina artificial nos pacientes.
O olho biônico
começou a ser desenvolvido por Humayun há 13 anos,
na Universidade Johns Hopkins, em Baltimore. Em 2001, chegaram a
um modelo composto de uma câmera, adaptada aos óculos
do paciente, um conversor de impulsos elétricos e uma placa
de 16 eletrodos, ligada à retina, que teve aprovação
da FDA (agência que regula remédios e alimentos nos
EUA) para ser testado em humanos.
Estímulo
Os eletrodos
funcionam estimulando as células ainda saudáveis da
retina do paciente, que mandam as informações captadas
pela câmera ao cérebro.
Por enquanto,
a definição é bem baixa: cada um dos 16 eletrodos
funciona como um "pixel" (um dos pontos que formam uma
imagem, como na tela de um computador). O olho humano tem cerca
de 1 milhão de terminações nervosas que processam
pontos luminosos.
A retina artificial
não serve para qualquer tipo de cegueira. Ela só funciona
em pessoas que têm terminações nervosas da retina
ainda vivas, como vítimas de retinose pigmentar -doença
na camada da retina que capta os nutrientes trazidos pelo sangue-,
degeneração macular senil e retinopatia causada por
diabetes.
O primeiro paciente,
um portador de retinose pigmentar, recebeu o implante em fevereiro
do ano passado; o segundo, em julho; e o terceiro, em março.
Nenhum deles achou a prótese desconfortável. No entanto,
os testes eram temporários (a prótese era removida
uma hora depois).
O próximo
teste, disse Humayun, deverá ser conduzido com uma prótese
que permaneça indefinidamente no olho do paciente. Versões
futuras do olho biônico podem até mesmo dispensar o
uso da câmera.
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