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Col
Irm José Francisco Rodrigues
O QUE
É?
O câncer de pele é um tumor maligno caracterizado
pela presença de células que crescem e se
multiplicam de uma maneira anormal e descontrolada. É
um tipo de câncer cada vez mais freqüente e que
afeta um grande número de pessoas em todo o mundo.
Qualquer pessoa poderá desenvolver o câncer
de pele. A pele é formada por diversas camadas diferentes
e, de acordo com a camada acometida por esse crescimento
anormal e descontrolado das células, teremos os diferentes
tipos. Os mais comuns são: carcinoma basocelular
(CBC) ,carcinoma espinocelular (CEC) e melanoma.
É muito importante conhecer mais sobre o câncer
de pele já que é possível preveni-lo
e curá-lo quando o diagnóstico for precoce.
O QUE
CAUSA?
Fatores de risco: A) Exposição intensa ao
sol, principalmente quando não são tomados
os cuidados necessários; B) Radiação
ultravioleta (presente nos raios solares e nas cabines de
bronzeamento artificial); C) Substâncias químicas
como benzeno, arsênico, hidrocarbonetos...; D) Radiação
(raio X); E) Pele, cabelos e olhos claros; F) Tabagismo;
G) Fatores genéticos (algumas doenças de pele
de caráter hereditário, história de
câncer de pele em parentes próximos); H) Algumas
lesões de pele preexistentes (cicatrizes, leucoplasias,
ceratose actínica, xeroderma pigmentoso...); I) Imunossupressão
Como
agem os fatores de risco:
Nem sempre é possível determinar qual o fator
de risco é responsável pelo desenvolvimento
do tumor ou como este atua no desenvolvimento da lesão.
Parece que certos agentes ou substâncias agem nas
estruturas celulares alterando o controle e a regulação
do seu crescimento. No caso dos raios ultravioleta, seu
efeito é cumulativo, ou seja, mesmo depois de interrompida
a exposição seus efeitos permanecem e suas
manifestações poderão surgir tardiamente.
TIPOS
CBC (Carcinoma basocelular):
É o mais benigno dentre os canceres de pele, tem
baixo risco de originar metástases e sua malignidade
é local, ou seja, invade e destrói tecidos
adjacentes, até mesmo os ossos. Dentre os diversos
tipos de câncer de pele, este é o mais comum,
correspondendo a 65% do total. Acomete principalmente adultos
com mais de 40 anos. Geralmente ocorre nos 2/3 superiores
da face (nariz ,testa, pálpebras, bochecha...) sendo
menos comum em outras regiões do corpo.
Os fatores predisponentes são:
A) Exposição intensa ao sol, principalmente
quando não são tomados os cuidados necessários;
B) Pessoas com pele, cabelos e olhos claros; C) Pessoas
ruivas e/ou sardentas; D) Outros casos de câncer de
pele na família; E) Irradiações radioterápicas
anteriores; F) Exposição e/ou contato frequente
e prolongado aos compostos do arsênico.
CEC
(Carcinoma espinocelular):
Este tipo de câncer de pele tem um caráter
mais invasor podendo causar metástases com maior
freqüência. Pode acometer pele normal mas geralmente
tem origem em lesões preexistentes como queratoses
solares, leucoplasias, cicatrizes de queimaduras, úlceras...
Acomete, principalmente, adultos com mais de 50 anos, sendo
os fatores predisponentes: A) Exposição intensa
ao sol, principalmente quando não são tomados
os cuidados necessários; B) Tabagismo; C) Exposição
a arsênico, alcatrão e hidrocarbonetos tópicos;
D) Alterações da imunidade
As localizações mais comuns são: lábio
inferior, orelhas, face, dorsos das mãos, mucosa
bucal e genitália extema.
MELANOMA:
É o mais maligno dentre os canceres de pele, geralmente
ocorrendo em adultos entre 30 e 60 anos, sendo mais frequente
no sexo feminino e pessoas da raça branca. Os principais
fatores de risco envolvidos no seu desenvolvimento são:
A) Exposição intensa ao sol, principalmente
quando não são tomados os cuidados necessários;
B) Fatores genéticos: familiares acometidos; C) Fatores
físicos: raios UV (exposição ao sol
sem proteção, exposição ao sol
desde a infância, queimaduras solares...); D) Alterações
da imunidade;
As lesões podem ocorrer em qualquer parte do corpo
sendo que a maioria delas inicia-se na pele (os principais
locais são: cabeça, pescoço e tronco)
e o restante em outros locais (olhos, sistema respiratório,
sistema digestivo, uretra e vagina).
Como
se caracteriza o melanoma?
O melanoma pode se apresentar de diversas formas. Deve-se
suspeitar de melanoma quando se encontram lesões
com alguma das características: · Aumento
do tamanho e da pigmentação, ulceração,
sangramento, superfície rugosa, formação
de crosta e aparecimento de outras lesões ao redor
de um nevo (pinta) · Aparecimento de pontos pigmentados
que crescem, tomam-se elevados, de cor castanha a negra
e que evoluem com ulceração, sangramento e
formação de crosta em locais da pele anteriormente
íntegros. · Presença de pontos enegrecidos
em lesões preexistentes que não apresentavam
tal característica anteriormente · Lesão
levemente elevada, cujas margens são irregulares
e a coloração varia desde acastanhada a negra
com áreas azuladas, esbranquiçadas, acinzentadas
e até vermelhas. Em alguns casos a pigmentação
pode ser discreta ou ausente. · Lesão elevada,
negro-azulada ou com rajados castanhos. · Lesão
na região da palma das mãos, planta dos pés,
pontas dos dedos (embaixo ou ao redor das unhas).
Por
que o melanoma é tão perigoso?
Além do potencial maligno local (infiltração
da pele até mesmo a musculatura) os melanomas são
tumores que têm grande potencial de metastatizar,
ou seja, suas células tumorais são levadas
para outras partes do corpo onde se instalam formando outro
foco de tumor. Atingem precocemente os linfonodos e, além
disso, podem ocorrer nos pulmões, fígado,
cérebro e outros locais da pele.
De acordo com local acometido, outras manifestações
podem ocorrer além das alterações da
pele, como por exemplo:
A) aumento de linfonodos; B) icterícia e/ou aumento
do tamanho fígado; C) tosse e dificuldade para respirar;
D) dor óssea e fraturas; E) alterações
do sistema nervoso
Quanto mais áreas forem atingidas ou quanto mais
profundo for o melanoma na pele, pior é o seu prognóstico,
ou seja, menor é a possibilidade de tratamento e
cura. Algumas características do melanoma devem ser
bem lembradas para que, ao serem verificadas, possa se fazer
um diagnóstico precoce. Assimetria (quando uma metade
da lesão é diferente da outra) Bordas irregulares
Cores variadas (uma mesma lesão apresenta mais de
uma cor diferente, podendo ter áreas pretas, marrons,
brancas, vermelhas ou azuis) Diâmetro maior que 6mm
QUEM
TEM MAIS CHANCES DE DESENVOLVER O CÂNCER DE PELE?
Qualquer pessoa poderá desenvolver o câncer
de pele mas, em especial, aqueles que:
A) Têm pele, olhos e cabelos claros; B) Quando se
expõem ao sol sempre se queimam e nunca se bronzeiam;
C) São ruivos ou têm sardas pelo corpo; D)
Se expõe ou se expuseram ao sol por tempos prolongados
(principalmente aqueles que nunca se protegeram); E) Têm
parentes próximos com história de câncer
de pele; F) Têm ou tiveram o hábito de fumar
por longo período; G) Se expõem ou se expuseram
ao contato prolongado com substâncias químicas
diversas (ex: hidrocarbonetos, benzeno, alcatrão,
arsênico...)
COMO
PREVENIR
Reconhecendo sinais precoces: Atenção: A)
"pinta" que sofre as seguintes alterações:
cor, textura, aumento de tamanho e irregularidade das bordas;
B) surgimento, na pele, de uma elevação brilhante,
translúcida, avermelhada, castanha ou com outras
cores; C) "ferida" que cresce e apresenta alguma
das alterações seguintes: coceira, crosta,
úlcera, sangramento e dificuldade de cicatrização;
Auto-exame:
O auto-exame é um método prático e
fácil de se detectar precocemente alterações
que possam surgir na pele e sugerir a presença de
um câncer. Ele deverá ser realizado periodicamente.
O objetivo é que se examine todo o corpo, inclusive
os locais de acesso mais dificultado (costas, nádegas,
couro cabeludo, nuca...). Para isso, deve-se utilizar espelhos
e/ou solicitar auxílio de uma outra pessoa. É
muito importante ter atenção quanto às
características das lesões encontradas para
poder distinguir lesões benignas de malignas. Quando
se suspeitar de lesões malignas (câncer de
pele) procure, o mais rápido possível, o seu
Dermatologista.
Cuidados gerais:
· evitar exposição solar prolongada
(praia, clube, esportes ao ar livre..), principalmente nos
horários entre 10:00 e 15:00 · aplicar o protetor
solar por todo o corpo cerca de 15 a 30 minutos antes de
se expor ao sol e reaplicá-lo a cada 2 horas , ou
sempre que sair do mar, piscina, rio, lagoa ou ducha ou
quando praticar atividades que promovam transpiração
excessiva · utilizar diaria e regularmente protetores
solares, mesmo em dias nublados ou nos casos de exposição
indireta ao sol (ficar debaixo da barraca, na sombra de
uma árvore...) · usar chapéus de abas
largas e óculos escuros com proteção
UVA/UVB são boas opções · utilizar
filtro solar com FPS de no mínimo 15. Em pessoas
com pele, cabelos ou olhos claros ou outros fatores que
aumentem o risco, utilizar FPS 30 ou superior. ·
evitar o contato prolongado com substâncias como arsênico,
benzeno, alcatrão e hidrocarbonetos sem equipamentos
de proteção (luvas, máscaras) ·
combater o tabagismo
O CÂNCER
DE PELE TEM CURA?
Tipos de tratamentos e indicações:
O câncer de pele tem cura sendo esta mais frequentemente
obtida quando se detecta a lesão precocemente. Vários
procedimentos poderão ser realizados visando a cura.
A escolha do melhor método deverá ser criterioso
sendo feito de acordo com o tipo de tumor, grau de invasão,
localização, e outros fatores. Os principais
métodos são: · Curetagem: retirada
da lesão através de instrumento cortante.
É mais efetiva para lesões pequenas (menores
que 1 cm), superficiais e que não foram tratadas
previamente. É sempre seguida por cauterização
do local curetado. · Excisão cirúrgica:
corresponde à retirada da pele que contém
a lesão, com margem de segurança que varia
conforme o tipo de câncer. Posteriormente a pele é
fechada através de pontos. Pode ser realizada em
todos os tipos de câncer de pele sendo o tratamento
de escolha para o melanoma. · Criocirurgia: nitrogênio
líquido é aplicado diretamente sobre a lesão
promovendo o congelamento seguido de descongelamento instantâneos
do tecido tumoral levando à sua destruição.
É indicado para CBC superficial e CEC. · Quimioterapia:
uso de drogas citotóxicas sobre as lesões
promovendo sua destruição. Nào é
uma técnica muito utilizada atualmente. ·
Cirurgia a laser: aplicação de feixes de luz
(raio laser) sobre a lesão para cortá-la ou
vaporizar as células que a compõem. ·
Cirurgia micrográfica de MOHS: corresponde à
excisão do tumor e margens com análise microscópica
das mesmas no decorrer do ato operatório. Tem uma
grande eficácia produzindo bons resultados e baixas
chances de recidiva. É uma técnica indicada
para lesões recidivantes (já haviam sido retiradas
anteriormente e voltaram a surgir no mesmo local) e com
limites mal definidos. Em locais onde seja necessária
a retirada mínima de tecido sadio como margem de
segurança para não gerar deformidades estéticas
(ex: região em volta dos olhos) · Radioterapia:
utilização de radiação ionizante
dirigida diretamente à lesão impedindo que
as células se multipliquem. É um método
muito utilizado em vários tipos de tumores mas não
nos de pele.
CURIOSIDADES...
Perguntas e respostas
1. O melanoma é uma doença grave? 2. Todos
os protetores solares são iguais? 3. Como e quando
devemos usar os protetores solares? 4. Todas as pintas podem
se transformar em câncer de pele?
5. Quais as pintas devem ser retiradas? 6. Qual é
o melhor horário para se tomar sol?
7. Protetor solar provoca espinha? 8. Qual o melhor protetor
solar para quem tem pele oleosa?
9. Protetor solar sai na água?
Dicas
A) Sempre que tiver dúvidas, procure orientação
do seu médico; B) Conhecer melhor sobre o câncer
de pele é muito importante para que possamos prevenir
seu aparecimento; C) · Fique atento!!! Descobrir
precocemente o câncer de pele é o melhor caminho
para um tratamento eficaz; D) A prevenção
é o melhor remédio!!! E) Devemos iniciar a
prevenção desde a infância e mantê-la
por toda a vida; F) Sempre que tomar sol, tome também
os cuidados necessários.
ESPECIAL
PARA CRIANÇAS
É estimado que cerca de 80% da exposição
solar de uma pessoa durante toda a sua vida ocorre antes
dos 18 anos. O uso de protetores solares (FPS maior ou igual
a 15) desde a infância diminui muito os riscos de
se desenvolver lesões de pele (entre elas o câncer
de pele) futuramente já que os efeitos da exposição
aos raios ultravioleta são cumulativos. |