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Col
Irm José Francisco Rodrigues -
Nosso organismo como um todo psicofísico responde
às várias solicitações através
de adaptações. Essas adaptações
dão início a mecanismos de defesa contra o
stress, que se desenvolvem em três fases:
1. Reação de alarme;
2. Fase de resistência;
3. Fase de exaustão.
O sistema nervoso e o sistema endócrino desempenham
papéis destacados na evolução adaptativa
que vai culminar no stress.
Quando
o processo de adaptação está exausto,
a resistência cai completamente, abrindo as portas
para as doenças psicossomáticas. A despeito
da presença de agentes estressores tais como: tensão
nervosa, ferimentos, infecções, poluição
ambiental, desemprego, o organismo tenta adaptar-se continuamente,
até que a intensidade ou a permanência dos
agentes estressores esgotem os mecanismos de adaptação,
sobrevindo a quebra da homeostase (o equilíbrio dinâmico
do organismo).
Quando
estamos tensos, apertamos o botão nervoso do "alerta
geral", que vai atuar sobre as glândulas supra-renais.
Estas vão liberar na corrente sangüínea
adrenalina e corticoídes que, por sua vez, vão
atuar sobre outras áreas aumentando o açúcar
no sangue, a gordura colesterínica, a redistribuição
do sangue para aumentar a força muscular, a dilatação
das pupilas para permitir o máximo a entrada de luz,
o aumento dos batimentos cardíacos, enfim uma formidável
mobilização para poder nos permitir uma das
duas possíveis opções: enfrentar ou
fugir.
Se a
ameaça que mobilizou todo esse aparato puder ser
combatida com uma atitude adequada, segue-se o relaxamento
e o cansaço físico e, com eles, o repouso
merecido. Por outro lado, o "fugir" porque a situação
exigiu, não trará a desativação
do "estado de alerta" e o stress e a insônia
seguirão seu curso.
Quando
o organismo é continuamente sobrecarregado por tensões,
a reação de stress será seguida por
depressão na esfera psíquica e na física
por queda da resistência imunológica, dando
origem à invasão microbiana, virótica
ou mesmo à "implosão", quando o
organismo passa a atacar a si próprio, com as chamadas
doenças auto-imunes.
STRESS
E PERSONALIDADE
Os candidatos ao stress têm personalidade do tipo
A, isto é, do mesmo grupo que apresenta maior incidência
de doenças cardíacas.
. Ambiciosos - Esforçados para galgar melhor posição
social e financeira e gostam de mostrar suas recentes aquisições;
. Papel
de Liderança - Destacam-se em meio aos demais colegas
de trabalho;
. Sempre
Lutando Contra o Tempo - Impõem-se prazos exíguos;
. Desempenham
Múltiplas Funções - São os "homens
de sete instrumentos" da companhia;
. Exigentes
e Perfeccionistas - O apenas razoável não
interessa, o ótimo é a única meta;
. Pontuais
- Detestam perder tempo;
. Extremamente
Responsáveis - Puxam para si tudo que lhes cai nas
mãos;
. Competitivos
- Criam rivalidade até falando sobre meteorologia;
. Gostam
de Situações Novas - Adoram Desafios;
Dificuldade em Relaxar - Têm a cabeça sempre
"a mil por hora".
STRESS
E ANSIEDADE
A ansiedade é vivida como uma antecipação
de um período imaginário. Começa pela
apreenção e nervosismo e à medida que
o estressado se sente inseguro, passa a ter uma atitude
de "verificação", ruminações,
ritualizações, medo persistente e irracional,
tensão motora e hiperatividade neurovegetativa.
Sendo
um fenômeno emocional, envolve complexas estruturas
cerebrais, implicando na manifestação de mecanismos
bioquímicos envolvidos no processo do stress.
A tensão
motora manifesta-se por tiques, agitação e
tremores. A tensão muscular manifesta-se por dores,
câimbras e fadiga fácil. A hiperatividade neurovegetativa
apresenta os seguintes sintomas: respiração
curta e superficial, sufocação, palpitações
cardíacas ou taquicardia, mãos frias e suadas,
boca seca, vertigens, náuseas, diarréia, muitos
gases expandindo a cavidade abdominal, rubores, calafrios,
micções freqüentes, dificuldades de engolir,
mudanças do tom de voz, etc.
A ansiedade
é o sintoma predominante de um grupo de desordens
que incluem as fobias (medo excessivo de um tipo particular
de objetos, situações ou animais), desordens
de pânico, desordens obsessivo-compulsivas e desordens
de ansiedade generalizada.
O estressado
ansioso apresenta intranqüilidade, sustos freqüentes
aos ruídos comuns, tendência de "dar um
branco" quando falando em público, com superiores
ou em provas. Distúrbios do sono freqüente,
medo de doença incurável (câncer, aids)
e medo de estar ficando louco.
STRESS
E EXERCÍCIO
A ação do exercício permite, em nível
do sistema nervoso central, a liberação de
endorfinas, que desempenham três ações
importantes:
1. Anestésica;
2. Antidepressiva;
3. Ansiolítica.
O exercício
permite também:
· Controle de Peso;
· Melhoria geral de todos os sistemas, principalmente
o cardiovascular, respiratório, músculo-esquelético
e eliminação das toxinas e das excretas vésico-urinária
e intestinal;
· Redução do stress percebido em nível
emocional;
· Sensação de bem-estar e segurança;
· Aumento da auto-estima e controle emocional;
· Atitude mais favorável para com hábitos
saudáveis (abandono do fumo, álcool, café
e outras substâncias intoxicantes);
STRESS E NUTRIÇÃO
O stress aumenta os níveis de colesterol do organismo.
Há também certos alimentos que são
incompatíveis por elevar ainda mais essas lipoproteínas
no sangue. Por exemplo, camarão e lagosta são
constituídos de colesterol, gordura essa responsável
pela cor rosada que caracteriza esses animais, além
de propiciar maior teor de toxinas ao organismo.
O maior
consumo de fibras na alimentação diária
trará dois benefícios imediatos:
1. Regularização do ritmo evacuatório;
2. Diminuição da incidência de câncer
intestinal.
A preferência por carnes brancas (peixe, frango, peru)
ou pelo vegetarianismo diminui a incidência das doenças
cardiocirculatórias. Uma dieta equilibrada e de baixo
teor de gorduras animais permite melhora dos níveis
de risco dos enfartos do miocárdio, aterosclerose,
acidentes vasculares cerebrais (derrames) bem como controle
mais eficiente do peso, da hipertensão arterial e
do diabetes.
STRESS
E TRABALHO
A ergolatria (adoração ao trabalho) tem sido
praticada de forma suicída e nociva por muitas pessoas,
que se referem a si mesmas como indispensáveis e
insubstituíveis, tanto que não entram em férias
há anos. Os hospitais com suas Unidades de Terapia
Intensiva (UTI) estão constantemente lotados de tais
pessoas.
O trabalho
deve ser utilizado e planejado a fim de permitir todo um
quadro de qualidade de vida, e não uma passagem fatigante
para o túmulo. A aposentadoria deve ser planejada
através de nova atitude que seja realizadora e produtora
de satisfação.
STRESS
E BOM-HUMOR
As pessoas bem humoradas, alegres, não somente vivem
mais, como estão sujeitas a menor número de
doenças ao longo da vida. A alegria é fundamental
na manutenção de nossa defesa imunológica,
afastando a possibilidade de contrair doenças.
O bom
humor é usado atualmente para aumentar os linfócitos
T(Killer cells) do organismo, para melhorar as condições
das pessoas com câncer e com as defesas reduzidas
devido à quimioterapia/radioterapia. Lembre-se ao
visitar uma pessoa adoentada que o seu bom humor é
um verdadeiro remédio para ajudar na recuperação.
De fato, "rir é o melhor remédio".
STRESS
E REPOUSO
O sono é um pacotinho com duração de
90 minutos em média. Isto significa que a noite de
repouso é constituída por vários pacotinhos
interligados. O sono é dividido conforme a classificação
em 3 ou 4 fases, sendo a mais importante delas a chamada
fase REM (Rapid Eye Movement ou Rápido Movimento
dos Olhos) que coincide com os sonhos, que duram de segundos
a minutos.
Os olhos,
nesta fase, se movimentam acompanhando os cenários
dos sonhos e ao eletroencefalograma corresponde à
fase de maior relaxamento neuromotor, onde o verdadeiro
descanso ocorre.
O álcool
suprime ou diminui essa fase de maior relaxamento e descanso.
Daí o fato de o indivíduo, quando acorda de
ressaca, sentir maior cansaço do que quando foi dormir,
pois não houve o verdadeiro repouso, impedido pela
intoxicação alcoólica.
Os barbitúricos
e hipnóticos usados para dormir também diminuem
a fase REM e, portanto, o repouso.
Existem
alguns aminoácidos que melhoram a qualidade do sono,
como o triptofano, é uma boa sugestão seria
atender o conselho da vovó de tomar um copo de leite
ao deitar, o que faria melhorar o repouso obtido.
STRESS
E DIMENSÃO ESPIRITUAL
Ao buscar a verticalidade do relacionamento com o Criador,
o stress está sendo modificado. Experimentos envolvendo
cobaias sugerem que aquelas que permaneceram em um ambiente
continuamente hostil (com choques elétricos) vieram
a falecer de stress.
O grupo
que, apesar dos choques por 45 minutos, gozava de 15 minutos
de pausa, ao final do experimento (21 dias) revelou-se mais
saudável e ativo.
O terceiro
grupo, que não recebeu choques, apenas água
e comida, revelou-se deprimido, pois as cobaias perceberam
que estavam presas.
1º
Grupo: Sem esperança e sem ajuda, o stress tornou-se
mortal;
2º Grupo: Sem esperança de poder mudar a situação,
mas recebendo ajuda durante os intervalos, o stress foi
administrado e dentro dos parâmetros de máxima
saúde e capacidade produtiva;
3º Grupo: A situação de stress afigurou-se
máxima, levando à depressão devido
à monotonia do aprisionamento, numa situação
análoga à primeira, isto é, sem esperança
e sem ajuda para modificar.
No dizer
do psiquiatra judeu, Dr. Viktor Frankel, sobrevivente de
um campo de concentração: "- Aqueles
cuja fé não ia além da cerca de arame
farpado, não sobreviveram às condições
subumanas do campo."
Como
no caso das cobaias, estamos muitas vezes na condição
de desesperança, de não ver luz no fim do
túnel, mas a certeza de que há um Deus amoroso
cuidando de nós promove uma modificação
tão grande e importante que superamos o intransponível
na certeza de que "nada poderá nos separar do
amor de Deus que está em Jesus Cristo".
TRATAMENTO
DO STRESS
Compreende quatro fases:
1. Medicamentosa - Instituída dependendo
da intensidade e duração do complexo ansiedade-depressão
pensamento reiterativo;
2. Condicionamento Físico - Ministrado
através de caminhadas em lugares aprazíveis,
ginástica, hidroginástica, bicicletas ergométricas
e aparelhos;
3. Desintoxicação - Compreende
duas etapas:
a) Desintoxicação Dietética - Alimentação
adequada, inclusive com retirada e substituição
do sal comum;
b) Desintoxicação Corporal - Com utilização
dos recursos da fisioterapia, hidroterapia e fitoterapia
(plantas medicinais).
4. Conscientização - Etapa
na qual o estressado aprende a manejar o stress para mantê-lo
dentro dos parâmetros desejáveis, nas várias
circunstâncias da vida.
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