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A Lua Pode Ser Usada para Transmitir energia à Terra

 

 

Col Irm José Francisco Rodrigues -
Fonte: bbc




Como um satélite da Terra, a Lua pode ser usada para transmitir a radiação emitida pelo Sol ao planeta, gerando uma energia completamente limpa. É o que afirma o cientista americano David Criswell, da Universidade de Houston
Por mais de 20 anos, Criswell vem estudando formas para que a energia do Sol - absorvida diariamente pela Lua - seja enviada à Terra e usada para mover automóveis, gerar eletricidade, aquecimento, entre outros. Tudo sem poluir o meio ambiente, nem provocar o aquecimento global.
"A energia solar, transmitida à Terra por meio de estações existentes na Lua, é a única forma possível e viável de energia completamente limpa, capaz de suprir as necessidades do planeta", disse Criswell à BBC Brasil.
Pelos seus cálculos, já publicados em diversas revistas científicas, a quantidade de gás carbônico (CO2) gerada por um país altamente poluidor, como os Estados Unidos, poderia ser reduzida pela metade - caso a Lua fosse melhor explorada.
Desafios

David Criswell detalhará a sua teoria a partir do próximo dia 10, no Congresso Mundial Espacial, que acontece em Houston.

O cientista explica a sua idéia estimando que, até 2050, a população de 10 bilhões de pessoas da Terra irá consumir cerca de 20 terawatts de energia (cada terawatt é equivalente a 1 trilhão de watts). Ou seja: quantidade de três a cinco vezes maior do que a indústria energética mundial é capaz de produzir.

A Lua recebe mais de 13.000 terawatts de energia solar. "Apenas 1% dessa capacidade poderia suprir as demandas da Terra", explica Criswell.

O desafio é, segundo ele, aliar "vontade política e tecnologia" para construir um sistema comercial na Lua capaz de extrair uma pequena amostra do poder do Sol, e fazer com que ele se torne disponível à população terrestre.

O sistema lunar elaborado por Criswell é baseado na construção de células (ou painéis) solares na superfície da Lua para coletar a energia do Sol.
Painéis

Os painéis seriam colocados nos dois lados da Lua, para que a energia emitida fosse constante. A Terra captaria essa energia, enviada por microondas, com a ajuda de receptores especiais.

Os painéis solares, assim como toda a aparelhagem envolvida no projeto, transformaria as ondas em energia necessária ao dia-a-dia, que abasteceria as diferentes centrais do mundo.

David Criswell garante que toda essa tecnologia não está a anos-luz de distância. "Sabemos que o aproveitamento da Lua é possível desde os anos 80. Mas a exploração comercial do satélite foi deixada de lado", reclama.

Para ele, a ajuda de instituições como a Nasa (agência espacial americana) e a ESA (agência espacial européia) seriam fundamentais para o desenvolvimento do projeto.

"Não tenho nada contra com o fato de a Nasa querer explorar Marte. Mas a Lua é um corpo celeste muito mais conhecido e lucrativo hoje em dia para os habitantes da Terra", afirma o cientista.

A criação dessas células na Lua, segundo ele, seria muito mais barata, por exemplo, do que a construção de uma usina nuclear ou hidrelétrica, pois usaria materiais existentes na superfície lunar e tecnologia já desenvolvida por cientistas para os painéis de energia solar convencionais.

"O que sai caro são as viagens constantes para a Lua", explica Criswell.

Viabilidade

O cientista Eduardo Barcelos, da Agência Espacial Brasileira (AEB), vê um enorme potencial em teorias como a de Criswell.

A Lua recebe exatamente a mesma energia da Terra, pois os dois corpos estão à mesma distância do Sol. Só que a Terra tem uma atmosfera que a Lua não tem. Quando os raios chegam aqui, eles estão filtrados e por isso vem muito enfraquecidos e sofrem a influência do tempo, dos ventos e da interação do Sol com o meio ambiente.

O fato de a Terra possuir uma atmosfera é o que possibilita a vida no planeta.

"Na Lua, não há atmosfera e os raios do Sol incidem em sua totalidade. Se conhecermos uma forma viável de transmitir esses raios ao planeta, eles serão muito mais constantes e eficientes, em qualquer parte do mundo, até em países frios e menos ensolarados", explica Eduardo Barcelos.