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Por
Jane E. Brody
Col Irm José Francisco Rodrigues -
FONTE
The New York Times
Quase
21 milhões de americanos estão bastante familiarizados
com a dor da osteoartrite, uma das principais causas de incapacidades
que mudam a vida neste país. É uma condição
crônica que só pode ficar mais comum na medida
em que a população fica mais velha, uma vez
que a incidência aumenta dez vezes dos 30 aos 65 anos.
Mas com
o entendimento de suas causas conhecidas e fatores de risco
associados, muito pode ser feito para evitar o desconforto
e as limitações impostos pela artrite, assim
como evitar os sintomas dessa doença nas articulaçõesquando
já está estabelecida.
Nos termos
mais simples, a osteoartrite é uma doença de
desgaste que resulta do enfraquecimento da cartilagem nas
extremidades dos ossos, causando dores nas juntas.
É
diferente em causa e caráter da artrite reumatóide,
uma condição auto-imune muito menos comum, que
envolve articulações e muitas partes do corpo
inflamadas e inchadas, fadiga e um sentimento geral de indisposição.
Dê
uma olhada na próxima vez que comer uma coxa de frango
e verá um material um pouco diferente na extremidade
do osso.
Esta é
a cartilagem articular que normalmente fornece uma superfície
lisa e escorregadia e amortece o impacto entre os ossos que
formam a junta. Existe em todas as juntas de seu corpo. Mas,
na medida em que você envelhece, a cartilagem gradualmente
perde sua elasticidade e as juntas começam a ruir.
Por fim,
o material que fortalece a junta, a sinóvia, se inflama
em resposta ao dano da cartilagem, e as substâncias
inflamatórias resultantes causam mais danos à
cartilagem, expondo gradualmente o osso.
As extremidades
dos ossos podem então ficar deformadas e espessas.
Ramificações ósseas podem se formar onde
os tecidos flexíveis se prendem, cistos cheios de fluido
podem se formar no osso e perto da junta e o fluido sinovial,
que serve como absorvente de impacto e lubrificante, pode
diminuir de quantidade e qualidade e não mais atuar
com suas funções protetoras.
Apesar
de a osteoartrite poder afetar qualquer articulação,
ocorre com mais freqüência nas juntas que sofrem
mais impactos - quadris, joelhos e coluna dorsal, assim como
os dedos, a base do polegar e a base do dedão do pé
(a infame joanete).
Um mistério
da artrite é que algumas pessoas com doença
nas juntas significativa, mostrada em raio-x, relatam não
sentir desconforto, enquanto outras, com doença mínima,
as vezes são seriamente debilitadas.
Se as
pessoas vivem bastante, a maioria delas desenvolve um certo
grau de artrite, especialmente nas articulações
que suportam mais peso. Porém, por várias razões,
algumas pessoas têm mais propensão para desenvolver
artrite do que outras, e a desenvolvem com menos idade.
Algumas
famílias têm um defeito em um gene envolvido
na produção do colágeno, um componente
importante da cartilagem, que então se deteriora mais
rápido que o normal. Em mulheres, este defeito genético
freqüentemente aparece como crescimentos ósseos
nas articulações dos dedos da mão.
Em outras
famílias, como a minha, o risco de artrite é
aumentado em defeitos em como os ossos que formam articulações
se encaixam, causando, por exemplo, pernas tortas, displasia
nos quadris ou articulações frouxas, resultando
em desgaste excessivo nas articulações atingidas.
Pessoas
com ocupações que requerem tensão excessiva
em certas articulações também têm
mais probabilidade de desenvolver artrite nessas articulações
sobrecarregadas. Aqueles que têm que flexionar seus
joelhos freqüentemente, especialmente quando levantam
materiais pesados, estão entre os mais vulneráveis.
Mas o
principal fator de risco para a artrite é a obesidade,
particularmente o ganho excessivo de peso na meia-idade e
após. Quanto mais pesado você é, mais
pressão há sobre sua coluna, seus quadris, joelhos
e tornozelos.
Além
disso, pessoas mais pesadas tendem a resistir a exercícios,
resultando em outro fator de risco - músculos mais
fracos, principalmente na coxa. A fraqueza na coxa, por sua
vez, coloca tensão extra sobre os joelhos.
Outro
fator de risco comum são ferimentos em certas articulações,
assim como uso excessivo das mesmas. É por isso que
alguns atletas - especialmente jogadores de basquete, futebol
e futebol americano e lançadores de beisebol - freqüentemente
desenvolvem artrite in no joelho ainda jovens.
Agora
que sei tudo isso, posso ver que eu era uma presa tão
fácil para a artrite em meus joelhos que agora é
cada vez mais difícil para mim participar de todas
as atividades das quais gosto, especialmente tênis.
O único
fator de risco do qual escapei foi estar acoima de peso.
Nasci
com as pernas tortas, o que colocou pressão indevida
sobre a metade interna das articulações de meus
joelhos.
Corri
quase diariamente por quase uma década, e quando isso
se tornou doloroso mudei para caminhadas aeróbicas
diárias. Muitas vezes por semana durante as últimas
três décadas joguei tênis, que envolve
arranques e paradas abruptos. E deforma os joelhos quase que
a cada pancada.
Também
tive ferimentos em três ligamentos do joelho esquiando,
e fiz uma cirurgia artroscópica para remover um menisco
fragmentado, o disco de amortecimento de meu joelho esquerdo.
Conforme a parte do meio de meus joelhos ficou cada vez mais
desgastada, minhas pernas ficaram cada vez mais arqueadas,
causando mais e mais pressão sobre as articulações,
e agora estou andando com osso sobre osso.
Mas também
aprendi que muito pode ser feito para melhorar minha mobilidade
e para adiar mais progressões. Aqueles que ainda não
foram afetados podem reduzir seu risco de desenvolver artrite
ou pelo menos adiá-la o máximo possível.
A prevenção número um: evitar ganho de
peso excessivo e perder quilos a mais.
Apesar
de nenhum atleta com talento e paixão pelo esporte
estar disposto a evitá-lo, consultar um especialista
em medicina esportiva pode ajudar as pessoas a escolherem
atividades que se adaptam melhor a seus tipos físicos.
Eu teria me dado melhor como ciclista ou nadador do que como
corredor, esquiador ou tenista.
Se seu
trabalho envolve pressão excessiva nas articulações,
um terapeuta ocupacional pode te ensinar a minimizar essa
pressão.
Além
disso, a fisioterapia pode ajudar a aumentar a força
dos músculos que sustentam suas articulações
e ensinar a usar suas articulações inteligentemente,
para minimizar a pressão, e quando aplicar frio e calor
para juntas doloridas.
Um terapeuta
também pode fornecer mecanismos de ajuda, incluindo
braçadeiras e palmilhas e dar conselhos sobre sapatos
apropriados para reduzir o stress nas articulações.
Exercícios
aeróbicos regulares são importantes tanto para
reduzir o risco de desenvolver artrite quanto para reduzir
o desconforto que ela causa. Muitas pessoas com dores artríticas
limitam suas atividades a um ponto que é improdutivo.
Exercícios
aeróbicos moderados aumentam a circulação
nas juntas e as mantêm saudáveis e estáveis.
Natação, hidroginástica e outros exercícios
aquáticos são especialmente favoráveis,
pois envolvem tensão mínima em articulações
sobrecarregadas.
Treinos
de resistência - em uma máquina ou com pesos
livres - constroem músculos fortes e reduzem a pressão
sobre articulações. E não esqueça
de fazer alongamento antes e depois dos exercícios,
pois músculos atrofiados aumentam os riscos de problemas
articulares.
Finalmente,
pesquisas recentes indicaram que um efeito de proteção
pode ser oferecido pelas vitaminas C e D e possivelmente E.
Mesmo depois que a artrite se desenvolveu, aumentar a ingestão
de vitamina D com um suplemento diário de 400 a 800
unidades internacionais pode conter a progressão de
um dano articular.
Há
certas evidências de que a reposição de
estrógeno após a menopausa minimiza o risco
e a progressão da artrite. Mas em mulheres que param
a reposição hormonal, os progressos da doença
têm a mesma taxa do que naquelas que nunca o usaram. |