Col do Irm Jose Francisco Rodrigues ( * )
A fumaça do incenso, substância aromática utilizada pelos hindus, budistas, lojas
maçônicas e cristãos, em lugares de
culto, é muito perigosa para a saúde devido
à presença de elementos cancerígenos,
segundo estudo publicado na última edição
da revista New Scientist.
O nível de um componente
químico considerado causador do câncer de pulmão,
segundo o estudo, era 40 vezes mais alto em um templo de
Londres mal ventilado do que em lugares onde se fuma cigarros.
Além disso, o incenso
causa mais poluição que a passagem de carros
num cruzamento, segundo os pesquisadores.
"Com toda sinceridade,
queríamos que o fato de se queimar incenso só
trouxesse bem-estar espiritual (...) mas existe risco potencial
de câncer, ainda que não sejamos capazes de
quantificá-lo no momento", disse à revista
o pesquisador Ta Chang Lin, da Universidade nacional Cheng
Kung de Taiwan.
Sua equipe de trabalho recolheu
amostras no interior e exterior de um templo maçônico
de Taipei e também num cruzamento da capital.
No interior do templo, encontram-se
concentrações muito fortes de hidrocarbonetos
aromatizantes policíclicos (PAHs), grupo de componentes
químicos altamente cancerígenos que se desprendem
durante a combustão de certas substâncias.
O nível de PAHs dentro
do templo era 19 vezes mais alto que fora dele e também
superior ao registrado no cruzamento estudado.
Em especial o benzopireno,
um PAH muito cancerígeno, estava presente em grande
quantidade no interior do templo. Os pesquisadores mediram
níveis 45 vezes mais elevados que nas moradias dos
fumantes e 118 vezes maior que nas casas onde não
se queima incenso ou fuma.
"No decorrer de certas
cerimônias, dezenas ou até centenas de bastões
de incenso são queimados por fiéis simultaneamente.
Às vezes, mal se consegue ver o que se passa do outro
lado do recinto". "Preocupamo-nos com a saúde
dos que cuidam e limpam os templos", declararam os
pesquisadores à publicação britânica. |