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Col Irm. Jose Francisco Rodrigues ( * )
Definição,
causas e tratamentos
Fonte: National Institute of Mental Health - USA
"De repente, senti uma terrível onda de medo,
sem nenhum motivo. Meu coração disparou, tive
dor no peito e dificuldade para respirar. Pensei que fosse
morrer."
"Tenho tanto medo. Toda vez que me preparo para sair,
tenho aquela desagradável sensação
no estômago e me aterrorizo pensando que vou ter outra
crise de pânico."
QUAIS OS SINTOMAS DE UMA CRISE DE PÂNICO?
Como se descreve acima, os sintomas de uma crise de pânico
aparecem subitamente, sem nenhuma causa aparente. Eles podem
incluir:
· Palpitações (o coração
"dispara")
· Dores no peito
· Tontura, atordoamento, náusea
· Dificuldade para respirar
· Sensação de "formigamento"
ou de fraqueza nas mãos
· Calafrios ou ondas de calor
· Sensação de "estar sonhando"
ou distorções de percepção da
realidade
· Terror - sensação de que algo inimaginavelmente
horrível está prestes a acontecer e de que
se está impotente para evitar tal acontecimento
· Medo de perder o controle e fazer algo embaraçoso
· Medo de morrer
Uma crise de pânico dura caracteristicamente vários
minutos e é uma das situações mais
angustiantes que podem ocorrer a alguém.
A maioria das pessoas que tem uma crise terá outras.
Quando alguém tem crises repetidas ou se sente muito
ansioso, com medo de ter outra crise, diz-se que tem distúrbio
do pânico.
O QUE É DISTÚRBIO DO PÂNICO?
Distúrbio do pânico é um problema sério
de saúde, e pelo menos 1,6% dos adultos (dados da
população americana) o terá alguma
vez na vida. Este distúrbio é nitidamente
diferente de outros tipos de ansiedade, caracterizando-se
por crises súbitas, sem fatores desencadeantes aparentes
e, freqüentemente, incapacitantes.
Depois de ter uma crise de pânico - por exemplo, enquanto
dirige, fazendo compras em uma loja lotada ou dentro de
um elevador - a pessoa pode desenvolver medos irracionais
(chamados fobias) destas situações e começar
a evitá-las. Gradativamente o nível de ansiedade
e o medo de uma nova crise podem atingir proporções
tais, que a pessoa com distúrbio do pânico
pode se tornar incapaz de dirigir ou mesmo pôr o pé
fora de casa. Neste estágio, diz-se que a pessoa
tem distúrbio do pânico com agorafobia. Desta
forma, o distúrbio do pânico pode ter um impacto
tão grande na vida cotidiana de uma pessoa como outras
doenças mais graves - a menos que ela receba um tratamento
eficaz.
O DISTÚRBIO DO PÂNICO É GRAVE?
Sim, o distúrbio do pânico é real e
potencialmente incapacitante, mas pode ser controlado com
tratamentos específicos. Por causa dos seus sintomas
desagradáveis, ele pode ser confundido com uma doença
cardíaca ou outra doença grave. Freqüentemente
as pessoas procuram um pronto-socorro quando têm a
crise de pânico e podem passar desnecessariamente
por extensos exames médicos para excluir outras doenças.
Os médicos em geral tentam confortar o paciente em
crise de pânico, fazendo-o entender que não
está em perigo. Mas estas tentativas podem às
vezes piorar as dificuldades do paciente: se o médico
usar expressões como "não é nada
grave", "é um problema de cabeça"
ou "não há nada para se preocupar",
isto pode produzir uma impressão incorreta de que
não há problema real e de que existe tratamento
ou de que este não é necessário.
QUAL O TRATAMENTO PARA O DISTÚRBIO DO PÂNICO?
Graças a estudos, há uma variedade de
tratamentos, inclusive diversos medicamentos e também
tipos específicos de psicoterapia. Freqüentemente,
a associação de psicoterapia e medicamentos
produz bons resultados. A melhora, em geral, ocorre em pouco
tempo - cerca de 6 a 8 semanas. Assim, o tratamento adequado
do distúrbio do pânico pode evitar as crises
de pânico ou, pelo menos, reduzir substancialmente
a intensidade e freqüência das mesmas - trazendo
alívio significativo para 70 a 90 por cento das pessoas
com este distúrbio.
Adicionalmente, pessoas com distúrbio do pânico
podem necessitar de tratamento para outros problemas emocionais.
A depressão tem sido freqüentemente relacionada
ao distúrbio do pânico, assim como o alcoolismo
e a dependência a drogas. Estudos recentes sugerem
também que tentativas de suicídio são
mais freqüentes em pessoas com distúrbio do
pânico. Felizmente, tais problemas associados ao distúrbio
podem ser efetivamente superados, assim como o próprio
distúrbio.
Infelizmente, muitas pessoas com o distúrbio não
procuram ou não recebem tratamento. Para incentivar
o tratamento, é necessária maior divulgação
a respeito deste distúrbio.
O QUE ACONTECE SE O DISTÚRBIO NÃO FOR TRATADO?
O distúrbio do pânico tende a continuar por
meses ou anos. Embora, caracteristicamente, ele se inicie
no começo da vida adulta, em algumas pessoas os sintomas
podem aparecer antes ou depois deste período. Se
não forem tratados, podem se agravar ao ponto de
a vida do paciente ser profundamente prejudicada pelas crises
de pânico ou pelas tentativas de evitá-las
ou ocultá-las. De fato, muitas pessoas têm
problemas com os amigos ou a família ou perdem o
emprego, enquanto lutam contra o distúrbio do pânico.
Pode haver períodos de melhora espontânea do
distúrbio, mas, em geral, ele não desaparece,
a menos que a pessoa receba um tratamento específico.
O QUE CAUSA O DISTÚRBIO DO PÂNICO?
De acordo com uma das teorias, o sistema de "alerta"
normal do organismo - o conjunto de mecanismos físicos
e mentais que permite que uma pessoa reaja a uma ameaça
- tende a ser desencadeado desnecessariamente na crise de
pânico, sem haver perigo iminente. Os especialistas
não sabem exatamente por que isto acontece ou por
que algumas pessoas são mais suscetíveis ao
problema do que outras.
Constatou-se que o distúrbio ocorre com maior freqüência
em algumas famílias, e isto pode significar que há
uma participação importante de um fator hereditário
(genético) na determinação de quem
desenvolverá o distúrbio.
Entretanto, muitas pessoas que desenvolvem este distúrbio
não têm nenhum antecedente familiar. Freqüentemente,
as primeiras crises são desencadeadas por doenças
físicas, uma situação de "stress"
acentuado ou até mesmo por medicamentos que aumentam
a atividade da região do cérebro envolvida
em reações de medo.
ONDE PROCURAR AJUDA?
Devido às particularidades mencionadas na questão
sobre "tratamento", o distúrbio do pânico
deve, preferencialmente, ser tratado por um psiquiatra.
Para obter informações sobre o tratamento
psiquiátrico, você pode se dirigir a:
- Hospitais universitários;
- Centros de sáude mental da comunidade;
- Hospitais psiquiátricos públicos;
- Serviços psiquiátricos de hospitais gerais;
- Associações profissionais como sociedades
médicas ou associações de psiquiatria.
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