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( * ) Irm. Jose Francisco Rodrigues
Gr.'. Or.'. Paulista -
Sorocaba, SP,
11 de outubro de 2.001

DISTÚRBIO DO PÂNICO


Col Irm. Jose Francisco Rodrigues ( * )



Definição, causas e tratamentos
Fonte: National Institute of Mental Health - USA


"De repente, senti uma terrível onda de medo, sem nenhum motivo. Meu coração disparou, tive dor no peito e dificuldade para respirar. Pensei que fosse morrer."
"Tenho tanto medo. Toda vez que me preparo para sair, tenho aquela desagradável sensação no estômago e me aterrorizo pensando que vou ter outra crise de pânico."

QUAIS OS SINTOMAS DE UMA CRISE DE PÂNICO?
Como se descreve acima, os sintomas de uma crise de pânico aparecem subitamente, sem nenhuma causa aparente. Eles podem incluir:
· Palpitações (o coração "dispara")
· Dores no peito
· Tontura, atordoamento, náusea
· Dificuldade para respirar
· Sensação de "formigamento" ou de fraqueza nas mãos
· Calafrios ou ondas de calor
· Sensação de "estar sonhando" ou distorções de percepção da realidade
· Terror - sensação de que algo inimaginavelmente horrível está prestes a acontecer e de que se está impotente para evitar tal acontecimento
· Medo de perder o controle e fazer algo embaraçoso
· Medo de morrer

Uma crise de pânico dura caracteristicamente vários minutos e é uma das situações mais angustiantes que podem ocorrer a alguém.
A maioria das pessoas que tem uma crise terá outras. Quando alguém tem crises repetidas ou se sente muito ansioso, com medo de ter outra crise, diz-se que tem distúrbio do pânico.

O QUE É DISTÚRBIO DO PÂNICO?

Distúrbio do pânico é um problema sério de saúde, e pelo menos 1,6% dos adultos (dados da população americana) o terá alguma vez na vida. Este distúrbio é nitidamente diferente de outros tipos de ansiedade, caracterizando-se por crises súbitas, sem fatores desencadeantes aparentes e, freqüentemente, incapacitantes.
Depois de ter uma crise de pânico - por exemplo, enquanto dirige, fazendo compras em uma loja lotada ou dentro de um elevador - a pessoa pode desenvolver medos irracionais (chamados fobias) destas situações e começar a evitá-las. Gradativamente o nível de ansiedade e o medo de uma nova crise podem atingir proporções tais, que a pessoa com distúrbio do pânico pode se tornar incapaz de dirigir ou mesmo pôr o pé fora de casa. Neste estágio, diz-se que a pessoa tem distúrbio do pânico com agorafobia. Desta forma, o distúrbio do pânico pode ter um impacto tão grande na vida cotidiana de uma pessoa como outras doenças mais graves - a menos que ela receba um tratamento eficaz.

O DISTÚRBIO DO PÂNICO É GRAVE?
Sim, o distúrbio do pânico é real e potencialmente incapacitante, mas pode ser controlado com tratamentos específicos. Por causa dos seus sintomas desagradáveis, ele pode ser confundido com uma doença cardíaca ou outra doença grave. Freqüentemente as pessoas procuram um pronto-socorro quando têm a crise de pânico e podem passar desnecessariamente por extensos exames médicos para excluir outras doenças.

Os médicos em geral tentam confortar o paciente em crise de pânico, fazendo-o entender que não está em perigo. Mas estas tentativas podem às vezes piorar as dificuldades do paciente: se o médico usar expressões como "não é nada grave", "é um problema de cabeça" ou "não há nada para se preocupar", isto pode produzir uma impressão incorreta de que não há problema real e de que existe tratamento ou de que este não é necessário.

QUAL O TRATAMENTO PARA O DISTÚRBIO DO PÂNICO?
Graças a estudos, há uma variedade de tratamentos, inclusive diversos medicamentos e também tipos específicos de psicoterapia. Freqüentemente, a associação de psicoterapia e medicamentos produz bons resultados. A melhora, em geral, ocorre em pouco tempo - cerca de 6 a 8 semanas. Assim, o tratamento adequado do distúrbio do pânico pode evitar as crises de pânico ou, pelo menos, reduzir substancialmente a intensidade e freqüência das mesmas - trazendo alívio significativo para 70 a 90 por cento das pessoas com este distúrbio.

Adicionalmente, pessoas com distúrbio do pânico podem necessitar de tratamento para outros problemas emocionais. A depressão tem sido freqüentemente relacionada ao distúrbio do pânico, assim como o alcoolismo e a dependência a drogas. Estudos recentes sugerem também que tentativas de suicídio são mais freqüentes em pessoas com distúrbio do pânico. Felizmente, tais problemas associados ao distúrbio podem ser efetivamente superados, assim como o próprio distúrbio.
Infelizmente, muitas pessoas com o distúrbio não procuram ou não recebem tratamento. Para incentivar o tratamento, é necessária maior divulgação a respeito deste distúrbio.

O QUE ACONTECE SE O DISTÚRBIO NÃO FOR TRATADO?
O distúrbio do pânico tende a continuar por meses ou anos. Embora, caracteristicamente, ele se inicie no começo da vida adulta, em algumas pessoas os sintomas podem aparecer antes ou depois deste período. Se não forem tratados, podem se agravar ao ponto de a vida do paciente ser profundamente prejudicada pelas crises de pânico ou pelas tentativas de evitá-las ou ocultá-las. De fato, muitas pessoas têm problemas com os amigos ou a família ou perdem o emprego, enquanto lutam contra o distúrbio do pânico. Pode haver períodos de melhora espontânea do distúrbio, mas, em geral, ele não desaparece, a menos que a pessoa receba um tratamento específico.

O QUE CAUSA O DISTÚRBIO DO PÂNICO?
De acordo com uma das teorias, o sistema de "alerta" normal do organismo - o conjunto de mecanismos físicos e mentais que permite que uma pessoa reaja a uma ameaça - tende a ser desencadeado desnecessariamente na crise de pânico, sem haver perigo iminente. Os especialistas não sabem exatamente por que isto acontece ou por que algumas pessoas são mais suscetíveis ao problema do que outras.

Constatou-se que o distúrbio ocorre com maior freqüência em algumas famílias, e isto pode significar que há uma participação importante de um fator hereditário (genético) na determinação de quem desenvolverá o distúrbio.

Entretanto, muitas pessoas que desenvolvem este distúrbio não têm nenhum antecedente familiar. Freqüentemente, as primeiras crises são desencadeadas por doenças físicas, uma situação de "stress" acentuado ou até mesmo por medicamentos que aumentam a atividade da região do cérebro envolvida em reações de medo.

ONDE PROCURAR AJUDA?
Devido às particularidades mencionadas na questão sobre "tratamento", o distúrbio do pânico deve, preferencialmente, ser tratado por um psiquiatra.
Para obter informações sobre o tratamento psiquiátrico, você pode se dirigir a:
- Hospitais universitários;
- Centros de sáude mental da comunidade;
- Hospitais psiquiátricos públicos;
- Serviços psiquiátricos de hospitais gerais;
- Associações profissionais como sociedades médicas ou associações de psiquiatria.

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