Col Irm. Jose Francisco Rodrigues ( * )
Dentre os tipos de câncer, o de pulmão
é o mais comum em homens e mulheres nos Estados Unidos.
Lá, cerca de 180 mil pessoas por ano são diagnosticadas
como portadoras da doença. O fumo é realmente
o grande vilão da história, sendo que seus
produtos atingem fumantes e não fumantes. No Brasil,
as estatísticas mostram o aumento de câncer
de pulmão entre as mulheres após sua emancipação
sócio-profissional. Com a conquista do "direito"
masculino de fumar, antes considerado uma vergonha para
"mulheres de bem", elas também, infelizmente,
passaram a fazer parte da estatística do câncer
pulmonar.
O diagnóstico precoce ajuda o tratamento?
Sabe-se que a detecção precoce do câncer
ajuda em seu tratamento. Entretanto, o maior problema encontrado
por médicos que tratam câncer de pulmão
está no fato de apenas 15% dos pacientes terem a
doença localizada no momento do diagnóstico.
Quais são as opções de tratamento?
O tratamento ideal é a cirurgia, que deve ser realizada
sempre que possível para retirar todo o tumor, livrando
o paciente da doença. Infelizmente a cirurgia só
é possível em 10% dos casos, pois muitas pessoas
têm outras doenças graves que elevam o risco
da cirurgia (exemplo: enfisema pulmonar ou doença
cardíaca) ou já estão com outros órgãos
comprometidos pelo câncer - metastáses - (exemplo:
gânglios, fígado, ossos ou cérebro)
no momento em que ele é descoberto.
Para os 90% que não podem ser operados, utiliza-se
a quimioterapia e a radioterapia para controlar a doença
e reduzir os sintomas. Em casos específicos a cirurgia
para se tirar a lesão pulmonar e a metástase
pode ser realizada. Esta, no entanto, deverá ser
complementada com quimioterapia e/ou radioterapia para evitar
o surgimento de novas metástases. Hoje, com medicações
mais modernas, a quimioterapia causa menos efeitos colaterais
e pode ser realizada sem a necessidade de internação.
Quem tem maior risco de ter câncer de pulmão?
A grande maioria dos casos é causada pela inalação
de substâncias que diretamente causam alterações
em células pulmonares ou simplesmente facilitam o
aparecimento de mutações (alterações
no código genético da célula). Uma
enorme quantidade destas substâncias está presente
em cigarros, charutos e cachimbos. Fumantes ativos têm
em média 13 vezes mais chance de ter câncer
de pulmão. Já os fumantes passivos (pessoas
que convivem com fumantes e respiram a fumaça do
cigarro) têm 1,5 vezes mais chance quando comparados
aos não fumantes. Mas esses números podem
ser ainda maiores. Sabe-se, por exemplo, que uma pessoa
que fumou dois maços de cigarro por dia durante 20
anos, aumenta em 60 a 70 vezes a probabilidade de ter câncer
comparado a um não fumante. Pessoas cujos pais tiveram
câncer de pulmão têm uma probabilidade
até duas vezes maior de desenvolver a doença.
No entanto, se forem fumantes, este risco aumenta de modo
significativo.
Parar de fumar reduz o risco?
Sim. Estudos realizados na década de 70 mostram que
ex-fumantes têm seu risco de câncer reduzido
anualmente após a interrupção do hábito
e podem diminuir este risco em até dez vezes. |