Samaúma
 

 

 

 

 

 

 



 


 *Hercule Spoladore
Loja de Pesquisas Maçônicas “Brasil” – Londrina – PR


Médico, escritor, historiador, palestrante.
Membro da Loja de Pesquisas Maçônicas "BRASIL" - Londrina - Pr
e Correspondente da Loja Francisco Xavier Ferreira de Pesquisas
Maçônicas, de Porto Alegre.
Contato:




O CASO “JACK, O ESTRIPADOR”

 


 

 

 

HERCULE SPOLADORE*
hercule_spolad@sercomtel.com.br

 

 

 

 


 

Corria em Londres, o aparentemente feliz, mas tremendamente hipócrita ano de 1888. A sociedade Londrina estava submetida, sob a moral vitoriana a concei tos religiosos tão preconceituosos e tão esdrúxulos que, por exemplo, mantinham os pés de um móvel quando bem torneados, cobertos por um pano, porque poderiam lembrar as pernas de uma mulher. O puritanismo chegara a tal ponto que atingiu as raias do fanatismo idiota e ridículo.

Numa cidade de quase quatro milhões de habitantes as residências dos burgueses estavam repletas de objetos de arte de origem duvidosa e uma moral religiosa muito austera e rígida.

Os intelectuais ligados a poesia liam os contemporâneos Tennyson e Browning. Os que gostavam da sátira e da crítica estavam com Bernard Show e Lewis Carrol. Os amantes da música, os melômanos, assistiam as operetas de Gilbert & Sullivam.

Sherlock Holmes, imortal criação do maçom Conan Doyle, fez a sua estréia no ano anterior. Em 1886, Robert Louis Stevenson criou a sua obra de ficção “O Médico e o Monstro” e o escritor Oscar Wilde, que se opunha às convenções sociais, escandalizando os leitores, com obras como “O retrato de Dorian Gray”, “Príncipe Feliz”, ”O crime de Lord Seville” e tantas outras obras, ainda não havia sido preso pelo crime de homossexualismo.

Entretanto, num dos populosos bairros pobres de Londres, na sua zona leste, de nome Whitechapel, onde se concentravam judeus refugiados do expurgo da Rússia de 1881, e também os sefarditas mediterrâneos, que também eram descendentes de judeus de origem ibérica emigrados, no século anterior para a Inglaterra no governo de Oliver Cromwell, e uma vasta gama de gente de toda e da pior espécie, não resta a menor dúvida que a situação era muito diferente de Londres vitoriana. Os albergues mais pareciam bordéis, sujos, sem limpeza, sem higiene, repletos de doenças. Aí pulavam ladrões, assassinos, rufiões, proxenetas, em fim, a pior escala social da Inglaterra, onde a prostituição e o alcoolismo eram uma constante.

No dia 31/08/1888, uma prostituta alcoólatra saiu com um estranho e foi morta por este com requintes de perversidade.

Com uma lâmina, aplicou-lhe dois golpes no pescoço, cortandolhe as duas carótidas e a traquéia. Outro golpe acertou-lhe o estômago. Não satisfeito após levantar-lhe o vestido, desferiu vários golpes em seus órgãos genitais. No dia 08/09/1888, mais uma vítima foi achada nos fundos de uma casa. Repetindo o mesmo ritual, após a seção das carótidas, e região genital e aberto o ventre o assassino retirou o intestino delgado levando o mesmo até o ombro direito.

Nestas alturas dos acontecimentos, a impressa começou a noticiar os fatos bem à moda inglesa, levantando as mais fantásticas hipóteses. A Polícia Metropolitana não sabia o que fazer. No dia 27/09/1888, uma carta enviada à Central News Agency do Ministério do Interior, fazendo chacotas com a Polícia, prometendo mais crimes e se auto intitulando “Jack, O Estripador”, finalmente o assassino se apresentou anonimamente.

No dia 29/09/1888 quando um caixeiro-viajante voltava à sua residência quase surpreende “Jack” cometendo mais um crime. Desta feita, “Jack” teve tempo para fugir e apenas seccionar as carótidas da sua nova vítima. O psicopata enfurecido por não ter conseguido terminar seu macabro ritual, daí mais ou menos uma hora matou outra mulher, por sinal mais uma prostituta. Neste crime ele completou sua hedionda monstruosidade. Cortou a garganta bilateralmente até a coluna cervical; rasgando a parede torácica desde o esterno até o púbis; levou como de costume os intestinos até o ombro direito; cortou a orelha direita, produziu ferimentos nos lábios, pálpebras, nariz e debaixo dos olhos retirou dois retalhos de pele de forma triangular. A Polícia estava no encalço do assassino quando deparou com uma inscrição atribuída ao mesmo, escrita num muro: “Os Judeus (só que ao invés de estar escrito JEWS, estava assim grafada JUWES) são os Homens Que não serão Acusados por nada”.

Entretanto, um detetive, ficou vigiando a inscrição, aguardando que a mesma fosse fotografada, quando o superintendente Thomas Arnold, da Polícia Metropolitana, chegou ao local ordenou que a mesma fosse apagada. O próprio detetive protestou, mas o comissário Charles Warren confirmou a ordem.

Justamente por causa desta ordem, a Maçonaria entrou no caso, envolvendo a pessoa do Irmão Warren. É lógico que com a destruição da inscrição, a Polícia perdeu o único espécime de letra do assassino. Sendo grafado JUWES e não JEWS, Warren foi acusado posteriormente de ter acobertado um Maçom, que seria “Jack”. Seus inimigos alegaram que JUWES está ligado à tradição maçônica e à lenda de Hiran, pois quer dizer os três “J”, iniciais dos traidores Jubela, Jubelus e Jubelum. Entretanto muito tempo depois, Warren alegou que havia na ocasião uma onda antissemita muito grande na Inglaterra, e já a Polícia havia prendido e soltado um judeu por falta de provas, como suspeito de ser o “Jack”. Qualquer menção à judeus, poderia ter conseqüências imprevisíveis, causando convulsões internas no país.

No dia 10/11/1888, a Rainha Victória enviou um telegrama cifrado ao Primeiro Ministro, Lord Salisbury, onde criticava a Polícia. Na última frase do seu telegrama, segundo alguns, ela deixava transparecer que poderia haver envolvimento nos assassinatos de alguém da Casa Real, e que no caso seria o Príncipe Albert Victor, Duque de Clarence, um sucessor do trono. Para sorte do Império, este sucessor, que era homossexual, contraiu sífilis e morreu antes dos trinta anos.

O último crime do “Jack” foi cometido um dia antes do telegrama da Rainha ao seu Primeiro Ministro, ou seja, no dia 09/11/1888. Não precisa ser descrita a fúria assassina do “Jack”.

Foi mais dantesca que as anteriores. Ninguém ficou sabendo oficialmente quem foi “Jack”. Em 1892 o caso foi encerrado como insolúvel.

Os ingleses, povo que gosta do insólito, que gosta de fantasmas, casas mal assombradas e etc., teve no caso de “Jack, O Estripador” um manancial muito rico de especulações que até hoje ainda rende livros, estórias com as mais variadas hipóteses, onde misturam a realidade com a ficção.

E assim em 1965, a BBC de Londres através de um programa acusou Sherlock Holmes de ser “Jack, O Estripador”.

Ora, Sherlock era um personagem fictício.

Em 1978, através de um filme: “Assassinato por Decreto” eles colocam Sherlock Holmes caçando “Jack, O Estripador – A Solução Final” no qual ele incrimina várias personalidades envolvidas no caso dos assassinatos, como sendo Maçons. Ele refere que a Polícia inglesa em 1888, encobriu um complô maçônico por ordem da Rainha Victoria, porque havia a forte suspeita que um membro da Família Real, em especial o já citado Duque de Clarence fosse o assassino.

Na montagem de seu livro, Knight refere que o Primeiro Ministro, Lord Salisbury, o Comissário de Polícia Sir Charles Warren, Sir James Anderson, Assistente do Comissário de Polícia e Sir William Gull, médico da Rainha eram todos Maçons.

Entretanto, este autor, três anos antes procurou o Maçom J. M. Hamill, ligado à Grande Loja Unida da Inglaterra, o qual lhe informou que somente Sir Charles Warren era Maçom. Mesmo assim o autor sensacionalista insistiu em referir que todas aquelas personalidades, além de Warren, eram Maçons.

A defesa de Sir Charles Warren se baseia em vários pontos. Em primeiro lugar, não está provado que tenha sido “Jack, O Estripador” que tenha escrito a frase encontrada no muro. Em segundo lugar, se ele teve ou não a intenção de incriminar judeus, ou os assassinos de Hiran, ninguém pode afirmar. Em terceiro lugar os rituais ingleses da Maçonaria não reconhecem a palavra JUWES.

O autor Stephen Knigth escreveu mais um livro à sua moda, sobre a Ordem intitulado “A Irmandade” (The Brotherhood).

Parece que à luz da razão, sem ficções, sem acusar a Maçonaria, sem levantar hipóteses que teria sido o improvável, mas sensacional suspeito Duque de Clarence, que o verdadeiro culpado teria sido o cidadão Montague John Druitt, professor, advogado, e provavelmente homossexual, cujo corpo foi encontrado no Rio Tâmisa, tendo “se suicidado quando em estado de privação de sentidos”.

Sua Mãe foi internada em Hospital Psiquiátrico, e este fatoparece ter causado confusão mental, no suspeito. A coincidência de datas. além dos assassinatos terem sido cometidos em fins de semanas, quando ele estava de folga da escola onde era professor, fazem dele para a Polícia, o suspeito ideal.

De qualquer forma o caso “Jack, O Estripador” acabou custando o cargo de Comissário da Polícia ao Irmão Sir Charles Warren, o qual ele próprio pensara em abandonar, mesmo antes dos assassinatos.