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Não concordo
que haja risco de represália dos Estados Unidos se o governo
brasileiro insistir numa posição crítica em
relação à invasão do Iraque, como andam
dizendo. E se houver represália, o que pode nos acontecer?
Um bombardeio
de Brasília, desde que não seja entre terças
e quintas, não afetará o funcionamento do Congresso,
que não estará lá. O Executivo e o Judiciário
também correm perigo mínimo: pouca gente sabe que
o Niemeyer
construiu boa parte dos edifícios de Brasília embaixo
da terra já prevendo um eventual ataque americano.
São
poucas as probabilidades de o presidente ou sua família serem
atingidos, a não ser que a Michelle fuja do abrigo e o Lula
corra atrás dela.
No Judiciário,
os processos empilhados esperando julgamento agiriam como sacos
de areia, dando proteção adicional aos juízes.
E há
sempre a esperança de os americanos bombardearem Buenos Aires.
Se o Donald
Rumsfeld não decidir que as tropas terrestres devem invadir
o Brasil pela Amazônia, onde o risco de tempestades de areia
é mínimo, elas deverão desembarcar na Bahia,
onde terão de avançar lentamente, respeitando
as características locais, ou no Rio, onde enfrentarão
o grosso do armamento pesado do nosso Exército que, como
se sabe, está todo na mão dos traficantes, sendo improvável
que consigam passar do Complexo do Alemão.
Se desembarcarem
em Santos para atacar São Paulo, terão de enfrentar
o engarrafamento na Imigrantes. E apesar da informação
da CIA quanto ao descontentamento interno e a oposição
feroz ao regime instaurado no país,
os americanos se iludem se pensam que poderão contar com
adesão da Heloisa Helena ou do Babá.
E há
o perigo de armadilhas. Avançando pela Barra da Tijuca, onde
todos os letreiros e anúncios são em inglês,
os soldados invasores podem ter a enganosa impressão de que
estão em casa ou no mínimo que houve uma
rendição antes mesmo do ataque, baixarem a sua guarda
e serem emboscados pelo Batalhão de Elite "Vera Loyola",
furiosamente leal a Lula.
E se, mesmo
assim, a invasão tiver sucesso e o regime for derrubado,
devemos pensar no lado positivo da coisa: o país será
totalmente reconstruído por empresas ligadas à Casa
Branca, e quem pagará será o tesouro americano.
Finalmente
teremos saneamento básico decente, etc., sem falar em "marines"
com visão noturna patrulhando as ruas contra o crime. E não
é demais lembrar que foi o general MacArthur, chefe das forças
de ocupação, que impôs a reforma agrária
no Japão com a decisão que tem faltado aos nossos
governantes.
Por enquanto,
no entanto, os americanos se limitam a nos atacar com agências
internacionais de fragmentação sob o seu controle
que subjugam nossa economia, e tratados multinacionais teleguiados
que eternizam nossa dependência, em represália a....
Em represália a que, mesmo?
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