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Dr.Geraldo Mendes dos Santos ( * )
Não
sei como os sociólogos, antropólogos, psicólogos
e outros estudiosos do comportamento analisam a questão,
mas é notória a influência do calendário
na vida das pessoas.
Aliás, talvez seja esta, justamente, a razão
histórica da existência da contagem do tempo
e dos anelos forjados em torno das datas comemorativas.
Afinal, por que festejamos aniversários, bodas de
ouro e prata e tanto nos rendemos à passagem do milênio?
Por que os quinze anos são tão celebrados;
a idade do lobo, tão contestada e a chegada dos setenta
causa tanto espanto?
De mesmo modo, porque, normalmente, as noites das sextas-feiras
são agitadas; as segundas, tão pachorrentas
e as pessoas se tornam mais calma nas noites de domingo?
E no Natal, por que o clima é tão amistoso;
as pessoas, tão generosas e as mesas, tão
fartas? Outra data emblemática é a passagem
de ano. Além de festiva, ela é duplamente
marcante, celebra o ano velho que finda e o novo que irrompe.
Desconheço a natureza e as terminologias técnicas
para este fenômeno Talvez ele seja pura manifestação
do inconsciente coletivo ou estado psíquico, ocasionado
pelos hábitos e costumes. Talvez, efeito da indução
provocada pelo senso de troca, comércio e marketing.
Ou então, muito provavelmente, de um caso particular
de integração sistêmica dos humanos,
a que se poderia denominar de holismo cívico. O fato,
no entanto, é que ele acarreta uma influência
muito poderosa e interessante sobre os seres humanos.
Como elemento social, indissoluvelmente ligado à
cultura do povo, também estou celebrando com esta
crônica, a passagem de ano. Nela, quero invocar as
lições do passado, as esperanças do
futuro e sobretudo, a responsabilidade do presente.
A
passagem de ano é um convite à reflexão
e dentre os vários assuntos ou idéias que
poderia evocar, destaco três:
A) - Mudança. A mudança ocorre o tempo todo
em nossas vidas e na vida do mundo. Ela é uma necessidade
intrínseca do universo e precisamos nos adaptar a
ela, mesmo que à custa de sacrifícios. Ela
é o caminho da evolução e é
por meio dela que se descortinam novos caminhos e oportunidades,
mesmo quando travestidos de crises. Ser fortes, confiantes
e perseverantes; isso é o que mais deve importar
neste momento.
B)
Solidariedade. Apesar de sermos únicos, estamos todos
inter-relacionados. É fácil perceber isso,
basta olhar para qualquer
coisa ou fato que temos ou fazemos. Além do mundo
ser uma aldeia
globalizada, nossas comunidades são estruturadas
como teias. Tudo está ligado a tudo, todos a todos.
A terra, aliás, o universo, é um sistema integrado.
Somos unidades de um todo, ou melhor, uma unidade cósmica.
Existe uma idéia, cientificamente fundamentada e
narrada em forma poética, que gosto sobremaneira:
somos feitos de pó de estrelas. Além disso,
cada vez mais me convenço de que a vida tem luz própria,
mas todos os seres são produtos da fagulha divina.
Ser cuidadoso e solidário com o próximo (sobretudo
o mais carente) e com o ambiente (sobretudo aquele em que
vivemos ou transitamos) é uma responsabilidade histórica,
inadiável e intransferível. Estejamos atentos
a isso.
C) Conhecimento. Apesar de estarmos acostumados à
noção trivial de três tempos, nossas
vidas é um processo atemporal e contínuo e
por isso, devemos estar interessados em aprender sempre.
Aprender não é apenas incorporar novas informações,
mas procurar lembrar o que se sabe, conhecer a realidade
sob vários ângulos, amar o conhecimento. O
conhecimento é fundamental para a cidadania, a profissão,
o discernimento. Ele é também a base para
a sabedoria.
O
ano chega ao fim, num eterno recomeço do tempo. É
momento de refletir e agir. Conhecidos ou não um
do outro, estamos irmanados, pois somos construtores de
um mundo que se modifica a cada instante. Somos trabalhadores
da grande messe. Não importa se o espaço físico
e social a cada um de nós reservado seja entendido
como missão divina ou realidade concreta do trabalho
evolutivo.
Somos irmãos, companheiros de luta. A todos, portanto,
meu abraço fraterno. Que 2002 seja para todos nós
um ano próspero e feliz.
Cordiais saudações.
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