Samaúma
 

 

 

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( * ) Dr.Geraldo Mendes dos Santos, pesquisador
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia -INPA
Coordenação de Pesquisas em Biologia Aquática-CPBA
Av.André Araújo, 2936, Cx.P.478, Bairro Petrópolis Manaus- AM 69060-001
Tel.(092) 643.3235/324o/3244
ou 6442051
e-mail:gsantos@inpa.gov.br

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"25 de Dezembro -
Natal"

 

Natal Capital e Lucro


Dr.Geraldo Mendes dos Santos ( * )



Luzes, presentes, comes e bebes, compras e mais compras: - estes parecem ser os signos mais fortes da sociedade moderna, modelos disformes da sagrada epifania, ícones mundanos da essência do Natal.

Natal é data ecumênica e seus festejos são lindos. Estes congregam um valor histórico e religioso extraordinário. Além disso, encerram potencialidades sócio-econômicas e culturais infinitas. No entanto, o verdadeiro sentido do
Natal não está nessas coisas, mas nos sentimentos.

O Natal é uma festa mágica e magnífica. Mágica porque, tal qual um palco iluminado, onde a humanidade, por alguns dias, se fantasia de caridade, o grande Mestre vem nos lembrar que somos artistas de fato e que a cada um de
nós são reservadas cenas especiais, para serem representadas de modo duradouro, ao longo da vida. Local e clientes para a prática desta virtude não faltam; portanto, devemos atuar continuamente como atores principais, promotores da justiça, construtores da paz.

Natal é sinônimo de festa, abraços, mesa farta. É também momento de ensimesmar-se, aprofundar-se no eu individual, refletir sobre a situação do irmão. É o tempo ideal para a busca da sabedoria e da fraternidade às vezes jazem adormecidas em nossas consciências. É o momento apropriado para o jogo do equilíbrio entre a vivência da realidade e a busca dos sonhos; entre as aspirações do espírito e a satisfação das necessidades corporais.

Natal é um instante esplêndido e radiante. Pena que normalmente dure apenas um instante. Durasse mais, e o mundo seria diferente; com certeza bem mais prazeroso, certamente bem mais edificante. É por isso que devemos augurar a
nós mesmos e aos outros que o senso natalino não dure apenas até o dia vinte e cinco de dezembro, mas perdure por todos os dias (e noites também, claro!) do ano novo e de todos os anos seguintes.

Enquanto o mundo não muda até onde desejamos e enquanto trabalhamos para sua mudança, é preciso indagar (mesmo que nunca tenhamos a resposta - e isso não faz diferença nenhuma ) por que uns viajam e banqueteiam e outros perambulam e passam fome. É bom perguntar por que determinadas pessoas são plenas de graça, se congraçam e se arrebatam às alturas, enquanto outras são amarguradas, incapazes de escapar de desgraças que lhes parecem
crônicas. Também é preciso questionar por que na civilização ocidental, dominada pelo capitalismo, o Deus-Pai, acabou sendo confundido com Noel, o bom velhinho de barbas brancas, em nome do qual tudo se oferta, tudo se
vende, tudo se compra.

Melhor que perguntar ou entender a natureza e implicação destes fatos complexos, é deixar-se levar pelo fulgor da atmosfera natalina, é alegrar-se com a gente e com os outros, é entusiasmar-se pela luz divina, sempre presente. Esse é o mistério da fé, que desperta caridade, que provoca esperança. Aliás, estas são as virtudes capitais. Fazendo um
trocadilho, poder-se-ia afirmar que estas são o capital das virtudes.

Acostumados aos valores materiais, num sistema capitalista insaciável, sempre em busca de produção e consumo, talvez fosse oportuno lembrar que as virtudes crescem e dão lucro, sendo o resultado disso, novas virtudes.

Portanto, é importante saber aplicar o capital. Ele não pertence a mercados, mas segue a velha lei de que quanto mais se aplica, mais se ganha. Fé, caridade e esperança e todas as riquezas delas derivadas, em doses sempre mais altas e contagiantes:
- é o que desejo a todos, neste Natal.
Cordialmente.

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