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Dr.Geraldo Mendes dos Santos ( * )
Luzes,
presentes, comes e bebes, compras e mais compras: - estes
parecem ser os signos mais fortes da sociedade moderna,
modelos disformes da sagrada epifania, ícones mundanos
da essência do Natal.
Natal
é data ecumênica e seus festejos são
lindos. Estes congregam um valor histórico e religioso
extraordinário. Além disso, encerram potencialidades
sócio-econômicas e culturais infinitas. No
entanto, o verdadeiro sentido do
Natal não está nessas coisas, mas nos sentimentos.
O
Natal é uma festa mágica e magnífica.
Mágica porque, tal qual um palco iluminado, onde
a humanidade, por alguns dias, se fantasia de caridade,
o grande Mestre vem nos lembrar que somos artistas de fato
e que a cada um de
nós são reservadas cenas especiais, para serem
representadas de modo duradouro, ao longo da vida. Local
e clientes para a prática desta virtude não
faltam; portanto, devemos atuar continuamente como atores
principais, promotores da justiça, construtores da
paz.
Natal
é sinônimo de festa, abraços, mesa farta.
É também momento de ensimesmar-se, aprofundar-se
no eu individual, refletir sobre a situação
do irmão. É o tempo ideal para a busca da
sabedoria e da fraternidade às vezes jazem adormecidas
em nossas consciências. É o momento apropriado
para o jogo do equilíbrio entre a vivência
da realidade e a busca dos sonhos; entre as aspirações
do espírito e a satisfação das necessidades
corporais.
Natal
é um instante esplêndido e radiante. Pena que
normalmente dure apenas um instante. Durasse mais, e o mundo
seria diferente; com certeza bem mais prazeroso, certamente
bem mais edificante. É por isso que devemos augurar
a
nós mesmos e aos outros que o senso natalino não
dure apenas até o dia vinte e cinco de dezembro,
mas perdure por todos os dias (e noites também, claro!)
do ano novo e de todos os anos seguintes.
Enquanto
o mundo não muda até onde desejamos e enquanto
trabalhamos para sua mudança, é preciso indagar
(mesmo que nunca tenhamos a resposta - e isso não
faz diferença nenhuma ) por que uns viajam e banqueteiam
e outros perambulam e passam fome. É bom perguntar
por que determinadas pessoas são plenas de graça,
se congraçam e se arrebatam às alturas, enquanto
outras são amarguradas, incapazes de escapar de desgraças
que lhes parecem
crônicas. Também é preciso questionar
por que na civilização ocidental, dominada
pelo capitalismo, o Deus-Pai, acabou sendo confundido com
Noel, o bom velhinho de barbas brancas, em nome do qual
tudo se oferta, tudo se
vende, tudo se compra.
Melhor que perguntar ou entender a natureza e implicação
destes fatos complexos, é deixar-se levar pelo fulgor
da atmosfera natalina, é alegrar-se com a gente e
com os outros, é entusiasmar-se pela luz divina,
sempre presente. Esse é o mistério da fé,
que desperta caridade, que provoca esperança. Aliás,
estas são as virtudes capitais. Fazendo um
trocadilho, poder-se-ia afirmar que estas são o capital
das virtudes.
Acostumados
aos valores materiais, num sistema capitalista insaciável,
sempre em busca de produção e consumo, talvez
fosse oportuno lembrar que as virtudes crescem e dão
lucro, sendo o resultado disso, novas virtudes.
Portanto,
é importante saber aplicar o capital. Ele não
pertence a mercados, mas segue a velha lei de que quanto
mais se aplica, mais se ganha. Fé, caridade e esperança
e todas as riquezas delas derivadas, em doses sempre mais
altas e contagiantes:
- é o que desejo a todos, neste Natal.
Cordialmente.
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