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Dr.Geraldo Mendes dos Santos ( * )
O
final de ano se aproxima, é hora dos relatórios,
balanços e prestações de contas. Órgãos
governamentais, empresas, organizações sociais
e profissionais de todas as áreas interrompem o ritmo
normal de atividades para avaliar o andamento dos projetos,
os avanços e recuos, as taxas de crescimento, as
perdas e lucros.
Não
vou entrar no mérito das questões técnicas,
competência das ciências contábeis e
da administração, mas gostaria de refletir
sobre a avaliação de desempenho. Como avaliador
e avaliado, no setor público, tenho notado que esta
prática é inócua, às vezes,
dúbia e não raro, geradora de conflitos.
Para
esta análise, levanto dois pontos, que considero
princípios:
primeiro:
toda instituição é constituída
por pessoas, mesmo quando opera no mundo virtual ou com
algo imaterial, intangível, volatíssimo.
Segundo: a medida do desempenho da instituição
é (ou deveria ser), exatamente a mesma daqueles que
lhe prestam serviços. Trata-se de um corolário
evidente, isto é, o resultado da avaliação
de uma instituição nada mais é que
o somatório da avaliação dos seus servidores.
Levanto mais um ponto: para ser moderno e eficaz e ao mesmo
tempo responsável e coerente, o administrador não
deveria
avaliar os servidores, se antes não se dispuser a
avaliar os processos e procedimentos adotados pela instituição
que administra. Uma empresa funciona como uma orquestra
e a natureza do trabalho que esta executa é a combinação
da qualidade dos instrumentos, competência da regência
e habilidade dos músicos.
Os
recursos humanos são o maior patrimônio de
qualquer instituição e portanto, esta deve
se empenhar ao máximo para que esses sejam bem orientados,
trabalhem em prol da missão institucional, façam
algo condizente com seus talentos e tenham à disposição
os meios adequados para execução de bons serviços.
A instituição é uma unidade, a integração
de recursos humanos com meios físicos e culturais,
e por isso, a avaliação não deve recair
unicamente sobre recursos humanos, muito menos apenas sobre
subalternos.
O
planejamento estratégico é saudável
e até necessário, mas é oneroso e demorado
e por isso, só é feito de quando em quando.
Ele precisa ser complementado pelo planejamento operacional,
ao qual compete buscar soluções rápidas
para problemas emergentes e que às vezes, por serem
relegados, acabam se internalizando e se tornando crônicos.
É importante planejar a longo prazo, analisar cenários
futuros, mas é preciso estar atento ao que se passa
no momento, buscar respostas para perguntas simples do quotidiano.
Alguns exemplos: Os servidores estão bem distribuídos
nos diferentes setores, isto é, atuando onde realmente
há mais necessidade ou exercendo as atividades mais
compatíveis com suas habilidades e talentos?
Existem
na empresa mecanismos adequados para capacitar a quem quer
ou precisa, premiar quem mais produz e encorajar os mais
passivos? Há incentivo para que os servidores se
sintam engajados, favorecendo uma gestão co-responsável
e participativa?
Num
mundo tão complexo e sujeito a mudanças tão
rápidas, não podem haver soluções
definitivas ou respostas prontas e por isso é preciso
inovar sempre, mas sem perder o foco das metas estabelecidas.
E quais são exatamente estas metas, em nível
institucional, de modo coletivo? Os objetivos institucionais
devem ser claros e permanentemente lembrados e todos devem
se sentir gratificados, de preferência, felizes pelo
que fazem.
Isso
significa que na administração moderna, eficiente,
a avaliação individual é necessária,
mas a auto-avaliação institucional é
indispensável. Em outras palavras, a avaliação
das pessoas é importante e mais importante ainda
é avaliação dos processos. Outro ponto
importante: os processos devem ter a participação
dos servidores, mas são seus chefes e gestores que
os determinam. Conclusão: a instituição
é algo sistêmico e portanto, a avaliação
não pode recair unicamente sobre servidores, deve
abranger tudo e todos, de maneira franca, responsável
e consciente.
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