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( * ) Dr.Geraldo Mendes dos Santos, pesquisador
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia -INPA
Coordenação de Pesquisas em Biologia Aquática-CPBA
Av.André Araújo, 2936, Cx.P.478, Bairro Petrópolis Manaus- AM 69060-001
Tel.(092) 643.3235/324o/3244
ou 6442051
e-mail:gsantos@inpa.gov.br

Gene Mene e Luz


Dr.Geraldo Mendes dos Santos ( * )



Os geneticistas conhecem bem o poder dos genes na determinação dos caracteres. As proezas destes elementos não se limitam apenas àqueles casos clássicos relativos ao tamanho da crista do galo ou à cor e textura das vagens, mas a todas as características transmitidas de pais para filhos.

Também na medicina há registros interessantes de fatos semelhantes, como por exemplo a insuficiências orgânicas, os caracteres ligados ao sexo e as predisposições para uma vasta gama de doenças, dentre elas o câncer.

Os genes determinam praticamente tudo na vida dos seres vivos e o homem não é exceção. Somos expressões genéticas. O biólogo inglês Richard Dawkins tem uma visão bastante engenhosa do papel dos genes e os trata como "egoístas". Os seres existem para satisfazer o interesse dos genes, sempre interessados em se multiplicar. Aliás, Gene egoísta (The selfish gene) é o nome de uma de suas obras mais conhecidas, publicada em 1989. De acordo com esse autor, a seleção natural não atua sobre o indivíduo, espécies ou grupos, mas sobre os genes. Nessa concepção, os corpos não passam de
máquinas de sobrevivência, construídas pelos genes, para permitir sua própria replicação.

Combinando a hipótese de Dawkins com a teoria de Darwin, pode-se deduzir que o princípio mais fundamental na dinâmica da vida é a seleção natural, isto é, a evolução seleciona os genes mais aptos que continuam existindo e se aperfeiçoando, através das gerações. Por outro lado, combinando-a com a passagem bíblica que afirma "no princípio era o verbo..." talvez pudesse dizer que aqui o verbo está consubstanciado em código genético. Alguém poderá retrucar, afirmando que verbo não é gene, mas palavra. E, afinal, que contém a palavra, senão informação? Essa é exatamente a função de ambos.

Posso estar pecando contra os dogmas eclesiásticos, mas convém perguntar:
se Deus é onipotente e onipresente, não poderia Ele estar associado à essas "criaturinhas" espetaculares? Haveria milagre mais lindo? Dizem outros estudiosos que o ser humano é produto do processo cultural. Isso tem sentido, mas não é tudo. Precisamos voltar novamente para outra idéia maravilhosa do mesmo Dawkins que afirma ser a cultura algo transmitido por elementos semelhantes aos genes, denominados Memes. Segundo ele, esses elementos são replicadores mentais, passando de pessoa para pessoa por meio da vivência coletiva. Talvez seja por isso que a escola e a família e, mais recentemente, os computadores e a televisão têm tanta importância nas sociedades humanas.

De acordo com o físico e escritor Clemente da Nóbrega, assim que nosso ancestral passou a ser estritamente humano, afastando-se em definitivo da genealogia dos macacos - isso há aproximadamente 100 mil anos - os genes deixaram de ser os únicos determinadores de nossos destinos, passando a dividir essa tarefa com os memes.

Conclusão: somos resultado dessa parceria estranha, verdadeira simbiose, entre genes biológicos e memes culturais. Se até a capacidade de abstrair e raciocinar for determinada por esses entes espetaculares, seria oportuno indagar: - onde e como fica o eu-indivíduo?

Talvez tenhamos que apelar para o livre arbítrio. Seria esse o elemento essencial para a individualidade, para sermos o que realmente somos?
Mas nós somos infinitamente insignificantes nesse universo fabuloso e assim, não seria muito arriscado ou sinal de exacerbada arrogância atribuir tanto poder a esse simples atributo?

Acredito que os genes e os memes são funcionais e muitíssimo importantes, mas não posso descartar o papel decisivo da fagulha divina que habita em cada um de nós. Gene, Meme e Luz: esta é a combinação perfeita (algo correspondente à santíssima trindade) para sermos o que somos.

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